Ameaçados pelo rebaixamento para as Séries B e C, respectivamente, Atlético e Paraná vivem momentos decisivos para seus futuros no Brasileirão. Vítimas do péssimo planejamento de suas diretorias para a temporada, os dois clubes sofrem especialmente com a indefinição de um time base e com o excessivo número de mudanças em suas comissões técnicas e jogadores. O Tricolor já foi comandado por três técnicos diferentes, que escalaram um total de 48 atletas. Já o Furacão teve cinco treinadores (um deles interino) e utilizou 41 jogadores ao longo da competição. Números que normalmente caracterizam equipes que caem de divisão.
Apesar disso, parece que as correções nos rumos foram efetuadas a tempo e as duas equipes, agora sob o comando de Paulo Comelli e Geninho têm boas chances de escapar da queda no final do ano. Mas para isso precisam vencer todos os jogos como mandantes e ainda beliscar um ou outro ponto fora de casa.
Situação muito mais agradável vive o Coritiba, que após a vitória sobre o Fluminense, no Maracanã, voltou a sonhar com uma vaga na Libertadores do ano que vem, o que seria o supra-sumo das comemorações do centenário do clube. Terminar no G4 é algo pouco provável, já que seria necessário superar ao menos quatro fortes concorrentes (Flamengo, Botafogo, São Paulo e Vitória hoje o separam de seu maior objetivo).
Em busca dos velhos tempos
A Stock Car, que iniciou sua fase decisiva em Curitiba, precisa urgentemente se voltar a seu passado para voltar a ser uma categoria interessante. Apesar de ser hoje, ao lado da F-Truck, uma das duas únicas competições automobilísticas capaz de encher as arquibancadas dos autódromos, a Stock nem de longe proporciona o espetáculo que seus organizadores deixam transparecer.
Seguindo à risca os caminhos da Nascar, com suas banheiras tubulares cobertas por bolhas plásticas, a categoria acabou esbarrando em um problema que os norte-americanos não enfrentam (apenas porque a maioria das provas acontece em circuitos ovais), a falta de ultrapassagens. Grandes, largos e pesados, os atuais carros da Stock quase não permitem ultrapassagens, algo muito comum nos tempos dos antigos Opalas e Ômegas, estes sim verdadeiros ''carros de estoque''.
Assim, normalmente as provas são verdadeiras procissões, com aqueles que largam na frente mantendo-se até o final. As únicas alterações ocorrem mesmo nas paradas obrigatórias para reabastecimento, que foram instituídas apenas com este propósito, já que os tanques de combustível tem capacidade suficiente para levar os carros até o final de cada corrida.
Para piorar o quadro, a definição do último classificado para a fase final só veio no tapetão, já que o resultado da 2ª etapa, disputada em Brasília, ficou sub-júdice ao longo de quase todo o ano e só foi definido às vésperas do início da fase final. E como a decisão final foi de cassar os pontos que Luciano Burti conquistou no DF, por cruzar de forma indevida a faixa que separa a entrada dos boxes da pista, foi Popó Bueno que ficou com a última vaga - curiosamente, o imbróglio envolveu dois pilotos direta ou indiretamente ligados à Rede Globo, uma das promotoras do campeonato, já que Burti é comentarista nas transmissões de F-1 e Popó é filho do locutor Galvão Bueno. A decisão parece ter sido justa, mas devido a grande confusão no reabastecimento na prova de Brasília, causada por um erro indesculpável do diretor de prova, o experiente Carlos Montagner, aquela etapa deveria ter sido anulada, já que os pilotos que pararam nos boxes no momento certo, como Thiago Camilo, levaram grande desvantagem em relação aos que entraram uma volta antes do permitido, autorizados pelo comissário de pista.
Apesar destes problemas, é ainda a categoria onde estão alguns dos melhores pilotos (embora tenha muita gente com pouco talento e muita grana) e equipes do Brasil. Mas que tem muito mais a oferecer e evoluir.
Nota 10
Para Keirrison, pelos dois gols contra o Fluminense que recolocaram o Coritiba na briga pela Libertadores.
Nota 0
Para Luciano Burti, que recusou-se a comentar sua desclassificação da prova de Brasília, em exemplo claro de falta de espírito esportivo.