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- Divulgação/Polícia Militar
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Família aguarda há cinco meses resultado de DNA para identificar corpo no IML

Vítor Ogawa - Grupo Folha
19 mai 2022 às 14:03
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O que você faria se um parente seu estivesse desaparecido e houvesse a suspeita de que um corpo encontrado fosse o dele, mas que o exame de DNA, realizado em dezembro do ano passado, ainda não tivesse o resultado divulgado pela Polícia Científica? Caso a confirmação viesse, a família enfim poderia sepultar o corpo da pessoa. No entanto, sem o resultado em mãos, resta a angústia de não ter um desfecho na história. Enquanto isso, os restos mortais encontrados no rio Congonhas, em Cornélio Procópio, permanecem em uma gaveta do IML (Instituto Médico Legal), em Londrina. 

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Segundo um parente, que pediu para que a reportagem não publicasse o seu nome, o corpo foi encontrado em estado de decomposição com marcas de tiros. O exame foi solicitado pelo delegado Luciano de Souza Purcino no dia 7 de dezembro do ano passado. A mãe da pessoa desaparecida afirma que o corpo encontrado é do filho desaparecido. Porém, só o resultado do exame pode confirmar se ela está certa ou não.

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A família questionou o IML sobre as causas da demora para a divulgação do resultado e recebeu como resposta que o corpo já estava em decomposição e que o exame não é feito em Londrina. 


Aparelho estava quebrado


A família recebeu a informação de que o equipamento que realiza o exame de DNA estava quebrado. O  presidente do Sinpoapar (Sindicato dos Peritos Oficiais e Auxiliares do Paraná), Alexandre Guilherme de Lara, confirmou que o equipamento passou por um período danificado. “Verifiquei que ele passou por um período de quebra há um ou dois meses e ficou 15 ou 20 dias parado. Ele foi consertado, mas demorou porque foi um conserto muito específico, feito por uma empresa especializada”, destacou.

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Mesmo voltando a funcionar, Alexandre de Lara explicou que o problema da Polícia Científica é crônico. “Temos  falta de gente para todo lado. Com poucas pessoas e poucos equipamentos a Polícia Científica não tem capacidade para dar vazão à demanda. Há muitos exames parados lá”, declarou. “Estamos na operação padrão, porque o governo do Estado criou uma expectativa para as carreiras da Polícia Científica e não cumpriu. O caos está ainda pior na nossa profissão. A gente não está usando insumos vencidos de forma alguma, nem com validação de procedimento”, declarou. 


Alexandre de Lara ressaltou que foram nomeados 90 servidores para a Polícia Científica recentemente, porém nenhum dele está apto a realizar exames de DNA. Foram nomeados quatro auxiliares de necropsia, 25 médicos legistas, e o restante dos 90 são peritos criminais. Ele explicou que há problemas de falta de insumos para fazer a extração de perfil genético, que são importados. “A gente teve um período que ficou com laboratório parado por falta de insumo. Durante a pandemia a gente teve outro problema, porque a Polícia Científica não parou e tivemos colegas contaminados com Covid. Tivemos  que fechar o departamento. São inúmeros problemas que vão só agravando essa situação de filas gigantescas no exame de DNA”, apontou. 


Ele afirmou que o atraso no resultado de exames não ocorre só com esse caso de Londrina. “Em Ponta Grossa houve o caso de duas moças decapitadas que o pessoal não conseguiu liberar os corpos, pois estavam em avançado estado de decomposição cadavérica. O perito não conseguiu saber a qual corpo pertencia cada uma das cabeças. Fui verificar a situação do DNA quando fizeram a solicitação para liberar os corpos dessas meninas de Ponta Grossa  e quando entrei em contato com o chefe do departamento de DNA e identifiquei que o equipamento passou por esse período de quebra.”


Além disso, ele ressaltou que há especificidades do trabalho. “O perfil genético, dependendo do tipo de amostra, há mais dificuldade de ser extraído quando está em estado de decomposição cadavérica, pois isso danifica o material genético e a amostra”, destacou.


“Caso não seja possível extrair o perfil genético seria preciso fazer novamente a extração e esse processo demora. Isso é feito somente uma vez por semana. Depois disso é feita a verificação do teste PCR, que também é feito só uma vez por semana. Se o processo for prejudicado precisa voltar ao início e refazer e nesse intervalo as filas crescem”, apontou.


Ele explicou que os peritos podem fazer até 10 extrajornadas de 6 horas. “Como foi decidido pelo sindicato que faríamos a operação padrão, a gente está recusando a extrajornada. Só estamos realizando em situações extremamente urgentes. Fora isso o pessoal não tem aceitado. Seria uma alternativa paliativa para pelo menos reduzir esse passivo. A extrajornada seria uma espécie de hora extra, mas os valores pagos pelo governo não são compatíveis com a profissão”, acrescentou.


Veja o que diz a Polícia Científica sobre o caso na FOLHA

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