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TCE-PR identifica irregularidades em repasses de R$ 50 milhões

Redação Bonde com TCE-PR
23 jan 2014 às 16:10

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Levantamento do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) aponta irregularidades na aplicação de aproximadamente um terço dos repasses de dinheiro público a entidades do terceiro setor. No ano de 2013, a Diretoria de Análise de Transferências (DAT) do Tribunal realizou 23 procedimentos de fiscalização, como auditorias e inspeções, em repasses do Estado e de municípios paranaenses a ONGs (Organizações Não-Governamentais), Oscips (Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público) e OS (Organizações Sociais).

O dinheiro repassado nos convênios, auxílios e subvenções que mereceram fiscalizações in loco no ano passado soma, aproximadamente, R$ 180 milhões. Desse montante, os técnicos do TCE apontaram irregularidades na aplicação de R$ 51,5 milhões – volume equivalente a 28,5% do total. "Com essas fiscalizações, o Tribunal de Contas cumpre seu papel de zelar pela correta aplicação do dinheiro público", destaca o presidente, conselheiro Artagão de Mattos Leão.

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Segundo a diretora de Análise de Transferências do TCE, Sandra Maritza Becher de Oliveira, a implantação do Sistema Integrado de Transferências (SIT) possibilitou ao Tribunal a identificação prévia de indícios de irregularidades nos repasses. "Com base nessas informações, conseguimos planejar melhor nossos procedimentos de fiscalização a partir de três critérios: materialidade, relevância e riscos", afirma a diretora.


Em vigor desde 1º de janeiro de 2012, o SIT é um sistema informatizado desenvolvido pela DAT e a Diretoria de Tecnologia da Informação (DTI) do TCE para melhorar a fiscalização das transferências de recursos a programas e projetos de interesse público desenvolvidos por entidades privadas. Ele amplia a responsabilidade tanto do repassador quanto do tomador do recurso em relação à correta aplicação do dinheiro.


O TCE fiscaliza, atualmente, cerca de 4.000 entidades do terceiro setor. Em 2013, o volume estimado de repasses por meio de transferência voluntárias – a essas entidades e também do Estado aos municípios – atingiu aproximadamente R$ 1 bilhão.


Terceirização irregular


Os repasses alvo de fiscalização in loco do TCE em 2013 se referem, principalmente, a convênios em áreas como saúde, atendimento a crianças em situação de risco, fomento à cultura e à tecnologia e projetos de apoio a beneficiados pela reforma agrária. "O maior volume das transferências se refere à saúde", informa o gerente de Fiscalização da DAT, Rafael Morais Gonçalves Ayres.


Segundo ele, a contratação de entidades para atendimento na área da saúde muitas vezes é utilizada, especialmente pelos municípios, como forma de terceirização irregular de um serviço que deveria ser prestado, diretamente, pelo poder público. "Isso caracteriza burla às normas do concurso público e às regras de gastos com pessoal impostas pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF)", explica Ayres.


Outras irregularidades verificadas na fiscalização são a ausência de prestação de contas – tanto para o repassador do recurso quanto para o TCE – e a utilização de contrato simples entre o órgão público e a entidade beneficiada, quando os instrumentos indicados seriam o contrato de gestão e o termo de parceria, que possuem mecanismos de transparência mais elaborados.

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Os relatórios dos procedimentos de fiscalização realizados em 2013 foram transformados em processo, atualmente em trâmite no Tribunal. Eles serão levados a julgamento após a apresentação de defesa por parte dos gestores.


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