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Sou refém do Rodrigo Birrento

09 mai 2017 às 08:19
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Crônica

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Minha filha, a Maria Eduarda, tem três anos. É linda. A cara da mãe. Felizmente a natureza negou a ela as características genéticas da minha beleza.

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A Duda é inteligente. Às vezes penso que até demais para a idade que tem. É capaz de desbloquear um aparelho de telefone celular, ir ao YouTube e encontrar os desenhos da Peppa Pig, sozinha, com dedos ágeis no touch screen.


Quando eu tinha a idade dela, dispunha apenas de uma TV com imagens em preto e branco, que transmitia a programação de quatro canais. Sem controle remoto, é claro. Meu programa predileto era o do palhaço Bozo. Mas isso é passado.


O fato é que a Maria Eduarda pertence a esta geração on-line, porém o que mais lhe agrada são coisas do tempo dos avós dela. Troca qualquer vídeo por uma historinha bem contada oralmente, sem nenhum recurso visual.

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Ainda não há tecnologia capaz de substituir a imaginação e, muito menos, o calor humano da presença do pai, da mãe ou de qualquer adulto amoroso.


Dias atrás, quando ela pegou ao mesmo tempo gripe e conjuntivite, teve que tomar vários remédios e, o pior de tudo, pingar "corílio", como a própria diz. Para isso, fazia uma certa manha, quase uma birra. Foi aí que tive a infeliz ideia de criar um personagem, o Rodrigo Birrento, um menino que faz birra para tudo. Com as histórias dele, eu a convencia a não ser uma menina birrenta.


O problema é que agora ela quer que eu conte causos desse personagem a todo momento. Não quer mais saber das aventuras do Gato Xadrez, nem da Chapeuzinho Vermelho, nem da Barbie, tampouco dos Três Porquinhos. Minha criatividade chegou ao limite para criar novas aventuras do menino que faz birra para tudo. Até a minha mulher diz que já não aguenta mais.


E o pior é que a Duda se recusa a dormir enquanto não conto nada do Birrento. Ontem, cheguei ao cúmulo de misturar em uma só aventura a Branca de Neve, o Lobo Mau e a Dora Aventureira. Mas não colou. Ela só pregou os olhos depois que relatei as birras que o Rodrigo faz antes de dormir.


Detalhe: ela gosta de ser personagem ativa da história. Invariavelmente as birras do Rodrigo se resolvem depois que o pai dele, o Tião, telefona para a Maria Eduarda e pede a ela que explique ao menino que fazer birra não é legal.


Estou pensando até em lançar um livro infantil com as aventuras desse personagem. Agora tenho que dar um ponto final a esta crônica. A Maria Eduarda está quase me derrubando da cadeira. Quer que eu conte uma história. E tem que ser do Rodrigo Birrento.

A crônica acima é integrante da coletânea "Notícias Incomuns: e outras crônicas escolhidas", livro de autoria deste repórter. Custa entre R$ 10,00 e R$ 15,00 e está à venda nas Livrarias Curitiba (Shopping Catuaí); Livraria da Sílvia (Rua Belo Horizonte, 900); Banca Rodeio (Calçadão, ao lado do Restaurante Rodeio), Banca do Tito (Centro Comercial da Rua Piauí) e Banca Goiás (Rua Goiás com Pernambuco).


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