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Profissão: Jornalista

08 fev 2017 às 10:10
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Desculpem-me os caros leitores e as ilustríssimas leitoras que são professores, engenheiros, médicos, feirantes, enfermeiros, carpinteiros, pedreiros, eletricistas, estudantes, advogados, deputados, senadores, réus da Lava Jato, juízes, aprendizes, árbitros de futebol, atletas, mecânicos, administradores, escritores, delatores, detratores, doleiros, padres, pastores, padeiros, armadores, agricultores, militares, policiais, vereadores, promotores, empresários, técnicos das mais diversas áreas, galera da TI, presidente da República e demais profissionais que não citei porque sou esquecido; mas ser Jornalista é a profissão mais sofrida do mundo.

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Duvida? Explico. E nem vou falar dos colegas que são escalados para cobrir guerras. Nem do pessoal que faz jornalismo investigativo, descobre crimes de agentes públicos, denuncia, é ameaçado de morte, tem que passar um tempo exilado e, pouco depois, é demitido, como aconteceu com James Alberti, da RPC. Esses já são os piores níveis da profissão.

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Falo mesmo dos milhares de homens e mulheres que militam nas redações cobrindo o dia a dia da cidade onde vivem, nas mais diversas editorias. Primeiro que, todos, têm que aguentar as piadinhas do pessoal que faz questão de lembrar a todo instante que nem diploma é necessário para ser jornalista.


Mas, além disso, há um top cinco dos piores atentados que são cometidos diariamente contra jornalistas. Vamos a eles:


1) Isso acontece muito com quem trabalha com textos, em impressos ou na Internet. Você entrevista o cara, faz dezenas de perguntas baseadas em uma pesquisa prévia que fizera, anota tudo, grava e, ao final, ouvirá ele dizer: "antes de publicar você não manda o texto para eu dar uma revisada?"

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2) Esta é a pior aflição dos repórteres fotográficos. Eles estudam enquadramento, têm que controlar a velocidade de abertura do diafragma, a quantidade de luz, saber como transformar uma imagem em complemento da notícia ou na própria notícia, além do talento que cada um possui, é claro. Mas, quando fazem uma baita foto, costumam ouvir: "também, com esta máquina até eu!"


3) Esta pega geral, independentemente da mídia. Você entrevista o cidadão sobre um tema trivial, tipo infestação de dengue em um bairro da cidade. O sujeito dá um bom depoimento, reclama daqueles que não cuidam dos quintais; da Prefeitura, que deixa formar imensos matagais em terrenos públicos, e mostra o próprio quintal, que é um brinco de tão limpo. Era tudo o que você precisava para fechar a matéria. Mas quando você já está no carro, ligando o motor para ir embora, o vê voltando desesperado e escuta as temidas palavras: "não quero mais que a minha entrevista seja usada. Minha mulher falou que pode me dar problema."


4) Gente que não entende que jornal vai para a rua todo dia, que a Internet se atualiza a toda hora, que o rádio é instantâneo e que a televisão exibe dois, três, às vezes quatro telejornais em um período de 24 horas. Isto acontece sempre. Você liga para o cidadão pedindo entrevista sobre o tema do momento. Ele pede para você retornar na semana que vem. Aí você explica que é urgente, que fechará a matéria ainda hoje e ouvirá uma clássica: "vocês sempre ligam em cima da hora."


5) O salário dos jornalistas. É ínfimo.


A crônica acima é integrante da coletânea "Notícias Incomuns: e outras crônicas escolhidas", livro de autoria deste repórter. Custa entre R$ 10,00 e R$ 15,00 e está à venda nas Livrarias Curitiba (Shopping Catuaí); Livraria da Sílvia (Rua Belo Horizonte, 900); Banca Rodeio (Calçadão, ao lado do Restaurante Rodeio), Banca do Tito (Centro Comercial da Rua Piauí) e Banca Goiás (Rua Goiás com Pernambuco).


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