28/02/21
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Transformações de mercado

Açougues online apostam em praticidade e curadoria de carnes

Pixabay
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O jeito de comprar carne no Brasil vem passando por profundas transformações nas últimas décadas. E, com a pandemia, uma quarta geração de açougues entrou em evidência.


Essa nova geração é composta por estabelecimentos que atuam exclusivamente no digital, ao contrário das três anteriores -os açougues de bairro, as seções de carnes dos supermercados e, mais recentemente, as butiques de carnes.

Mas o principal diferencial dos açougues 4.0 é a forma como eles entregam os produtos ao consumidor.

Fundador do Içougue, Tiago Albino, 38, começou vendendo carne online para restaurantes e pequenos açougues. O negócio só não quebrou na pandemia porque o empreendedor foi ágil na conversão do modelo.

"No dia 20 de março de 2020 já estava vendendo para o consumidor final. O cliente fazia o pedido, eu buscava no frigorífico e mandava entregar", conta.

Quem compra o kit Mais Vendidos, a R$ 216,87, recebe em casa sete cortes de meio quilo, um para cada dia da semana. Carne moída, filé de frango, sobrecoxas, filé-mignon, contrafilé, bifes de alcatra e patinho em cubos chegam empacotados a vácuo e ultracongelados, com validade de até 12 meses.

Hoje, o empresário coordena 17 franquias, sendo 15 no estado de São Paulo e duas no Rio de Janeiro -os franqueados não precisam manipular os produtos, pois recebem as carnes já em porções e congeladas.

O Içougue funciona como marketplace e, além dos cortes de marca própria, comercializa produtos de outros frigoríficos.

Há linhas para o dia a dia, que passam dos 60 itens, e cortes de até 1 kg, específicos para churrasqueiros. O ticket médio é R$ 180.

"Planejo chegar a 50 franquias até o fim do ano e já temos interessados em levar nossa operação para Estados Unidos, Canadá e Portugal", ele afirma.

Lançada em julho de 2020 pelos amigos Tito Capobianco e Fabricio Ribeiro, ambos com 46 anos, a Natural Meat aposta nos cortes congelados com marca própria. Suas porções têm 240 gramas -em média, recomendadas para duas pessoas.

O kit Família Especial, com 5,9 kg de proteínas porcionadas para 48 refeições, traz filé-mignon em medalhões, bifes e cubos, carne moída light, filés de frango orgânico, filés de tilápia e de salmão e camarão graúdo descascado. O pacote custa R$ 527,74.

"Fiz uma pesquisa entre potenciais consumidores das classes A e B e percebi que havia demanda para porções pequenas, pois são práticas e descongelam rápido", pontua Capobianco.

Os cortes, embalados pelos fornecedores, são armazenados em um centro de distribuição no bairro paulistano do Brooklin e vendidos pelo ecommerce, telefone, WhatsApp ou aplicativo Rappi.

Segundo Capobianco, as vendas têm crescido 31% ao mês, com ticket médio de R$ 280.

A área de cobertura limita-se à Grande São Paulo, por enquanto. "Queremos expandir para outras capitais e, quem sabe, investir em um portfólio com preços menores, para que nosso foco não se limite às classes mais altas", aponta.

Outro formato promissor entre os açougues online é a venda por assinatura.

Fundada em 2013 pelo administrador de empresas Leonardo Leocadio, 41, com mais dois amigos, a Sociedade da Carne nasceu direcionada aos churrasqueiros, mas já mira outros públicos.

Os pacotes mensais, que custam de R$ 199 a R$ 499, variam conforme o peso e sempre trazem surpresas.

"Em fevereiro, oferecemos bifes de chorizo de três diferentes raças, em cortes feitos exclusivamente para nós", frisa o empresário.

Junto com as carnes, o cliente recebe uma revista com informações sobre cada corte, sugestões de harmonização e dicas de preparo na churrasqueira e no fogão.

"Faço pesquisas constantes e descobri que meu cliente faz a assinatura pela curadoria. A gente escolhe para ele, degusta antes e entrega com toda a comodidade."

Congelados, os cortes de 500 g a 1 kg são embalados em caixas de isopor lacradas, com gelo dentro, que mantêm a temperatura por até dois dias e podem ser despachadas de São Paulo para todo o Brasil. Entre os quase mil assinantes, tem gente até de Belém (PA).

Em 2020, o número de assinaturas cresceu 20% e o faturamento, 35%. O sistema sem burocracias, diz o empreendedor, ajuda a conquistar clientes.

"É possível comprar seleções separadamente pelo ecommerce, pular uma entrega ou mudar o delivery temporariamente para outro endereço", comenta Leocadio, que já planeja lançar a marca própria e abrir uma loja-conceito para a realização de eventos e cursos.

Na opinião de Adriano Bardella Monteiro, consultor de negócios do Sebrae-SP, os açougues online continuam enfrentando a forte concorrência dos supermercados quando o assunto é volume. No entanto, saem na frente em outros quesitos.

"Eles podem atrair com atendimento personalizado e, como são especializados, têm como oferecer maior variedade a preços competitivos", diz.

Isso basta para cativar clientes, mas não para mantê-los, explica o consultor. Investir em sites e aplicativos amistosos e fáceis de navegar, garantir embalagens eficientes e optar por uma logística de entregas rápidas e baratas são fundamentais para fazer o negócio decolar.

Da mesma forma, ele diz que o comerciante não pode descuidar do atendimento pós-venda. "Quem compra online busca rapidez e praticidade não só na hora de adquirir o produto. O grau de urgência para resolver eventuais problemas também é grande."
Folhapress - Flávia G. Pinho
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