No retorno desta coluna, nada melhor do que falar da possibilidade crescente do Campeonato Paranaense ser decidido em dois Atletibas. Possibilidade de repetir as finais de 2004 e 2005, último ano em que as duas equipes se encontraram em jogos "pra valer".
Donos da maior rivalidade do futebol no Paraná, comparável somente àquela - mais recente e já extinta - entre Londrina e Grêmio Maringá (que jamais foi a mesma com os ilegítimos "herdeiros" das tradições do verdadeiro Galo), Atlético e Coritiba venceram as partidas de ida da fase semifinal e ampliaram a vantagem que já era confortável.
Mesmo jogando fora de casa o segundo jogo - o Furacão contra o Toledo, e o Coxa com o Paraná - as duas equipes vão a campo com a tranqüilidade de poder perder por um gol de diferença sem ver ameaçada a vaga na grande final.
Por isso, mesmo vivendo momentos de irregularidade e sendo alvo de certa desconfiança de seus torcedores, principalmente após a eliminação de ambos no Copa do Brasil, Atlético e Coritiba só não chegam à decisão em caso de grandes tropeços, pouco plausíveis diante do equilíbrio técnico dos semifinalistas.
E com o perdão das demais equipes, seria uma forma interessante de encerrar bem um campeonato que felizmente caminha - ao menos se forem levadas em conta as propostas dos candidatos à presidência da Federação Paranaense de Futebol - para a redução do número de participantes, de 16 para 12. O que se dúvida valorizaria um campeonato que perdeu muito de seu charme e credibilidade. Embora o melhor mesmo fosse a retomada da Copa Sul-Minas, esta sim uma competição que deixou saudades.
Voltando à vaca fria, se as classificações de Atlético e Coritiba se confirmarem, 2008 será sem dúvida o ano da retomada de uma rivalidade que sofreu duros golpes nos dois último anos. Em 2006, com uma fórmula diferente no Estadual e com o Coxa na Série B do Brasileiro, o grande clássico do futebol paranaense só ocorreu na Copa 100 Anos, em que os clubes utilizaram atletas das divisões de base. No ano passado, quando foi adotado o regulamento atual do Paranaense, houve apenas um confronto, válido pela primeira fase. Já este ano, além do duelo, vencido pelo Atlético por 2 a 0, na fase classificatória, e dos possíveis embates finais, estão garantidos mais dois encontros no Brasileirão, que novamente conta com o Coritiba.
Copa do Paraná
Único dos cinco representantes do futebol paranaense a sobreviver às duas primeiras fases da Copa do Brasil, o Paraná começa a decidir seu futuro na competição nacional na quarta-feira, diante do poderosos Internacional. Jogando em casa, o Tricolor tem que vencer, de preferência sem sofrer gols (como fez diante do Vitória), para ter vantagens na decisão da vaga às quartas-de-final, no jogo em Porto Alegre. Tarefa que não será fácil, mas que pode significar o primeiro grande passo rumo a redenção do clube, que se prepara para a dura disputa da Série B.
Quero ser Vasco
A recente decisão da diretoria do Atlético de cobrar das emissoras de rádio - já no Campeonato Brasileiro - a taxa de R$ 15 mil por partida para liberar a transmissão dos jogos é daquelas medidas injustificáveis e de extrema antipatia. Mesmo que tenha este direito - algo que alguns advogados confirmam e outros contestam -, o clube demonstra mais uma vez um profundo desrespeito com o seu torcedor. Não com aquele que pode se dar ao luxo de gastar ao menos R$ 30,00 por partida, e sim com aquele que não dispõe desta condição. Qualquer um que faça parte deste último grupo pode ser considerado persona non grata pela direção do clube, que segue com a idéia de elitizar sua torcida.
Restringir, ou porque não dizer impedir, o trabalho da maioria das rádios, que não têm força econômica comparável a das emissoras de televisão - estas sim pagam fortunas pela exclusividade das transmissões - é mais uma forma de cercear o direito à informação. Com isto, o clube que prega aos quatro cantos sua modernidade aproxima-se a passos largos do estilo de administrar do vascaíno Eurico Miranda, símbolo-mor do atraso em que o futebol brasileiro vive mergulhado (e que apaga algumas glórias do passado do time da Cruz-de-Malta, como o fato de ser o primeiro a desafiar o preconceito e permitir que jogadores negros integrassem o time). Uma decisão mais do que polêmica, simplesmente lamentável.
Nota 10
Para Ingo Hofmann, que aos 55 anos, e na pole da abertura do Campeonato Brasileiro se Stock Car anunciou para o fim do ano sua aposentadoria na categoria. Se todos os 33 outros pilotos presentes no grid seguissem seus passos e não abusassem dos cada vez mais freqüentes toques propositais para tirar rivais da pista, o automobilismo nacional teria um futuro muito mais promissor do que aquele que se desenha atualmente.
Nota 0
Para a diretoria atleticana e suas idéias de elitização do futebol.