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Revolução fajuta

06 nov 2003 às 10:59
Revolutions: pancadaria do começo ao fim - Reprodução
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Desperdício. É a sensação que fica quando sobem os créditos em Matrix Revolutions, episódio final da série iniciada em 1999. Se o original se mostrou inovador e, mais importante, pensante em um meio cada vez mais propenso à idiotização do espectador, Revolutions (assim como o episódio intermediário, Reloaded) desanda para a pancadaria insensata.

Em Reloaded os problemas de narrativa já eram evidentes. Muita conversa fiada e destruição em massa davam o tom. O filme culminava em um diálogo incompreensível entre o herói Neo (Keanu Reeves) e um novo personagem, o Arquiteto. Fãs e desocupados de plantão gastaram horas debatendo o que significaria tal diálogo. Tornou grande a expectativa por este Revolutions.

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O primeiro pecado do filme é sonegar essas informações ao espectador. Nada se explica. Revolutions é repleto de buracos, e se assume na nefasta categoria do típico blockbuster de ação: ritmo extremamente veloz, não dando tempo do espectador compreender o que se passa.

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É fato que poucas séries na história do cinema arregimentaram tantos seguidores como Matrix. Também é óbvio que muitos deles têm explicações detalhadas para a história. Mas o espectador comum vai penar. A desculpa para os buracos no roteiro está em uma espécie de experimento intermidiático. Parte das histórias paralelas de Matrix estão no game Enter the Matrix. Outras pistas podem ser encontradas na coleção de animações Animatrix. Tantas outras informações estão escondidas no site oficial. Mas pouco importa. Matrix Revolutions ainda se pretende cinema e, como tal, não se sustenta.

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É impressionante notar como o filme faz pouco caso de seus personagens principais – o triunvirato Neo, Trinity e Morpheus (este último reduzido a um papel vexatório). Uma das forças motrizes por trás do sucesso da primeira edição era justamente o relacionamento entre esses personagens. Com Reloaded e, principalmente Revolutions, entram em cena tantos personagens com nada a dizer (que, contudo, não calam a boca), que o trio central é posto para escanteio.


Não se trata mais, como se alardeou em torno de Reloaded, que o filme não se sustente por conta da ausência do elemento surpresa do primeiro Matrix. Se Reloaded era simplesmente fraco (e tentava convencer o espectador que era ele o idiota e não o filme), Revolutions é completamente deslocado da série. Faz opção aberta pela pancadaria. O filme, é bom que se diga, é ultraviolento – corpos dilacerados são uma constante.

Sobram os bons efeitos especiais – apesar de que muitos são maquiados pela velocidade da montagem e pela iluminação propositalmente escura. Há quem diga que valem o filme. Mas não deixa de ser triste ver o cinema reduzido a isso.


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