Londrina

Conheça a multa moral, motivo de constrangimento para motoristas em Londrina

30 nov 2015 às 18:02

A empresária Michelle Santos tem uma filha com paralisia cerebral e sabe o quão importante é ter por perto uma vaga de estacionamento para pessoas com deficiência. O problema, conforme ela, é que muitos motoristas não respeitam a preferência, e estacionam sem pudor e irregularmente nos espaços reservados. "Atualmente, a gente vive a cultura da vantagem. É por isso que o uso dessas vagas é indiscriminado. Quem estaciona ali não pensa nas pessoas que realmente precisam delas", argumentou em entrevista ao Bonde nesta segunda-feira (30).

Cansada de passar dificuldades por conta de motoristas mal-intencionados, a empresária 'importou' para Londrina, no mês passado, a campanha Multa Moral, do site Acessibilidade na Prática, do Mato Grosso do Sul (MS). Composta pela distribuição de boletos de infrações simbólicas, a iniciativa tem a intenção de constranger os motoristas que se aproveitam das vagas reservadas - tanto para pessoas com deficiência como para idosos - para tirar algum tipo de vantagem. "Quem presenciar o estacionamento irregular poderá 'emitir' a multa moral e colocar o panfleto no para-brisa do veículo, conscientizando o motorista que recebeu a infração e as pessoas que presenciarem o fato", explicou Michelle.


A empresária confessou que já havia estacionado em uma vaga para pessoas com deficiência antes de ser mãe. "Todo mundo erra, mas nunca é tarde para aprender. Agora, com a Valentina, vi a importância desse espaço reservado para pessoas que precisam descarregar uma cadeira de rodas, por exemplo, em pleno centro da cidade. Só estaciono nas vagas quando estou com ela, por que sei que se utilizar dos espaços indiscriminadamente, vou estar tirando a oportunidade de pessoas que realmente precisam", destacou.


Michelle recebeu cerca de 300 blocos com 30 multas cada no início deste mês. Todos os panfletos já foram entregues para amigos, familiares e simpatizantes da causa. Ela pretende pedir mais infrações até o final do ano, e encaminhá-las para instituições voltadas para os direitos da pessoa com deficiência, como a Apae e o Instituto Londrinense de Educação para Crianças Excepcionais (Ilece). A mulher também tem a intenção de apresentar a campanha ao poder público.


Na última semana, Michelle acompanhou uma equipe de reportagem pelas ruas e avenidas da cidade, e emitiu cerca de 15 multas morais em menos de 20 minutos. "Consegui flagrar irregularidades principalmente nos estacionamentos de bancos, onde motoristas param nas vagas reservadas para aproveitarem a proximidade delas da entrada das agências", disse. A empresária também citou uma situação registrada no estacionamento de um supermercado da rua Quintino Bocaiúva (centro): "Precisei ir até o estabelecimento na sexta-feira com a minha filha, e tive que parar longe da entrada, já que uma das vagas reservadas estava ocupada por um carro que não tinha autorização e a outra estava sendo bloqueada por andaimes".

Na avaliação da empresária, as pessoas só param nas vagas para pessoas com deficiência ou idoso por que sabem que não há fiscalização. "Não tem e quando tem a punição é pequena na carteira e de apenas 50 e poucos reais no bolso. Desse jeito, vale a pena tirar vantagem", lamentou.


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