O eterno Nelson Rodrigues disse certa vez que "o Fla-Flu começou 40 minutos antes do nada". Sentença definitiva para sintetizar a importância das rivalidades regionais no futebol ao redor do mundo. O que não é diferente no Brasil, onde alguns dos principais campeonatos estaduais serão finalizados com clássicos de arrepiar. Já em outros, o charme da decisão está nos duelos entre clubes da capital, normalmente mais estruturados e endinheirados, contra a força do interior.
Dentre os clássicos decisivos está o Atletiba, o que promete dois domingos de gala para o futebol paranaense. Confronto decisivo que aconteceu pela última vez em 2005, ano que marcou a derrocada do Coxa, rebaixado para a Série B do Brasileiro e sem força para chegar às finais regionais. Curiosamente, o Furacão também não teve competência suficiente para chegar à decisão do Paranaense nos dois anos em que seu maior rival andou por baixo, abrindo espaço para duas finais entre Paraná e um clube do interior (Adap em 2006 e Paranavaí em 2007).
Mas isto agora é passado e o Coritiba, embalado pelo retorno à divisão principal do Brasileirão, está na briga pelo título, talvez até com um leve favoritismo pelas duas boas apresentações nas semifinais, quando superou com tranqüilidade o Tricolor. Já o Atlético, que torce pela burocracia dos tribunais para poder escalar Marcelo Ramos, passou certo sufoco contra o surpreendente Toledo. Denunciado por agressão, o atacante pode pegar um longo e merecido gancho porque atos de violência devem ser condenados com rigor, para evitar que se repitam.
Resta esperar a bola rolar para ver se Keirrison confirma a boa fase - marcou cinco gols nas últimas três partidas - ou se a bem armada defesa atleticana leva a melhor.
Brasil afora
Outros dois clássicos decisivos que agitam a torcida são entre Flamengo e Botafogo, na reedição do "jogo do chororó", e Cruzeiro e Atlético Mineiro, em que a Raposa tenta estragar a festa pelo centenário do Galo. Imperdíveis.
Já no Rio Grande do Sul, em São Paulo e em Santa Catarina o não menos tradicional duelo interior x capital dá a tônica. No Gaúchão, o Juventude tenta confirmar o papel de "asa negra" do poderoso Internacional, que pode chegar à decisão abalado pela provável eliminação na Copa do Brasil, em que perdeu o jogo de ida para o Paraná por 2 a 0.
No Paulista, a Ponte Preta tenta encerrar seu jejum histórico - nunca conquistou título de 1ª divisão - e ir além dos vice-campeonatos estaduais conquistados em quatro oportunidades. E tem pela frente o ressurgido Palmeiras, que soube usar bem o dinheiro da Traffic e é favorito destacado.
Em Santa Catarina, Criciúma e Figueirense fazem duelo equilibrado em um estado onde o predomínio dos times da capital é significativamente menor do que o habitual. Quem viver verá.
Carros de sonho
A GT3 Brasil, que abriu a temporada 2008 em Curitiba, tem tudo para se tornar em breve a mais popular categoria automobilística do Brasil. Ao contrário das ridículas bolhas da Stock Car, montadas sobre um chassi tubular bastante antiquado, a GT3 reúne carros que povoam os sonhos de qualquer apreciador do automobilismo. Pena que a falta de divulgação tenha deixado as arquibancadas vazias, o que pode melhorar quando a categoria vier novamente ao Paraná, em novembro.
Quem deixou de ir ao autódromo perdeu a chance de ver de perto o fantástico Ford GT, que massacrou a concorrência, composta pelos não menos fabulosos Lamborghini Gallardo, Ferrari 430, Dodge Viper e Porsche 911. E a partir da próxima etapa a categoria deve receber o reforço dos irmãos Emerson e Wilson Fittipaldi, e de Nelson Piquet (o pai). Será ainda mais imperdível. Para melhorar ainda mais, seria legal criar uma espécie de GT4, com a participação de carros menos potentes, como preliminar da prova principal.
Nota 10
Para a GT3 Brasil, que trouxe para o país corridas de verdade e não arremedos de competição ao estilo Nascar.
Nota 0
Para o "misterioso" gás tóxico lançado no vestiário do São Paulo no jogo contra o Palmeiras, no Palestra Itália. Um vexame descabido para um país que se acha moderno o suficiente para receber a Copa do Mundo. O que é outro escândalo.