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BERNARDINHO X RICARDINHO, e a Moral dessa Estória.

26 jul 2007 às 11:00
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Tenho os meus ídolos, mas nunca fui de pendurar fotografias nas paredes, de fazer sacrifícios para assistir um Show, etc..Também, não acho errado quem é assim. Única coisa que me incomoda nesse assunto, são os exageros, por exemplo, os ataques histéricos ou, pior, operações plásticas para ficar com a cara do Brad Pitt ou para ter a boca da Angelina Jolie.
Apesar de alguém cujo nome agora não me recordo, ter dito que só um coitado necessita de ídolos, acho que muito pelo contrário, eles cumprem um belo papel em inúmeros campos da nossa vida. Que nem fosse pelo lado positivo por serem referências que tentamos alcançar, que fosse apenas pelo lado lúdico, já seriam importantes, pois todos nós temos que ter(e manter) sonhos e fantasias. E em assuntos como esses, sempre haverá um lugar especial para os ídolos.
Esse início é para começar a escrever sobre um dos poucos ídolos que tenho, Bernardinho Rezende, técnico da nossa seleção de vôlei, ex - jogador, etc., pessoa que dispensa muitas apresentações. Mais propriamente, estou procurando a melhor maneira de iniciar a minha exposição sobre toda essa confusão, que ele mesmo começou, ao não convocar para o Pan, simplesmente, o melhor levantador do mundo na atualidade, aquele jogador que qualquer técnico sonharia em ter no seu time. Mais, o capitão há sete anos e, percebe-se em todas as entrevistas, o amigo de todos os jogadores. A análise de toda essa estória, em três tópicos a seguir, tenta tirar preciosos ensinamentos e exemplos, quem sabe, para todos nós. Ela é como uma febre, que nada mais é do que a forma como a doença conseguiu se mostrar. E essa doença, pode também nos atingir. E é sobre isso que eu escrevo.

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O ditado popular que abre esse artigo, vem da terra do meu pai, o Maranhão.

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Não sei se vocês sabem, é incrível a quantidade de frases criativas que vem daquele Estado. Como esta que, com o exemplo tão simples de um relógio quebrado, quer falar de valores humanos tão caros como o despreconceito e a humildade em sempre prestar atenção, mesmo a quem nunca costuma estar certo. E essa frase veio em minha mente nessa confusão do volei. Só que em contexto contrário; como se pudéssemos dizer que "até o melhor relógio do mundo, duas vezes por dia, está errado." Então, forcem um pouco, e entendam essa frase nesse sentido inverso. Explicando; observo, leio, me contam e concluo, que o Bernardinho é um dos relógios mais precisos dessa terra. E não só como esportista, pois isso o vento do tempo leva. Isto, simplesmente vem de graça no kit, na sua "ficha técnica", o fato do sujeito ser profissionalmente, o melhor técnico de vôlei. Do mundo. E da história do vôlei, não sei se todos sabem. Uma palavra; integral. Isso é como teste de automóvel da Quatro Rodas; em todos os itens, o carro é dez! É só ir ticando. Pessoalmente, só qualidades e profissionalmente, acho que só um exemplo é o suficiente; ele fez no volei, simplesmente, o dream team. Mas só que melhor pois, diferente do original americano de basquete que foi único e tão efêmero, Bernardinho fez "no plural"; fez diversos dream teams; há anos, entra e sai jogador por qualquer que seja o motivo, e o melhor time do mundo continua. Conclusão? O dream team é ele, o técnico! E, por favor considerem, não estamos falando de técnico de futebol de botão. Estamos falando de um dos esportes de maior complexidade tática que existe. Pois bem, meus amigos; ou o melhor jogador ou o melhor técnico do mundo, um dos dois, do alto de toda essa categoria, "pisou na bola". Subiu sozinho na rede e, bum....,,, isolou......
Fico de longe, só juntando as pecinhas. Obs.; às vezes, é bom não estar diretamente envolvido, estar longe e eqüidistante. Como dizia Mario Quintana, "estar fora do aquário". Dessa forma, a tese fica mais justa e precisa. E fico vendo as entrevistas de todos, vi a cara de susto do Ricardinho no momento em que ele se apresentou na concentração, sem saber que havia sido cortado. "Barrado no Baile". As entrevistas dos outros jogadores, que transmitem um merecido, e tão raro respeito e subordinação ao técnico. Mas, corações partidos. O desconforto do próprio Bernardinho, que não está sabendo de que forma remontar essa bomba atômica que ele próprio explodiu, e é fácil perceber isso; dentre outras, quem viu a sua entrevista logo após o jogo contra o Canadá, era só prestar atenção para o que estava atrás dos seus olhos.


Dentre tantas coisas maravilhosas, Nietzsche tem uma maravilhosa frase solta;


"Raramente erraremos se atribuirmos as ações extremadas à vaidade"... Sendo muito cartesiano, e misturando essa confusão com a frase de Nietzche chega-se a clara, cristalina certeza de que a atitude de um dos dois, que deu origem a essa série, foi fruto do simples, cotidiano, humano pecado chamado de.....,,,,,, vaidade. E aqui, não externo o mínimo juízo de julgamento ou de critica. Babacas aqueles que dizem não ter vaidade. Melhor do que eu, dito por Milor; "dizer não ter vaidade, é a maior de todas". Acontece é que muitas vezes, o senso justo de auto-estima, é confundido com vaidade. E digamos que, se alguém pode ter a auto-estima lá em cima, que pode ser vaidoso se esse for o termo, é o Bernardinho. Se a célula- mater foi a vaidade, lá dentro do cérebro do Bernardinho ou do Ricardinho, a coisa aconteceu + ou - como "o time sou eu, sou o maior, e ninguém aqui será maior de que eu." Ligada essa chave, foi só esperar para acontecer um evento de choque, veio a atitude extrema, e a cisão. E apesar de estarmos falando de pessoas preparadas, quem dentre os dois causou essa ruptura, não consegue ver tudo isso. Não consegue, por que está no olho do furacão. E alguém precisa abrir essas janelas!!!

O que é que está faltando para o Bernardinho?

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, não especificamente nesse caso mas, talvez, de uma maneira geral? Acho que apenas uma coisa; fle-xi-bi-li-da-de. Muito duro, muita dureza. E aqui, cabe mais uma frase. Esta vem da china; "o homem tem que ser como o bambu; forte quando pressionado, mas flexível quando encontra um vento forte para, após sua passagem, se levantar novamente.". Se dobrar, portanto, não é fraquejar. Aqui, tocamos na importante questão do momento. Momento certo, ou momento errado. Antes, uma observação importante; só mesmo alguém muito curto ou muito paranóico para imaginar que o Bernardinho vetou o Ricardinho por que quer promover seu filho, o Bruninho. Só mesmo quem não tem a menor idéia do tamanho da pessoa Bernardinho. Falando do menino, já deu pra perceber três coisas; primeiro, que é um bom levantador de vôlei. Segundo, que tem personalidade e têmpera para agüentar a pressão verdadeiramente abissal que está sofrendo. Terceiro, pelas entrevistas dá pra perceber, o menino é uma jóia, um doce de pessoa. Equilibrado(íssimo) emocionalmente, e corajoso. Aliás, ser filho do Bernardinho e esportista, que fosse de boliche, mais é um ônus do que um bônus. É um K-2 sobre as costas. Então, o que já era ruim, ficou pior ainda diante desse "fator Bruninho". "Momento" de toda essa confusão, erradíssimo. Mas ninguém melhor do que Maquiavel para falar sobre isso. Segundo ele, o Príncipe de verdade, possui necessariamente três virtudes. Uma delas, que aqui se aplica como uma luva, é o senso natural da "occasione", que significa muito resumidamente, o senso de fazer e agir, exatamente no momento certo. E no caso, poucas vezes vi alguém agir em "occasione" tão errada..
Enfim, meus amigos, para mim, Bernardinho não passará do céu para o inferno se ganhar ou perder uma medalha, seja de que metal for, pois toda a discussão Kafkaniana que pode ser depreendida nesse caso, é muito mais profunda do que uma mera convocação ou corte de um grande atleta. Nada mais nada menos do que a velha e fraca natureza humana agindo novamente, fazendo mais uma das suas sutis e invisíveis traquinagens.
Mas se é verdade que o esporte existe para fazer pessoas melhores, acho que alguém precisa dar bons conselhos a essa jóia, a esse orgulho brasileiro chamado Bernardinho Rezende. Obs.; ou, ao Ricardinho; se essa carapuça lhe servir, esse artigo deve ser endereçado a ele mas isso, só os dois sabem. Mas, confesso, torço muito que o Bernardinho seja o certo em toda essa estória.


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