26/02/21
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Transição capilar

Cuidando dos cachos: aprenda a valorizar o seu cabelo natural

Pixabay
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Aos 35 anos, a cabeleireira baiana Aline Oliveira (@alinefiosearte), que hoje vive em São Paulo, exibe um black power de dar inveja. Mas nem sempre foi assim. Quando criança e adolescente, fazia procedimentos como relaxamento na raiz para domar os fios. "Minha mãe não sabia lidar com o volume natural do meu crespo, então era 'mais fácil' alisar", conta. Se não fosse o seu orgulho pelas suas origens e uma vontade imensa de "deixar cachear", Aline poderia nunca ter conhecido essa sua versão - como acontece com a maioria das mulheres que sentam na cadeira de seu salão e se surpreendem com um look completamente diferente. E natural.


Há dez anos, a cabeleireira fez o chamado big chop (corte bem curtinho para retirar toda a química) e (re)descobriu os seus cachos tipo 3b e 3c em um estiloso corte que serve de inspiração para milhares de mulheres com esse mesmo desejo da descoberta. Entre um variado perfil de suas clientes, uma vontade em comum: a libertação de padrões. E o resultado é unânime: um up instantâneo na autoestima e a sensação única de encontrar na naturalidade a sua melhor versão.

Estamos vivendo um momento de valorização dos cachos. Por que tantas mulheres ainda buscam o liso? A ditadura do liso ainda é muito ligada às questões sociais e ao racismo, muito presente na nossa cultura. O que ainda leva muitas mulheres a quererem alisar o cabelo é o fato de que o crespo ou cacheado possa transmitir uma imagem de desleixo, de falta de cuidado. Elas sentem que com os fios lisos estarão, finalmente, dentro de um padrão. Infelizmente, ter o cabelo liso ainda é, na visão de muita gente, sinônimo de poder aquisitivo. Escuto diversos relatos de mulheres que inclusive sentem tal pressão no ambiente de trabalho - como se precisassem estar com o cabelo alisado para apare.

Qual o perfil de clientes que te procuram?

Hoje 90% das minhas clientes estão em transição capilar. Elas dizem que se sentem seguras por estarem em um lugar em que ninguém vai falar para elas "vamos fazer um relaxamento nessa raiz?" ou "vamos abaixar esse frizz"? Ao contrário, assim que elas sentam em minha frente, começo a pensar em como valorizar aquilo que elas têm sem usar nenhuma química - e isso é muito mais fácil, é libertador. Então eu sempre faço elas sentirem seus fios, colocarem a "mão na massa". Ensino elas a apertarem os fios para formar o cacho, a passar o creme, a aceitarem o frizz... Não faço nada sozinha para que elas não dependam de mim para se sentirem bonitas.

O que mais ajuda no processo de aceitação dos fios naturais?

Saber lidar com eles. Muita gente alisa porque não sabe como valorizar os cachos. Ter os produtos certos em mãos também é essencial. Por muito tempo, sofríamos com a falta de opção no mercado tanto para tratar quanto para finalizar o cabelo cacheado. Hoje é muito mais fácil encontrar variedade de marcas e de produtos para todos os tipos de cacho. E isso anima, porque é muito desestimulante não ter as ferramentas em casa para cuidar do seu tipo de cabelo. Nesse sentido, ter em quem se inspirar também ajuda muito e é o que eu tento fazer no meu Instagram, por exemplo. Foram anos que as crespas e cacheadas ficaram sem referências, sem saber como cuidar dos seus fios. Então temos muita.

E qual o segredo de um corte que valoriza os cachos?

O cabelo cacheado precisa ser bem desconectado, ter camadas... Muita gente fala que ele não pode ser curtinho, no estilo chanel. Crespas e cacheadas podem tudo! É uma questão de adaptar o estilo para cada um, mas existem muitas possibilidades. Por outro lado, um corte errado pode mudar completamente a maneira como o cabelo se comporta. Então, às vezes a pessoa tem cabelo com uma tendência a ondular ou até cachear, mas os fios não curvam porque o cabelo não é tratado como tal.

Qualquer cabelo pode formar cachos?

Não. O liso (tipo 1) não vai ondular sem o uso de uma ferramenta térmica. Mas é possível valorizar o formato e estimular a formação de ondas e cachos em qualquer cabelo ondulado ou cacheado. Esses, se forem cortados da maneira errada ou sem os produtos certos, podem não revelar o seu melhor formato.

Como estimular essa formação de ondas e cachos?

A primeira delas é cortar com um especialista em cacheadas. Conhecer e saber cortar esse tipo de cabelo faz toda a diferença no resultado final. Eu, particularmente, gosto de cortar a seco. Isso diminui o chamado "fator encolhimento", que acontece quando se corta molhado. Outra dica crucial para quem quer valorizar ondas e cachos é usar muita água. O cabelo cacheado tem déficit de hidratação, então quando mais água você puder devolver para esse cabelo, melhor. O melhor amigo da cacheada é o leave in (ou creme para pentear). O jeito certo de aplicar é com o cabelo bem úmido, encharcado mesmo. Para estimular a formação de cachos, aplique o creme fazendo o processo de fitagem com os ddos, enrolando mechinha por mechinha. Depois, jogue o cabelo para baixo e aperte cada mecha com ajuda de papel toalha ou camiseta de algodão, por vinte segundos cada. Esse processo ajuda a ativar a memória do cacho.

O que uma pessoa que quer valorizar os cachos nunca deve fazer?

Pentear o cabelo com pente. Muita gente desconhece o cabelo ondulado simplesmente por usar pente (ou por nunca ter feito esse ritual de estimular a formação do cacho com creme e toalha). Indico sempre formar os cachinhos com os dedos ou escova específica para cachos, com ele molhado, e depois não mexer mais.

Como lidar melhor com o day after?

O day after é o dia seguinte à lavagem dos fios. Essa questão existe justamente porque é muito mais fácil cuidar dos cachos com o cabelo molhado (ou seja, no dia da lavagem). Mas é possível prolongar esse efeito usando uma fronha de cetim na hora de dormir, por exemplo, pois diminui o atrito e diminui o frizz. Usar os produtos certos para o seu tipo de cacho (atenção aos rótulos) no dia da fitagem, também garante que o cachos fiquem intactos por mais tempo, evitando stress no day after. Finalizadores em gel (ou gel-creme) ajudam a fixar as curvas por mais tempo.
Fernanda Morelli - Folhapress
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