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DOGMAS E PRÉ CONCEITOS

20 out 2006 às 11:00
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Um dos fundamentos da Física diz que todo corpo tende ao repouso. Como seres físicos que somos, não escapamos da força desta lei. Esta realidade, de inúmeras maneiras reflete-se no dia a dia de todos nós, reles e básicos mortais.
Dogmas e Pré Conceitos, dois exemplos dessa nossa tendência ao repouso, entendendo-se isto como o nosso natural comodismo em nada mudar, a nossa natural tendência em simplesmente acreditar, aceitar e transmitir o que nos é imposto ou ensinado. Por eles, através deles, uma face dessa vocação humana em seguir fórmulas prontas e acabadas se apresenta.
Dois assuntos que evito tocar em meus artigos, Religião e Política. E dois são os motivos; sobre ambos não me considero nenhum expert, e sobre estes dois assuntos não devemos ter outra atitude que não respeito por posição diferente da nossa. É como falar mal do time dos outros. Mas dessa vez, não vai ter jeito; para onde quero chegar, vou ter que cruzar um desses estreitos corredores. Com todo o cuidado.

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Dogmas,

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são verdades absolutas, místicas e/ou religiosas, em que não nos sobra outra opção que não simplesmente acreditar, mesmo que aquilo seja totalmente ilógico ou irracional. Ressuscitar, reencarnar, subir aos céus, sacramentos, oferendas, sacrifícios, milagres. Visitar um muro e de cara para ele rezar, numa existência ter que ir a uma determinada cidade ou santuário. Ter que tocar numa pedra considerada sagrada, ao menos uma vez na vida. Tão diferentes esses(e tantos outros) atos, mas todos com algo em comum; são como passaportes para os seus fiéis alcançarem o reino dos céus, seja o céu chamado de que nome for em cada religião. Fé, nenhuma outra palavra define melhor. Do Cristianismo ao Judaísmo passando pelo Induísmo, pelo Islamismo. Pela doutrina Kardesista, até mesmo pela doutrina Budista que diz não ter dogmas mas, vide as provações de Budha. Tudo isto e muitos mais; Dogmas Religiosos.
Nada contra a religiosidade, eu inclusive tenho a minha crença. Mais importante; esse mundo de tantas misérias, físicas e materiais, simplesmente explodiria se não fosse a fé; o que seria da Índia, da Indonésia, das Filipinas, só para citar uns poucos exemplos, se não fosse a extrema religiosidade do seu povo... A fé dogmática traz resignação, passividade, conformismo – uma verdadeira arma, talvez a mais inteligente para a manipulação de massas. Pode até ser vendida como se fosse um produto das Organizações Tabajara - vide na história o comércio de indulgências praticado pela igreja na Idade Média, ou a origem do conceito de "purgatório".
Da Filosofia de Karl Marx, poucos são os fundamentos que ainda se mantém de pé, e aí está a História do século XX a comprovar a sua utopia. Mas é dele uma das frases mais sábias que conheço; "A Religião, é o Ópio do Povo". Obs.; na terra do meu pai há uma frase que diz, "Até relógio quebrado, duas vezes por dia está certo". E aí está um dos dois acertos de Marx.
Mas, confesso; de um ponto em diante começo a me sentir tentado a, digamos, "passar" o limite do meu próprio respeito a religiões alheias quando vejo que por Dogmas faz-se o mal a inocentes e depois, corre-se a um templo para rezar com o fervor de um santo. E, no mais das vezes, isto nada tem a ver com ser rico ou pobre, culto ou ignorante. Conheço pessoas muito ricas e/ou muito cultas com as quais me surpreendo quando vejo cometerem verdadeiros absurdos "religiosos". Todos os dias leio nos jornais que na minha cidade, no meu país ou em qualquer lugar do mundo, verdadeiras barbaridades são cometidas em nome de Dogmas religiosos. Agressivamente, igrejas são invadidas, quebram-se estátuas, rasgam-se quadros por que imagens são pecaminosas para outras religiões. Pelos próprios pais, crianças à beira da morte não podem ser salvas por médicos que são impedidos de fazer transfusões sangüineas ou transplantes, por que isso é pecado. Por maior que seja o seu amor, não se casa se o(a) outro(a) não se converter. Ou uma união, que tinha tudo para ser maravilhosa, sucumbe por absurdos religiosos de uma das partes. Nem que morra trabalha aos sábados pois isto sim, é pecado mortal. Acreditar que o sacrifício, seja lá de que bicho for, vai trazer-lhe algum benefício. Com um livro na mão, em um estado quase de histeria coletiva, braços levantados como que elevando-se aos céus, rezas ou músicas gritadas como se Deus fosse surdo. E, nem é necessário muito falar, o atentado. O atentado odioso e bárbaro contra inocentes, no mais das vezes, com o sacrifício da própria vida por que, dentre outros benefícios há a crença de que ganhará o paraiso, ainda acrescido de um ônibus cheio de virgens(o que há contra as não virgens?).
Para resumir, o mundo seria (bem) melhor se fosse percebido o essencial; qualquer que seja o livro sagrado, há um ponto em comum; o bem a ser praticado, ou o mal a ser evitado, são os mesmos. O resto, é deturpação, contaminação da mão do homem travestida de "interpretação".



Pré Conceitos,


quando negativos(*depois explico), são aquelas posições intolerantes, concebidas(bem) antes do fato ou da situação. Conheço pessoas maravilhosas, mas impregnadas de pré-conceitos. Já vi pessoas lutarem contra a sua própria natureza tentando como que "matar" um pré conceito. E sendo derrotados pelo pior dos inimigos; si próprio. Stephen Hawkins(vide artigo "A Teoria Integral da Natureza do Homem"), uma das mais geniais mentes da humanidade em todos os tempos, pela Física e Matemática demonstrou que a força de gravidade de um buraco-negro é algo tão forte que é capaz de desviar(e de engolir) até a luz. Pois, divirjo; a maior força da natureza, quase invencível, é a força de um pré conceito.
Mas, afinal,

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onde esse articulista barato quer chegar? Num ponto, num único ponto; todos os Dogmas e Pré Conceitos, sempre, tem origem num par de pessoas; nos pais, na família. Se mais de um e menos de outro, se progrediram ou regrediram no decorrer da vida, essa é outra questão mas, o filme que dá origem a essa série, sempre, é o mesmo.
O que melhor resume o que eu quero dizer é o Budismo Tibetano (vide "Muito Além dos Olhos). Em um dos seus princípios diz que "o mundo exterior é uma ficção. Nele vemos o que queremos, portanto, nada é real já que só conseguimos enxergar o que conhecemos por já estar dentro de nós." Se não conhecemos, não enxergamos. Na prática; se foi incutido em nossa educação o pré conceito de que negros são seres inferiores ou pobres são sub-gente, assim os veremos. Se nos foi plantado o Dogma de que todos os demais que não são da nossa religião são pecadores, assim os enxergaremos. Por isso é verdade quando se diz que somos a maior vítima de nós mesmos.
Então, já que existem esses dois pecados originais(olha aí o dogma) plantados em cada um de nós, qual é a solução? Inicialmente, que tenhamos consciência dessas duas fraquezas da alma e da cultura humana. Que tenhamos humildade para "mapear" em nós, esses fantasmas. Que tenhamos coragem para tentar "exorcizá-los".
E que tenhamos responsabilidade, mas muita responsabilidade ao educar os nossos filhos. Evitemos plantar nos seus corações as sementes dos Dogmas e dos Pré Conceitos pois esses serão pesos e esse nosso mundo está carente de tantas coisas, dentre elas, de leveza de alma e de nobreza de atitudes.


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