02/08/21
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Estudo

Estudo da UFPR aponta novembro como mês em que Covid-19 começa a ser derrotada

Reprodução/Pixabay
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Um estudo ligado a pesquisadores da UFPR (Universidade Federal do Paraná) calcula que a data provável para finalizar a vacinação de 95% da população curitibana adulta, com as duas doses, será janeiro de 2022. Isso porque, para atingir esse número, ainda é necessário imunizar cerca de 870 mil pessoas. Pelos cálculos, em novembro de 2021, 75% da população adulta em Curitiba já estará vacinada com as duas doses.

O estudo identificou que a região do Pinheirinho, na zona sul de Curitiba, é a mais afetada pela pandemia de Covid-19 tanto na incidência de casos, quanto na taxa de mortalidade. A constatação foi feita por integrantes da Rede Cooperativa de Pesquisa em Modinterv (Modelagem da Epidemia de Covid-19 e Intervenções não Farmacológicas) a partir de uma análise baseada em dados do Portal Modinterv Paraná Covid-19, novo projeto da equipe que foi lançado no dia 10 de junho e disponibiliza, ao público em geral, informações da curva epidemiológica da pandemia em diversas localidades do estado do Paraná.

O modelo matemático compila dados publicados pelas secretarias municipal e estadual de saúde e pelo SUS (Sistema Único de Saúde). O projeto foi desenvolvido, em conjunto, por estudiosos da UFPR e das universidades federais UFPE (de Pernambuco) e UFS (de Sergipe).

A ferramenta aponta que, a cada cem mil habitantes, quase 13 mil foram infectados com o novo coronavírus no distrito sanitário do Pinheirinho, que engloba esse e outros bairros próximos. A segunda maior incidência de casos ocorre no distrito sanitário da Cidade Industrial, com quase 12 mil contaminados. Os menores índices foram encontrados nas regiões do Cajuru e de Santa Felicidade, com nove e oito mil contaminados a cada cem mil habitantes, respectivamente.

Com relação à taxa de mortalidade por Covid-19, a região do Pinheirinho também lidera com cerca de 365 mortes a cada cem mil habitantes. Em segundo lugar nesse aspecto está o distrito sanitário do Boqueirão, com 306 falecimentos. Santa Felicidade permanece no último lugar, com 205 registros a cada cem mil pessoas. Os dados utilizados nessas projeções são de 1º de junho.

O fato de o bairro Pinheirinho e seus arredores serem os mais afetados pela pandemia está atrelado ao número de pessoas que circulam diariamente por essa região. Para Maria Carolina Maziviero, professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFPR, o terminal do Pinheirinho, responsável pela integração com municípios da região metropolitana como Fazenda Rio Grande e Araucária, pode ser um dos principais focos de disseminação do vírus.

"É um terminal por onde circula uma grande quantidade de pessoas, gerando maior risco de disseminação do coronavírus. Esses dados apontam a necessidade de pensar ações emergenciais em escala regional, que extrapolem o perímetro dos municípios. Também é fundamental prever intervenções rápidas e baratas nos terminais para mitigar a transmissão do coronavírus, além de ser imprescindível a revisão da gestão e do financiamento do transporte coletivo de modo a evitar as superlotações”, revela Maria Carolina, que também integra o grupo interdisciplinar Ação Covid-19 e é uma das idealizadoras da iniciativa Paraná Contra a Covid-19 – projeto com o intuito de estudar os impactos da pandemia nos diversos segmentos sociais e apontar a omissão das políticas públicas e seus reflexos sobre a vida das pessoas.

Casos no Paraná - Ao analisar os dados do Paraná com base nas regionais distribuídas pelo estado, os pesquisadores concluíram que a regional de Foz do Iguaçu é a principal acometida pela pandemia em incidência de casos e em taxa de mortalidade. A cada cem mil pessoas, aproximadamente 14 mil se contaminaram com o coronavírus e 292 faleceram em decorrência da doença na região.

Seguindo Foz de Iguaçu de perto na taxa de mortalidade está a regional de Paranaguá. De acordo com os registros, a cada cem mil habitantes da região, cerca de 11.500 se infectaram e 286 morreram. Já em incidência de casos, é a regional de Telêmaco Borba que ocupa a segunda posição, com mais de 12 mil casos a cada cem mil pessoas. Contudo, o número de óbitos é menor, 259, fazendo com que o local fique atrás das regionais de Apucarana e Cornélio Procópio, além de Paranaguá e Foz do Iguaçu.

Para a arquiteta e urbanista, o motivo que leva essas cidades e seu entorno a se tornarem as mais impactadas pela pandemia é o mesmo observado nos distritos sanitários de Curitiba: grande circulação de pessoas. Foz do Iguaçu é a cidade com maior população de fronteira do Brasil, de acordo com o Censo do IBGE de 2010, e faz divisa com Argentina e Paraguai. Enquanto Paranaguá abriga o maior porto exportador de produtos agrícolas do Brasil e um dos maiores da América Latina. Segundo a Appa (Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina), mesmo com a pandemia, o Porto de Paranaguá bateu recorde de movimentações em 2020, manipulando mais de 57 milhões de toneladas, número 8% maior do que o registrado em 2019.

"À medida que a doença se tornou global, a circulação de pessoas e mercadorias se tornou também vetor da circulação do vírus pelo mundo. Deve-se levar em conta que pré-sintomáticos, pessoas com sintomas leves e, sobretudo, os assintomáticos têm papel significativo na disseminação do vírus, porque podem ser transmissores anônimos”, destaca Maria Carolina.

Recentemente, pesquisadores brasileiros do IEPS (Instituto de Estudos para Políticas de Saúde) publicaram um estudo na revista The Lancet que demonstrou como a desigualdade social tem papel decisivo em mortes e em casos de Covid-19 no Brasil. Segundo o documento, grupos que estão em situação de vulnerabilidade e que sofrem, historicamente, violações de direitos básicos, como direito à moradia e ao saneamento universal, são os mais afetados.

"É fundamental, portanto, pensar em ações emergenciais de forma integrada, incluindo moradia – como conter despejos e apoiar a população desabrigada –, saúde, assistência social, dificuldades econômicas, educação, saneamento universal, entre outras questões. O que vimos durante a pandemia no Brasil são planos de emergência centrados no sistema de saúde, sem levar em conta outros assuntos inter-relacionados, como habitação”, considera a professora.

Vacinação - A vacinação nas cidades é outro cenário possível de ser analisado no Portal Modinterv Paraná Covid-19. Com base em dados disponibilizados pelo SUS, os pesquisadores constataram que, até 1º de junho, 35% da população adulta de Curitiba foi vacinada com a primeira dose, cerca de 512 mil pessoas. Menos da metade disso recebeu o reforço do imunizante, apenas 225 mil (15%).

Segundo dados do IBGE de 2020, a capital paranaense possui uma população de quase dois milhões de pessoas (1.948.626). Desse montante, 75% (1.455.818) têm mais de 20 anos de idade. Levando em conta essas informações, Giovani Vasconcelos – professor do Departamento de Física da UFPR e coordenador da rede Modinterv – avalia que Curitiba só terá vacinado, com as duas doses, 75% da sua população adulta em novembro de 2021. "Considerando que a taxa média de vacinação é de, aproximadamente, cinco mil vacinas ao dia, ainda faltam quase cinco meses para imunizar as pessoas que não foram contempladas”.

Nesse ritmo, ele calcula que a data provável para finalizar a vacinação de 95% da população curitibana adulta, com as duas doses, será janeiro de 2022. Isso porque, para atingir esse número, ainda é necessário imunizar cerca de 870 mil pessoas.

O modelo matemático mostra que há um atraso de mais ou menos 47 dias entre a primeira e a segunda dose em Curitiba. "Quando se atinge um certo número de vacinados com a primeira dose, por exemplo duzentos mil, esse mesmo número de pessoas com a segunda dose será alcançado em média 47 dias depois”. Vasconcelos destaca que o ritmo de vacinação é variável e pode aumentar ou diminuir. Caso isso aconteça, os percentuais serão alcançados antes ou depois das datas estimadas.

O mesmo cálculo pode ser feito para qualquer cidade do Paraná no Portal Modinterv. Em breve também será possível correlacionar os números de vacinação com a taxa de mortalidade pela Covid-19.
Redação Bonde com Assessoria de Imprensa
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