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Da Espanha

Ex-guerrilheiro é atleta paraolímpico mais bem-sucedido

BBC Brasil
08 set 2012 às 10:08
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Quem vê o sorriso triunfante do nadador paraolímpico espanhol Sebastián "Chano" Rodríguez, de 56 anos, exibindo suas medalhas no Centro Aquático de Londres, não é capaz de imaginar seu passado turbulento.

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Nascido em Cádiz, na região da Andalusia, Sul da Espanha, ele tinha 26 anos em 1985 quando foi condenado a uma pena de 84 anos de prisão por participar de vários atentados com explosivos na Espanha e pelo assassinato do empresário andaluz Rafael Padura.

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Atualmente, ele é o atleta paraolímpico que mais conquistou medalhas na história espanhola - um total de 15, sendo 8 de ouro, quatro de prata e três de bronze.


Ele diz se arrepender de seus crimes, mas não gosta de falar de seu passado como integrante da organização Grapo, um grupo armado de extrema esquerda, considerado organização terrorista pela União Europeia.

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Em entrevista à BBC Mundo, o serviço hispânico da BBC, Rodríguez se limitou a dizer: "Ao longo da minha vida, vi que estava equivocado. Mas tentei corrigir e sigo tentando. Não posso fazer nada sobre o que ficou para trás, mas posso fazer com que o futuro seja diferente''.


Após passar por vários presídios, Rodríguez participou, em 1990, de uma greve de fome que visava a pressionar as autoridades carcerárias para que elas unissem todos os detentos pertencentes ao grupo maoísta do qual fazia parte em um mesmo centro de detenção.


Uma greve de fome de 432 dias e diversas internações hospitalares marcaram-no para sempre. A falta de alimentação afetou alguns de seus órgãos e debilitou as suas pernas, impedindo-o de voltar a andar, quando ele ainda estava preso.


Em 1994, ele obteve liberdade condicional graças a uma lei espanhola que estipula a libertação de detentos doentes em estado grave. Em 2007, ele recebeu um perdão do governo.


Mas antes disso Rodríguez já havia se tornado um campeão olímpico. Nos Jogos de Sidney, em 2000, ele obteve cinco medalhas de ouro e rompeu quatro recordes mundiais. Mas sua glória acabou sendo ofuscada por um escândalo, quando veio à tona a notícia de que ele havia mentido às autoridades paraolímpicas ao dizer que sua deficiência se devia a um acidente de trânsito.


A despeito de protestos para que ele as medalhas fossem anuladas, o Comitê Paralímpico Internacional avaliou que ele não havia rompido nenhuma regra e poderia manter suas medalhas.


Ao ser indagado sobre o passado, Rodríguez afirma: ''Isso deixo a você, o que é preciso ressaltar é o esporte, é para isso que estamos aqui''.


Nos Jogos Paraolímpicos de Londres, ele conquistou uma medalha de prata nos 50 metros livres S5 e outra nos 200 metros livres. No sábado, ele compete ainda por sua décima-sexta medalha, nos 100 metros livres.


A despeito da idade avançada, ele não fala em aposentadoria e até brinca sobre o tema, dizendo ter a ''cara de pau'' de seguir nadando, ainda que ''tenha, quase quase a idade de meus adversários somada'', diz, sorrindo.


''Todos me perguntam: Sebastián, qual o seu segredo, o que você come, como você treina? Queremos chegar assim a sua idade. Mas não tenho nada especial, se algo me favorece, é a regularidade e ter um objetivo claro.''


"Na vida, os segredos não valem, não há magia, aqui se trabalha e se você conta com um pouco de sorte, o resultado acompanha. Foi o que meu pai me ensinou desde a infância. Somos uma família muito grande, de 17 irmãos. Meu pai deu a todos os filhos de comer porque era um homem muito correto, muito justo e sobretudo muito trabalhador. Ele me ensinou a ser honrado e responsável em relação ao que pensamos.''


O modo disciplinado de agir fez com que o nadador alcançasse seu objetivo desde que participou de Pequim 2008 - onde ganhou a medalha de prata nos 100 metros peito que era chegar aos Jogos de Londres.


Para isso, relata, deixou sua casa, sua família, sua namorada, amigos e ''suas cachorrinhas'' para se recolher em um complexo esportivo em Madri onde conta ter levado uma ''vida de monge''.


Ele resume seu sucesso em duas palavras: regularidade e honestidade.

Antes de se despedir da reportagem da BBC, ele lê uma frase de um admirador anônimo da qual muito gostou. "Ainda que ninguém possa voltar no tempo e fazer um novo começo, qualquer um pode começar a partir de agora e fazer um novo final''. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.


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