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Ambientes fechados podem aumentar contágio da Covid-19

As baixas temperaturas e o tempo seco, comuns no inverno, fazem com que as pessoas frequentem locais com pouca ventilação e fiquem aglomeradas. Esses hábitos facilitam a disseminação de vírus, como o novo coronavírus.

Reprodução/Pixabay
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Luiz Gustavo Góes, pesquisador do Instituto de Ciências Biomédicas da USP (Universidade de São Paulo) e da plataforma Científica Pasteur-USP, explica que vírus respiratórios, em geral, tendem a circular mais em períodos frios. Isso pode estar relacionado a fatores como incidência solar, temperatura e umidade, mas ainda não se sabe o funcionamento exato ou a "condição ideal" para que o vírus se prolifere. "A sazonalidade é um fator importante, mas não é delimitadora para surtos ou epidemias em si", diz Góes.

Apesar dessa tendência, isso não significa que lugares quentes estejam protegidos. O pesquisador exemplifica com o que aconteceu na cidade de Manaus (AM), onde houve um grande surto de Covid-19 mesmo com o clima quente e úmido.

Por outro lado, "existe uma chance de aumentar [o contágio] devido o comportamento da população", complementa Leonardo Weissmann, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia e médico do Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Ele explica que em períodos mais frios, as pessoas costumam ficar em ambientes pouco ventilados e aglomerações, o que facilita a proliferação.

Michelle Zicker, infectologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, afirma que o tempo seco também afeta o organismo das pessoas. Neste período, as mucosas respiratórias ficam mais sensíveis e a secreção mais espessa. Isso propicia que vírus, bactérias e partículas de poluição fiquem mais tempo em contato com o corpo, aumentando as chances de contaminação.

Quando as mucosas estão umedecidas, o organismo consegue eliminar os agentes externos com mais facilidade. Para isso, vale lavar o nariz com soro fisiológico e umidificar o ambiente com uma toalha molhada no quarto, por exemplo. "Isso contribui para reduzir sintomas que podem ocorrer apenas pelo tempo seco", acrescenta Zicker.

Os infectologistas explicam que o novo coronavírus causa sintomas semelhantes a outras infecções respiratórias como dor no corpo, febre e tosse. Weissmann e Zicker ressaltam que caso a febre passe de 24 horas, haja mal-estar ou desconfortos respiratórios, como falta de ar e cansaço extremo a esforços que eram habituais, é importante procurar atendimento médico.

Prevenção no inverno continua a mesma As formas de prevenção contra o novo coronavírus nesta época do ano não são diferentes das orientações anteriores. A infectologista Michelle Zicker, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, reforça que este não é o momento para relaxar nos cuidados.

O pesquisador Luiz Gustavo Góes, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, o infectologista Leonardo Weissmann, do Emílio Ribas, e Zicker recomendam evitar aglomerações, respeitar o distanciamento social, utilizar máscara, higienizar as mãos com frequência, evitar tocar o rosto, seguir a etiqueta respiratória (cobrir nariz e boca com braço dobrado ou lenço descartável ao tossir e espirrar), manter os ambientes ventilados e, se possível, carregar álcool em gel na bolsa. Além disso, é importante manter a hidratação e alimentação correta.

Apesar de não haver uma vacina contra o novo coronavírus, os infectologistas destacam que é muito importante se proteger de outros vírus que também são frequentes nesta época do ano, como o influenza, que é o causador da gripe. Na cidade de São Paulo, a campanha de vacinação foi prorrogada até o dia 24 de julho.

Além disso, Goés recomenda que todos que tiveram algum sintoma, como febre ou dor de cabeça, evitem sair ao máximo. Ele explica que apesar de assintomáticos e pré-sintomáticos poderem transmitir a Covid-19, quando as pessoas que apresentam sintomas não estão na rua, as taxas de transmissão da doença diminuem.

O clima e o vírus Vírus respiratórios, em geral, tendem a circular mais em períodos frios Isso pode estar relacionado à umidade, à incidência solar e à temperatura Há diversos estudos que visam entender as sazonalidades de diferentes vírus.

No entanto, acredita-se que isso está diretamente relacionado com o comportamento da população nesta época e não com uma influência do clima sobre o vírus Isso não significa que lugares quentes estejam protegidos.

Apesar do clima quente e temperatura elevada, a cidade de Manaus, teve um grande surto de coronavírus, por exemplo.

Como a transmissão ocorre? O novo coronavírus é transmitido pela secreção respiratória Ou seja, gotículas de saliva que saem quando alguém fala, espirra ou tosse gotículas maiores tendem a ser puxadas pela gravidade e depositadas em superfícies, como o chão ou uma mesa.

Apesar de ficarem pouco tempo suspensas e atingirem pequenas distâncias, elas também podem contaminar pelo ar. Em climas quentes, esta partícula seca e o vírus perdem a infectividade. Ao mesmo tempo, se a umidade é elevada, ele se liga a partículas de água e é depositado em algum local.

Já quando o clima está seco, o vírus consegue permanecer mais tempo no ar. Lembre: fatores como umidade, temperatura e incidência solar variam muito. Não há respostas definitivas sobre a "condição ideal" para o vírus se proliferar. O novo coronavírus é recente e há diversos estudos sendo feitos.

No inverno

Nesta época do ano, as pessoas tendem a ter comportamentos que favorecem a disseminação de vírus, como: ficar em ambientes fechados e pouco ventilados; se aglomerar, etc. Estes fatores facilitam a transmissão de vírus. Ou seja: o vírus pode propagar por causa do comportamento das pessoas

Como o tempo seco afeta o organismo

O inverno do sudeste é caracterizado pelo frio e tempo mais seco. A tendência é que haja mais poluição do ar. Neste clima, as mucosas respiratórias ficam mais sensíveis e a secreção tende a ficar mais espessa, afetando o mecanismo de defesa do corpo Pois assim, as partículas de poluição, vírus e bactérias tendem a ficar mais tempo em contato com o corpo.

Quando a mucosa está umedecida, é mais fácil eliminá-las Umidificar as mucosas nasais, com soro fisiológico por exemplo, reduz sintomas que podem ocorrer apenas por causa do tempo seco. Este cenário favorece a incidência de outras doenças respiratórias como bronquite e asma.

Como se prevenir?

Fique informado sobre os riscos e evite aglomerações. Caso precise sair, procure horários que tenham menos pessoas. Siga o distanciamento social e, sempre que sair de casa, use máscaras e higienize as mãos. Evite tocar o rosto e cumpra a etiqueta respiratória.

Ao tossir ou espirrar, cubra nariz e boca com braço dobrado ou lenço descartável. Procure manter os ambientes mais ventilados possíveis. Tome muito líquido e tenha uma alimentação saudável.

Lave o nariz com soro fisiológico. Procure umidificar os ambientes, colocando uma toalha molhada no quarto, por exemplo.

Vacina

Apesar da vacina contra a gripe não prevenir contra a Covid-19, é importante se proteger de outras doenças também. Lembre que há outros vírus circulando. Preste atenção: os sintomas das doenças que afetam o sistema respiratório podem ser semelhantes, como: tosse, febre, coriza, dor no corpo e de cabeça.

Caso tenha algum deles, evite sair de casa. No entanto, caso haja desconfortos como cansaço excessivo para atividades que fazia habitualmente e febre prolongada por mais de 24h, pode ser necessário procurar o atendimento de saúde.

Fontes: Leonardo Weissmann, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia e médico do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, Luiz Gustavo Góes, pesquisador do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, especializado em coronavírus, e Michelle Zicker, infectologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo
Larissa Teixeira - Folhapress
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