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CARTA À TAM....

31 mai 2007 às 11:00
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Para; TAM Linhas Aéreas
Att. ; Dr. Marco Antonio Bologna – Presidente

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"Eu credito o sucesso da TAM no mercado ao fato de termos
sempre ouvido as pessoas, implementando as suas sugestões
ao longo da nossa cruzada. De todos os capitais que a TAM
possa ter, esse talvez seja o maior."
Rolim Adolfo Amaro

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Dr. Bologna


A frase acima, está em um livro chamado "Rolim – A Magia da Palavra - a estratégia do homem que revolucionou o atendimento ao cliente no Brasil".


Mais do que tantos outros livros banais,

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sobre executivos ou empresas banais, algumas até maiores do que a TAM mas que nem por isso deixam de ser banais, esse livro deveria ser mais lido; especialmente pelas pessoas que hoje fazem essa companhia aérea. Princípios e energia, de um empresário, um empreendedor, um visionário. Mais importante; sua mágica.. Obs.; digo sempre que alguns seres são tão especiais que quando nos deixam, diminuem muito a média dos que ficam. Dependendo do seu raio de alcance, a média cai em termos familiares, em termos de comunidade, de país, alguns até, em termos mundiais. Exemplos que me vem à mente, apenas para deixar as coisas mais claras; Roberto Campos, quando nos deixou, diminuiu a média de todo o povo brasileiro. Da mesma forma Ruy Barbosa, Rio Branco. Como empresário, empreendedor, a falta de um Antonio Erminio baixará a média não só da classe empresarial desse país. Lembro-me que quando li sobre a morte do Comandante Rolim, pensei nisso tudo como cidadão, como empresário.


Sou um bom observador,


e tenho mania de escrever para elogiar quando percebo que o bom trabalho, o bom serviço, seja de uma pessoa física ou jurídica, ultrapassa o limite da simples competência para alcançar a arte, pois acredito que talentos verdadeiros e grandes esforçados tem no aplauso a sua maior remuneração. Vejo todos os dias que alguém para ser um artista, não necessariamente precisa ser um músico, um escritor, etc.; um mero guarda de transito pode ser um artista na sua profissão; lembro-me de um da Bahia, que ficou famoso.


O livro a que me refiro, recebi da TAM


há cinco anos como agradecimento por uma das correspondências que enviei para elogiar algo ou alguém, não mais me recordo. Portanto, Dr. Bologna, tenho, digamos autoridade para enviar-lhe essa correspondência; e não por ser cliente mas por que, gosto e elogio a TAM, há muito tempo; tenho orgulho por essa empresa ser brasileira. Certamente muitos outros devem dela gostar mas, tenha certeza, não mais do que eu. Na melhor das hipóteses, comigo empatam. E só podemos falar do que gostamos.Não pense V. Sa. que irei me referir àquilo que chamaram de apagão aéreo, que foi simplesmente um grand finale de uma vergonhosa conjunção de incompetência, de (má)política, de molecagem, infelizmente tão típicos em um país de Macunaímas, vitimas que somos de tanta empulhação política como é atualmente o meu Brasil Varonil, em estado de catarse coletiva. Chego a ficar tentado a ir mais longe a respeito da carta que a TAM enviou há pouco tempo aos seus clientes, com as conclusões da ANAC isentando-a do que aconteceu na infernal pane(exclusiva da TAM) do feriado de Natal. Único comentário; teria sido melhor não terem enviado nada, não terem tentado explicar nada. O desrespeito que existiu a famílias inteiras que passaram o Natal dormindo em chãos de aeroportos, crianças, idosos, teria sido, digamos, "respeitado". Irrelevante o "laudo oficial", pois para qualquer brasileiro que minimamente saiba fazer contas de vendas x assentos, que sabe um mínimo que seja da ineficiência, da frouxidão e da despersonalidade da ANAC, que tenha ainda um neurônio que funcione, aquele laudo, aquelas explicações, foram como que uma bolinha vermelha que tentaram colocar no nariz de cada um de nós. Aquela carta, acrescida a mais algumas peças colhidas em momentos anteriores, quase que para mim foram o suficiente para finalizar o quebra-cabeças com a foto real da "nova" TAM.


Mas, eu não estaria enviando essa correspondência, não fossem as últimas peças desse jogo, que deram forma final à paisagem; a 1ª, encontrei no último 26/abril, no assento 5A – vôo JJ 3032 - CWB/CGH. Um air bus novinho, estalando. A distância para a poltrona da frente era tão pequena, que os meus joelhos não tinham espaço, mesmo me acomodando o mais para traz possível. Tenho mania de, logo que me acomodo num avião, ler o jornal. Simplesmente não havia espaço frontal para minimamente lê-lo, não fosse colado aos olhos. Obviamente, este desconforto não era só meu, mas de todos nas imediações. Chamei a comissária, lhe expliquei e ela viu a situação, não só minha. Não tendo outra opção, ela educadamente informou que os novos aviões da TAM estão com menos espaço do que a quantidade anterior de fileiras que eram 27, agora estão colocando 28 ou 29. Ao meu lado(poltrona do meio) estava uma senhora, em um assento extremamente apertado. Lembrei-me que não faz muito tempo, a TAM fazia até propaganda em TV de que os seus assentos do meio eram tantos bons centímetros mais largos do que das outras companhias aéreas. Perguntei sobre isso, de novo um constrangimento da comissária que informou que os novos aviões da TAM não mais tem sido encomendados com esse diferencial. Obs.; fora isso, de uma maneira geral, como caiu a configuração de itens, de acessórios dos novos aviões da TAM.


Misturo esses dois exemplos, e aí concentro totalmente essa correspondência, pois são altamente indicativos da "nova" TAM que aí está; demorou para cair a minha ficha. São como a febre; um sintoma. Vamos à doença. Pergunto-lhe, Dr. Bologna; quanto lucra a mais a TAM, por ter mais uma ou duas fileiras de poltronas, que antes não existiam? Quanto custa a menos à TAM a encomenda de poltronas do meio mais estreitas do que eram? Quanto a TAM economiza em aviões com configurações tão espartanas? E a pergunta que cabe é; tudo isso é lucro ou é prejuízo?


Uma pergunta com duas respostas, totalmente opostas,


e que depende unicamente de qual é a "configuração" da empresa; é lucro, para empresas sem alma, sem emoção. É prejuízo, para empresas com alma, com emoção. Que empresa é a presente TAM? Que empresa "foi" a TAM? O maior patrimônio dessa empresa, Dr. Bologna, está sendo jogado fora; parece que ela perdeu seu caminho, sua personalidade, sua memória. Sua arte, sua mágica. Parece que ela não está mais sabendo muito bem quem é, que virou um totem, daqueles de cem faces. Obs.; ainda existem alguns resquícios, por exemplo, o impecável capricho do pessoal de bordo, do bom gosto e da elegância dos uniformes, (ainda) do sorriso e da atenção da tripulação.


Atualmente, a TAM enfrenta uma concorrência agressiva,


encarniçada, por parte de uma empresa chamada GOL, que poderia se chamar TRAVE, BOLA, pouco mudaria. Mas, o que é a GOL, Dr. Bologna? Obviamente, uma empresa que visa lucro. E, só. Eficientíssima como poucas, um leão, mas só nesse sentido, lucro, pois ela nasceu, foi gerada, só pra isso. E aí, justamente aí, é que as duas empresas se separam diametralmente ou, melhor, deveriam se separar. No que me refiro, e espero que esteja claro, a GOL jamais alcançará a TAM. Mas a TAM, vejam que absurdo, nos dias atuais quer se nivelar à GOL. Mas nos seus defeitos! É míope essa visão, justamente na medida em que essas qualidades da TAM, e que estão sendo asfixiadas por ela própria, poderiam lhe trazer mais lucro ou, no mínimo, uma empresa mais interessante, mais simpática. Mais sinteticamente falando, a TAM está desvalorizando a si próprio. Simplesmente, está jogando fora o seu maior patrimônio, o que tem(ou tinha), de melhor. Para deixar as coisas bem claras e fáceis, uso o mesmo exemplo; vejam os uniformes usados pelos funcionários da GOL; dá pena(dos funcionários), pela sua pobreza, em todos os sentidos. Também, vejam a configuração dos aviões da GOL; chega a ser uma vergonha para qualquer companhia aérea da África a standartização. Até a espuma das poltronas é de densidade, da pior qualidade. E que não se diga que a razão é por que é uma companhia econômica. Conheço três, German Wings, Air Berlin, e Ryan Air, essas sim verdadeiras. Todas são mais em conforto, e (bem) menos nos preços. Para nós, brasileiros, só sobrou o ônus. Para a filosofia empresarial da própria GOL, chega a se uma irrelevância a sua atividade. Ela é uma companhia aérea, mas poderia ser uma fábrica de enceradeiras, uma empresa varejista de azeitonas, um atacadista de bacalhau, pois ela está aí simplesmente para dar números verdes, cada vez maiores. Mas, quero dizer, nessa empresa não há emoção, calor. Não há alegria. E de companhias lucrativas mas básicas, o mundo está cheio; as empresas que hoje verdadeiramente vislumbram o futuro, diferenciam-se pela mágica e pela arte na sua atividade. E nisto, a TAM sobrava. Cadê isto, onde está??


Como disse no início, só nos preocupamos com o que gostamos.

Não sou acionista da TAM, nela não tenho qualquer interesse que não a minha simpatia pela empresa e uma grande admiração pelo seu fundador. Nessa linha, tomo a liberdade de enviar-lhe essa correspondência, pois me parece que está sendo necessário resgatar, digamos, a personalidade original da TAM, sua memória empresarial, e a energia que fez dela uma da linhas aéreas mais criativas do seu tempo. Tais valores, difíceis de serem avaliados em números pois, são arte, são talentos mas, no fundo, são o único fator a diferenciar as meras companhias, de uma empresa muito especial, especialmente para um país de tão pobre estória empresarial como o nosso Brasil. Agradecendo sua at


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