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Jaques Selosse

12 jan 2017 às 01:36
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Conhecer o trabalho de Jaques Selosse, este icônico produtor, é algo que uma pessoa deve agradecer. E eu o faço com orgulho, numa degustação que participei em Paris. Entre tantas provas, essa foi absoluta, pois nenhuma revelou tal exuberância.
Jacques Selosse iniciou sua história produzindo uvas, e vendendo às cooperativas nos anos 50. Mais tarde produziu seu próprio vinho, em 1960, lançando no mercado sua primeira champanhe. Ele já tinha marcado seu legado, reconhecido por ser um artesão do vinho que confeccionava, em Avize (pequeno vilarejo na região ), região de Champagne. Suas áreas são de aproximadamente 15 hectares.
O produtor deixou para seu filho Anselme, a partir de 1985, o comando da vinícola, e este fez uma revolução: Anselme estudou no Liceu de vitivinicultura de Beaune, em Borgonha, e de lá teve sua influência, produzindo enormes vinhos brancos para base das grandes champanhes que ele produz hoje.
Foi pioneiro da fermentação na madeira (carvalho) entre a primeira e a malolática. Também inovou com assemblages do sistema solera (originário do sul da Espanha). Em 1994, Anselme já havia ganhado prêmios, como o melhor vinicultor da França pelo Guia Gault Millau. Hoje é intitulado como o produtor mais original de toda a França.
A cada década ou duas, um vinicultor chega revolucionando o setor com a força de suas ideias, e o brilho de seu trabalho, tendo o poder de mudar o curso da história do vinho.
Anselme Selosse é, sem dúvidas, diferente, irreverente. Talvez poderia dizer que é responsável pela revolução que tenha direcionado a champanhe para uma outra categoria. É um ícone regional, comparado à Marcel Guigal, no norte de Rhone, e Jean François Coche, na Borgonha.
No que se refere à champanhe, Selosse está entre os mais conceituados, se não o mais icônico na atualidade. Entre inúmeros artistas, ele se sobressai. Sua influência pesa sobre uma geração contemporânea que desponta na região. O mundo todo conhece a Champagne dado ao marketing das grandes "maisons", mas estes novos artistas da região estão fazendo algo inusitado, realmente inovando com seus conceitos de vanguarda, e sobretudo, revolucionando.
Na razão, seu pai, Jaques, buscava uma bebida que remetia a frutas, mas Anselme busca muito mais, influenciado pela escola de Beaune e pelo conceito da biodinâmica (abandono total ao uso de agroquímicos e respeito ao ensinamento da natureza). Observamos isso na poda verde, em extrema baixa produção, e na colheita. Se arrisca como poucos, na busca da maturação perfeita. No terroir, ele também segue os preceitos da natureza.
O terroir nas imediações de Avize possibilita particularidades únicas, um diferencial na região. Assim, transforma seu método produtivo, abandona também qualquer intervenção, e utiliza enzimas indigenas (leveduras promotoras de fermentação) e vai além. Coloca seu vinho inicial para fermentar na madeira, e lá o deixa por longo tempo, mas sem necessidade da fermentação malolática, repousando nos resíduos das leveduras transformadas ao longo do tempo.
Anselme comenta: " - Champanhe de qualidade não precisa de intervenção, e a dosagem (para a segunda fermentação) é residual.".
Após algumas safras, inicia a surpresa. Os consumidores provam e se deleitam, com tamanha maestria. Dai em diante a coisa não para. Em participações de exposições e eventos, seu estande era o mais procurado, sempre cheio de entusiastas, que não abrem mão da alta qualidade.
Vinhos: a mais pura expressão do terroir é a famosa "substance", produzida no sistema solera iniciado em 1986, (consiste numa assemblage de mais de 20 tipos de vinhos diferentes);sempre focado no vinho produzido por ele próprio na região de Avize, permitindo a demonstração do terroir em cada garrafa.
A Vintage Milésime (champanhe safrado) é justamente o contrário pela finesse de um vinhedo parcelário. É capaz de expressar, talvez mais do que qualquer outro vinho na região da Champagne, o caráter daquela safra específica.
Initial (Brut) tem um mix de três safras diferentes da Chardonnay, original de três vilarejos: Avize, Oger e Cramant.
Original: feito de um "blend" das mais antigas safras daquele vinho, que repousou nos mais finos resíduos de leveduras por longo tempo. Permite a percepção do terroir das mais altas colinas na região.
Contraste: um "Blanc de Noirs" feito 100% de Pinot Noi, de um único vinhedo parcelário, na Cote Faron, região de Aÿ,pelo sistema solera. Marca drasticamente um vinho único, sem precedentes.Tais vinhos fazem esse artista se tornar quase imortal.


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