Pesquisar

Canais

Serviços

Publicidade
Adolescentes e adultos jovens

Médicos alertam para aumento de casos de torção de testículo durante o frio

Cláudia Collucci - Folhapress
03 out 2022 às 20:00
O cirurgião pediátrico Sylvio Ávila em procedimento no Hospital Pequeno Príncipe, na capital Curitiba - Divulgação
siga o Bonde no Google News!
Publicidade
Publicidade

Cirurgiões pediátricos e urologistas têm alertado para um aumento de torções de testículos em adolescentes ou adultos jovens, problema que pode levar à perda do órgão que tem a função de produzir hormônios masculinos, como a testosterona, e esperma.


Em um comunicado recente, a Associação Brasileira de Cirurgia Pediátrica manifesta a preocupação sobre a alta e relata situações frequentes em que os jovens chegam às emergências com o testículo "morto" e que precisa ser extirpado devido à demora do diagnóstico e da cirurgia que reverte o problema.

Cadastre-se em nossa newsletter

Publicidade
Publicidade


"Não podemos demorar a levar a criança ao atendimento de emergência. Em casos assim, não é uma boa ideia esperar o dia amanhecer ou dar um analgésico e esperar uma melhora para buscar atendimento", diz a nota da entidade.

Leia mais:

Imagem de destaque
UNIDADE DO JARDIM DO SOL

Após desabamento de forro, UPA de Londrina pode ser transferida para prédio na Faria Lima durante obras

Imagem de destaque
PARA CRIANÇAS DE 10 E 11 ANOS

Cambé inicia vacinação contra dengue nesta terça-feira (27)

Imagem de destaque
Mais de 58 mil casos no PR

Brasil ultrapassa 650 mil casos de dengue; 94 mortes desde o início do ano

Imagem de destaque
Entenda

'Quadro psicótico', diz Vanessa Lopes ao falar sobre o que a fez sair do BBB


Segundo o cirurgião pediátrico Sylvio Ávila, do Hospital Pequeno Príncipe, de Curitiba (PR), todos os anos há um número esperado de casos, mas, nas últimas semanas, a quantidade disparou, especialmente no Sul do país.

Publicidade


"Há hospitais que chegam a ter dois, três casos por dia. Ontem mesmo [na última terça, 27], tivemos dois casos. É muito testículo torcido, nunca vi nessa quantidade", diz Ávila.


Não há dados nacionais atualizados sobre o aumento da ocorrência. Um estudo de 2010 estimou que ocorram ao menos mil torções por ano no país. No Pequeno Príncipe, o número de casos do início do ano até nesta quinta (29) já havia ultrapassado o ano passado todo -49 contra 41.

Publicidade


A suspeita é que o aumento esteja relacionado às baixas temperaturas, situação que favorece a torção testicular em jovens que têm um "defeito" anatômico na fixação dos testículos à bolsa escrotal.


No frio, os testículos se movimentam mais e há maior o risco de que eles girem sobre o seu eixo, provocando a torção. Quando isso acontece, há um fechamento dos vasos sanguíneos que nutrem o órgão, causando um "infarto" por falta de oxigenação. Se não for distorcido a tempo, "morre" e precisa ser extirpado.

Publicidade


"Quando está frio, o músculo cremaster [que se insere no escroto e age suspendendo o testículo] contrai e traz o testículo para perto do corpo. Quando está calor, ele relaxa e o testículo desce", explica o urologista Roni Fernandes, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Urologia.


"Vem a frente fria e, nos dia seguintes, já começam a chegar os casos", relata o urologista Marcos Broglio, que atende na Santa Casa de São Paulo. Neste ano, a instituição atendeu ao menos 28 casos de torção.

Publicidade


Segundo os médicos, não há como prever ou diagnosticar precocemente o problema. A torção de testículo acontece de forma aguda e súbita, causando dor muito intensa, muitas vezes acompanhada de náuseas ou vômitos e dor abdominal.


Eles reforçam que, diante de uma dor aguda na região, o menino precisa ser levado imediatamente a um hospital para ser operado porque há um limite de tempo para o testículo ser salvo. Até seis horas após a torção, as chances de manter o órgão são mais de 90%. Se demorar 12 horas, caem para 50% e, com 24 horas de atraso, 90% perdem o testículo.

Publicidade


Um dos fatores que contribuem para a demora em buscar ajuda médica é a vergonha que os adolescentes têm de relatar aos pais que estão com dor no testículo. "Como eles desconhecem o problema, acham que pode ser alguma bobagem que fizeram [masturbação] e não contam para os pais. Alguns meninos relatam que sentiram a dor depois de ereções noturnas com sonhos eróticos", diz o cirurgião Ávila.


Segundo Broglio, 80% dos casos acontecem na faixa etária entre 9 e 20 anos de idade, e as circunstâncias em que as torções ocorrem variam bastante. Entre elas, estão atividades físicas intensas e pequenas batidas no testículo. "Em metade dos casos que eu atendo, eles dizem que [a torção] acontece à noite, dormindo."

Publicidade


Foi o que aconteceu com um adolescente de 14 anos, de Curitiba, na última terça (27). A mãe, que pediu para não ter o nome divulgado para não expor o filho, diz que o garoto acordou com muita dor no testículo, às 6h30, e pediu ajuda aos pais. Uma hora depois, já estavam no pronto-atendimento do hospital.


Segundo ela, como procurou atendimento rápido, foi possível recolocar o testículo no lugar e já fixá-lo para evitar uma nova torção. A mãe relata que nunca tinha ouvido falar que isso poderia acontecer dormindo.


Roni Fernandes, da SBU, lembra que a torção pode ocorrer também durante a ejaculação porque o músculo se movimenta. "Mas pode acontecer em várias circunstâncias. Por exemplo, o menino tá com os amigos e pula numa piscina gelada. Se o testículo não estiver bem fixado, pode torcer."


Outro grande entrave que impede a cirurgia a tempo de salvar o testículo torcido é a demora de acesso aos hospitais públicos. O paciente precisa procurar uma unidade de saúde, que vai acionar o sistema de regulação de leitos, que buscará na rede um local com capacidade cirúrgica. Em geral, isso demora mais de 20 horas.


"Às vezes, alguns serviços ainda acabam transferindo o paciente para outros locais onde têm urologistas, o que atrasa ainda mais a cirurgia. Não tem necessidade disso, um cirurgião-geral pode abordar o caso", afirma Broglio.


Na opinião de Roni Fernandes, embora seja uma cirurgia de baixa complexidade, que pode ser feita em qualquer hospital, é preciso que os pacientes, os pais, o sistema de regulação e os hospitais entendam a urgência do caso. "Tem passar na frente até de uma apendicite."


Ele afirma que em 60% dos casos essa malformação do testículo é bilateral. Ou seja, quando um testículo torce e é operado, o outro testículo saudável também precisa ser fixado preventivamente para que não torça no futuro. "Já recebemos dois pacientes em que isso não foi feito e eles perderam o segundo também."


Mesmo com um testículo, o homem preserva a fertilidade e a produção hormonal, mas, se perde os dois, fica infértil e sem os hormônios masculinos, o que o levará à perda de massa muscular, óssea e prejuízo no desempenho sexual.


"A consequência mais grave é a estética, isso pesa bastante na autoestima dos homens. Infelizmente o SUS não oferece prótese de testículos. Só os pacientes conveniados e particulares é que têm essa benesse", diz Sylvio Ávila, do Hospital Pequeno Príncipe.

Publicidade

Últimas notícias

Publicidade