Apesar do título de música ou filme romântico, esta coluna fala de algo muito mais próximo da tragédia, que é a seleção de Dunga. E o "ele" não se refere a alguém específico e sim a qualquer treinador de futebol, algo que o selecionado nacional não tem no momento. Parece que os homens que comandam a CBF - que já mostraram em várias outras oportunidades que pouco entendem de futebol - não aprenderam com a experiência negativa dos tempos de Falcão, que como técnico não chegou nem perto de seu desempenho como jogador, na hora de escolher o "líder e motivador" treinador atual.
Pois Dunga mostra-se na nova função ser ainda pior do que Falcão e, se sua equipe continuar jogando mal como está, tem tudo para se transformar em breve em um dos maiores fiascos da história da seleção. Fantoche dos dirigentes, verdadeiro porta-voz de um modelo de administração que prima pela falta de transparência e desconfianças mil, o "técnico" Dunga tenta manter a aura do "capitão" Dunga. Mas, se na época de atleta compensava sua limitações com entrega total ao longo das partidas, agora não consegue encobrir a falta de "embocadura" para o cargo. E usa e abusa do mau humor e da carranca que o caracterizou dentro de campo para justificar suas besteiras e idiossincrasias.
Adepto do maldito futebol de resultados, consagrado na Copa do Mundo de 1994 como única forma do Brasil ganhar um título, sem nenhum encanto e com um futebol burocrático semelhante ao da Itália, Dunga comete erros indesculpáveis em suas convocações, escalações e substituições. E escolheu como forma ideal para montar sua equipe - que por um mero acaso fez uma partida estupenda na final da última Copa América, talvez a única sob o atual comando técnico - a escalação de três volantes no meio-campo, mesmo com seus laterais pouco indo ao ataque.
Se erra nesta opção, o treinador mergulha na mediocridade quando seleciona seus atletas. Nada, a não ser uma eventual interferência de empresários da bola, justifica as convocações de atletas limitados ou em declínio como Gilberto, Gilberto Silva e Doni, para citar apenas três exemplos. O mesmo acontecia na grande aposta de Dunga, o desconhecido Afonso, que, curiosamente, logo após ser convocado um par de vezes trocou de clube, saindo da Holanda para o milionário futebol inglês.
Mas a incompetência de um técnico que não tem nenhuma identificação com o futebol idealizado pelo torcedor brasileiro - carente disto na seleção desde os tempos de Telê Santana - também entra em campo. Sempre alegando pouco tempo de trabalho, Dunga não consegue que sua equipe apresente uma jogada ensaiada ou treinada, dependendo exclusivamente de lampejos individuais de Robinho, Kaká (que de uma hora para outra virou um pária para a seleção), Pato ou mesmo Adriano.
O ponto mais baixo da trajetória de Dunga à frente desta equipe que pouco parece brasileira não foi a derrota para o Paraguai, que era dada como certa antes mesmo do início da partida, mas o vexame no amistoso contra a ascendente, mas ainda frágil, Venezuela. E depende de uma melhora improvável diante da Argentina, que só virá se os jogadores resolverem jogar com um mínimo de vontade, já que nem isso o técnico tem conseguido tirar de seus comandados.
O Brasil é na Holanda
Enquanto o time de Dunga naufraga por aqui, a Holanda dá show na Eurocopa, jogando como nos velhos tempos. Com jogadores sem o mesmo talento de muitos brasileiros, atuando sem posições fixas e apostando nos pontas, tido como superados pra muitos técnicos, o time de Van Basten dá uma aula do futebol total criado pelos holandeses em 1974. Talvez nem ganhe, como aconteceu tantas outras vezes, mas sem dúvida é uma prova de que ainda existe chance para o futebol bem jogado.
Sobreviventes
Se o Brasil vai mal a ponto de começar a correr riscos nas Eliminatórias Sul-Americanas (em que o Paraguai nada de braçada), Japão, Bahrein, Austrália, Coréias do Sul e Norte, Uzbequistão, Arábia Saudita e Irã já garantiram um lugar na fase semifinal do classificatório asiático. Os Emirados Árabes Unidos também estão muito perto de se garantir, enquanto Iraque e Catar disputam a vaga restante.
Na Concacaf, Estados Unidos, Canadá, Guatemala, Jamaica e México abriram boa vantagem nos jogos de ida da fase de mata-mata e devem se unir à já classificada Honduras. Outras seis vagas na próxima fase seguem em aberto. E na África, onde a África do Sul de Joel Santana perdeu duas das três partidas (que para ela valem apenas pela copa continental já que a vaga na Copa do Mundo é certa por ser anfitriã), a grande surpresa é a Ruanda, que lidera com folga uma das 12 chaves da 2ª fase, e praticamente garantiu um dos 20 passaportes para a etapa decisiva. Nigéria, Burkina Faso, Camarões, Cabo Verde, Quênia, Gana, Líbia, Marrocos e Tunísia também estão perto da classificação, mesmo faltando um turno inteiro a ser disputado. E na Oceania, tudo caminha para uma decisão entre Nova Zelândia e Nova Caledônia, com o vencedor lutando contra a 5ª melhor seleção asiática por uma vaga na Copa do Mundo.
Nota 10
Para a Seleção Paraguaia do "gordo" Cabañas, que fez estrago no time de Dunga.
Nota 0
Para Dunga, seus chefes e seus comandados, que tornaram os jogos do Brasil em algo enfadonho, quase horripilante.