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Festa armada na pátria amada

31 out 2007 às 11:00
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A Copa do Mundo enfim volta ao Brasil. Mas, em meio às comemorações tão irreais vinda "das ruas", talvez este não seja um motivo para grandes comemorações. Lógico que ver de perto um dos dois maiores eventos esportivos mundiais, ao lado dos Jogos Olímpicos, é motivo de alegria e expectativa. O problema é o custo provável para que isto aconteça.

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Se tomarmos os Jogos Pan-Americanos como exemplo, é muito provável que tenhamos atrasos na execução das principais obras, superfaturamento absurdo dos gastos, especialmente os públicos, e, como legado, alguns elefantes brancos. Se em 1950, quando a organização da Copa passava basicamente pela construção do Maracanã para ser levada a cabo, as obras seguiam em ritmo acelerado enquanto a bola já rolava no gramado. E nada indica que desta vez será diferente.

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Não porque a engenharia e a construção civil brasileira seja incapaz de realizar cada um dos ousados, em certos casos até exagerados, projetos de construção ou remodelação dos estádios Brasil afora. Mas porque as interferências políticas e o controle absoluto do planejamento nas mãos da CBF conspiram contra qualquer celeridade no processo. Antes mesmo do anúncio oficial, a senadora Ideli Salvati já bombardeava a confederação e até mesmo a FIFA, exigindo que a "sua" Florianópolis fosse escolhida como uma das dez ou 12 sedes do Mundial. Sem falar da comitiva governamental que representou o país na cerimônia da "escolha" do país-sede, composta pelo presidente Lula, três ministros e 12 governadores, que não devem ter mesmo muitos problemas a resolver por aqui. Ao menos é o que se conclui da análise dos planos de metas e encargos apresentados à FIFA. Nesta bela obra de ficção, foram sumariamente extintos os problemas de violência urbana e nos estádios, o apagão aéreo, a má conservação rodoviária e a péssima infra-estrutura dos centros urbanos.


Se a federação internacional fosse minimamente séria, bastaria a ela abrir os sites de notícias dos principais jornais brasileiros para conhecer a realidade brasileira. Nelas estariam as enchentes em São Paulo, o caos no Rio de Janeiro pelo fechamento de um único corredor viário - ou pela guerra civil no complexo do Alemão -, os problemas da saúde pública ou os atrasos nos vôos ao redor do país. Mas, por interesses muitas vezes irreveláveis, os dirigentes preferem ignorar solenemente estas "bobagens", apostando na alegria do povo brasileiro para resolver todos os problemas.

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É possível sim o Brasil realizar a Copa e resolver até lá todos os problemas de infra-estrutura (que tem que acabara independentemente do Mundial), mas desde que exista um controle rígido dos gastos, principalmente o do dinheiro de todos os cidadãos. Até para que não se repitam os absurdos ocorridos no Pan, competição em que os organizadores não conseguiram construir um simples campo de beisebol, algo que qualquer associação nipo-brasileira faz com os pés nas costas. Pena que isto seja absolutamente improvável.


Por aqui


Mais do que a decisão final da sede da Copa-2014, o que empolga o torcedor é a reta final do Brasileiro. Contra qualquer argumento dos críticos dos pontos corridos, praticamente todas as equipes seguem lutando por algum objetivo, da Libertadores à permanência na 1ª divisão. E é a alternância de bons e maus momentos que tornam a competição ainda mais interessante com as animadas ascenções de Flamengo e Palmeiras contrapondo-se à queda de rendimento do Botafogo - time que apresentou o futebol mais bonito no início da temporada - e do Vasco, sem contar a luta desesperada de Corinthians, Goiás, Paraná, Atlético Mineiro e dos pernambucanos Náutico e Sport. O resultado são estádios lotados e muita emoção à cada rodada. Mas, como o campeonato começa a ficar bom, a Vênus Platinada e o Clube dos 13 já estudam o fim dos pontos corridos, o que seria uma lástima.


Copa-2010


Enquanto a Copa não chega ao Brasil, as seleções duelam por um lugar ao sol na África do sul, em 2010. Fechando outubro, terminou a 1ª fase asiática, com a eliminação de 17 equipes. Além de Macau, que já havia caído, os amantes do bom futebol perderam a chance de ver nos gramados africanos as equipes de Afeganistão, Bangladesh, Camboja, Índia, Malásia, Maldivas, Mianmar, Mongólia, Nepal, Palestina, Paquistão, Quirguistão, Sri Lanka, Taiwan, Timor-Leste e Vietnã.


Em novembro, confrontos de ida-e-volta entre Iêmen e Tailândia, Indonésia e Síria, Cingapura e Tadjiquistão, Honk-Kong e Turcomenistão eliminarão mais quatro seleções. Na África, sairão mais três eliminadas dos duelos entre Madagascar e Comores; Serra Leoa e Guiné-Bissau; e Djibouti e Somália. Que, somadas as 28 eliminadas ou desistentes anteriormente, deixarão à disputa pelas 31 vagas limitada a apenas 167 nações.


Nota 10


Para o regulamento por pontos corridos, em turno e returno, que permite tanta emoção e expectativa no final do Campeonato Brasileiro.


Nota 0

Para o "trem da alegria" governamental, com direito a personalidades como Paulo Coelho, presente ao evento em que a Fifa anunciou, por W.O. a vitória brasileira na disputa pela sede da Copa de 2014.


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