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''Pequeno Livro do Rock'', do francês Hervé Bourhis remonta a trajetória da música de forma fácil e bem-humorada - Reprodução
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Rock revisitado em quadrinhos

26 abr 2010 às 15:19
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Curitiba - Um dos aspectos fascinantes no rock'n'roll é notar o impacto de sua característica sempre questionadora a cada nova geração de adoradores de guitarras. O rock de cada período específico precisa fazer sentido para sua prole, que naturalmente vai negar a anterior e ser ultrapassada pela seguinte, e por aí vai. Esse constante movimento de fluxo e refluxo é o grande charme disso tudo e pode ser contemplado com muita facilidade e humor em ''O Pequeno Livro do Rock'', do francês Hervé Bourhis, lançado no Brasil pela Conrad Editora.

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Bem, antes de mais nada, é bom deixar claro que este ''O Pequeno Livro do Rock'' não é um ''Almanaque Definitivo da História do Rock em Quadrinhos''. Assim como todo bom amante da música, e em especial de rock, o conteúdo vai de encontro com as experiências e, principalmente, a memória afetiva do autor, um cara de 35 anos que simplesmente resolveu juntar tudo o que conhecia com as coisas que viveu e ouviu.

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''Eu jamais tive uma overdose. Não vi os Sex Pistols no Chalet du Lac (...). Não tenho vontade de ser completo, objetivo ou boa-fé. Em suma, não tenho nenhuma legitimidade para escrever este livro, e foi por todas essas razões que eu mesmo assim o escrevi.'' É assim, de forma debochada e despretensiosa, que deve ser ''levado a sério'' esse livro. Uma maneira deliciosa de ver (e rever) tudo aquilo que os roqueiros e simpatizantes colecionaram nas memórias durante esses anos todos.


Tudo começa em 1915, com o lançamento do primeiro jukebox de discos e vai seguindo, de forma intuitiva e natural, fluída, até os dias de hoje. Tem de tudo um pouco, curiosidades, boatos e comentários espirituosos, a exemplo de como Hervé narra o luto de Nashville. ''Hira Williams (mais conhecido como Hank Williams) está morto. Foi encontrado rígido no banco de trás de sei Cadillac por seu motorista. Por respeito à sua família, não contaremos... que encontramos no sangue do deus do country... bourbon, morfina e anfetaminas.''

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O estilo de Hervé vai de encontro com a tradição dos belgas e franceses, do quadrinho europeu em geral, que destaca bastante a arte-final. Aqui ele usa muito o pincel e as retículas em cinza, alterna raramente com a pena. O nanquim grosso ajuda a enfatizar seus pequenos quadros com closes dos artistas e momentos ''retratados'' no livro.


A edição também traz um apêndice bem interessante, com o rol de todos os artistas citados, assim como as famosas ''listinhas'' que todo mundo tem: ''5 discos dos que eu gosto, mas tenho vergonha'', ''5 artistas que eu não entendo'', ''Álbum que eu mais odeio'', entre outras. Tem também uma grande sacada de Hervé para lidar com os chatos de plantão que vão sempre procurar (e reclamar) alguém ausente no livro: uma carta de um leitor indignado com o ''esquecimento'' de alguns artistas.


A Conrad acertadamente publicou o livro por aqui em um formato ligeiramente maior. O original emula um EP, com de 45 RPM, com 17 cm de diâmetro. No Brasil, saiu com 5 cm a mais, para privilegiar a visualização.


CAFÉ ESPACIAL


Eis que o que parecia apenas uma promessa de uma interessante nova revista com mix de quadrinhos concretizou-se em uma boa leitura periódica. O sexto número da ''Café Espacial'', tocado pelo editor Sérgio Chaves, ao lado da jornalista Lídia Basoli, provou que veio pra ficar. Nesta edição, a publicação traz colaborações de nomes conhecidos no cenário paranaense, como os quadrinistas DW Ribatski e Guilherme Caldas.


Aliás, é de DW a melhor história da edição. O autor recupera da antologia ''Oficina do Diabo'' a curta ''Com Ácido de Bateria nos Dentes'', cheia de diálogos espertos e um ''mau humor bem-humorado''. DW gosta de brincar com pincéis e as possibilidades do contraste, o que dá extrema fluidez a sua bela narrativa, cheia de recursos ''silenciosos'' - ou seja, o quadrinista utiliza bem os espaços em branco na diagramação.


Os quadrinhos de Guilherme Caldas e Olavo Rocha, um devaneio surreal; e Allan Ledo, um conto romântico com um quê de filme antigo em traços europeus; também são destaque em ''Café Espacial nº 6''. A publicação, que desta vez usa um papel opaco mais adequado às histórias em preto-e-branco, também conta com resenhas de livros, fotografias de Laura Gattaz, comentários sobre cinema e tevê, entrevista com banda... Enfim, uma interessante mistura, desta vez mais homogênea, com uma direção mais compreensível e enxuta.


SERVIÇO


- ''O Pequeno Livro do Rock'' tem 224 páginas no formato 21,5 x 22 cm, com capa vermelha e interior em preto-e-branco e custa R$ 39,90.


- Café Espacial nº 6 tem 60 páginas no formato 14 x 21 cm, com capa colorida e interior em preto-e-branco e sai por R$ 6. Mais informações sobre como comprar estão no site da Café Espacial.


O material citado acima pode ser encontrado em Curitiba na Itiban Comic Shop (Av. Silva Jardim, 845). O telefone de lá é (41) 3232-5367.


Acompanhe também meus textos no blog da revista IdeaFixa.


Twitter: @clangcomix

A maior parte dos textos publicados nesta coluna foi publicada na Folha de Londrina, tanto na versão impressa quanto na virtual.


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