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O mineiro que vem da Finlândia

23 out 2007 às 11:00
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Seguindo à risca o que fez Alain Prost em Adelaide, em 1986, Kimi Raikkonen pulou do terceiro para o primeiro lugar na última prova da temporada e conquistou seu primeiro título mundial de Fórmula 1. Comendo pelas beiradas, no mais típico estilo mineiro, o ``homem de gelo´´ fez um final de campeonato excepcional, venceu três das quatro últimas provas e tornou-se o terceiro finlandês a ganhar o mais cobiçado campeonato automobilístico.

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Contando com uma grande dose da sorte que sempre lhe faltou, Raikkonen viu o garoto-prodígio Lewis Hamilton errar nas duas etapas finais, jogando por terra uma conquista que parecia certa. O queridinho da categoria fez uma temporada brilhante, com momentos bestiais, mas terminou o ano com erros bestas. Primeiro, ao se manter na pista com pneus desgastados na China, brigando desnecessariamente por posições, e acabando atolado na brita da entrada dos boxes. E mais ainda em Interlagos, inicialmente ao disputar com unhas e dentes pelo terceiro lugar, com o arqui-rival Fernando Alonso, quando caiu para oitavo, e depois ao engatar acidentalmente o ponto-morto de seu câmbio, perdendo um tempo precioso até reiniciar o sistema eletrônico que comanda as trocas de marcha. As besteiras de Hamilton podem ser atribuídas ao noviciado, mas a burrada da McLaren ao mudar a estratégia da corrida, com uma parada extra nos boxes é daquelas que vão ficar marcadas na história.

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O mais curioso é que Hamilton, apesar de ser mais talentoso, encarnou ao longo da temporada o papel que Nigel Mansell viveu 21 anos atrás. Protegido pela escuderia, mesmo tendo como companheiro um bicampeão mundial, alternando provas geniais com outras absolutamente comuns, o inglesinho tinha tudo para chegar ao título, mas não chegou. E com Mansell aconteceu quase o mesmo: também por erros somados de piloto e equipe, que resultaram no ruidoso estouro de um pneu, o título acabou no colo do azarão.


Alonso desta vez foi o Piquet. Passou o ano reclamando que Hamilton copiava seus acertos e tentou esconde-los o quanto pode - exatamente o que fazia o brasileiro. Para completar, chegou na corrida final em desvantagem e nada pode fazer para mudar a história que se desenhou diante de seus olhos. Por alguns momentos, tanto Piquet como Alonso chegaram a estar com a mão no título, mas o trabalho dos boxes mudou tudo. Para o brasileiro devido à necessidade de fazer uma troca de pneus, para o espanhol, pela inversão das posições dos pilotos ferraristas na segunda parada.

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Já a Raikkonen coube o melhor papel, o do sortudo Prost. Que venceu em 86 apesar dos prognósticos contrários, contando com erros do rival inglês e vantagens na estratégia sobre o outro concorrente. Exatamente o mesmo que aconteceu com Kimi, que teve como mérito não desistir nunca. Entre as várias semelhanças entre as duas conquistas, está também a mudança do estigma, já que à época Prost não era conhecido por sua proverbial sorte, que se firmou ao longo dos anos. O francês já havia sido duas vezes vice, como Raikkonen, mesmo tendo o melhor carro, mas vinha de um título no ano anterior. Resta ver se de agora em diante o finlandês terá o mesmo sucesso de seu legítimo antecessor.


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No Campeonato Brasileiro, o Paraná, cada vez mais próximo do rebaixamento tenta seguir os passos de Raikkonen, para evitar o pior. O Coritiba, por sua vez, quer evitar o que aconteceu com Hamilton, para confirmar o retorno à Série A. E o Atlético está mais para Felipe Massa, buscando uma vitória aqui e outra ali, mas sem maiores planos para a temporada.


Nota 10


Para Raikkonen, Massa e Ferrari, pela virada histórica em Interlagos.


Nota 0

Para Hamilton e McLaren, que perderam um título ganho. Um merecido castigo para o rumoroso caso da espionagem industrial.


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