26/11/20
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Universidade pesquisa influência da atividade física das mães na obesidade dos filhos

Mais do que informações genéticas misturadas, espermatozoides e óvulos levam no momento da fecundação - e posterior geração de um novo ser -, as peculiaridades e características relativas ao estilo de vida dos pais, o que pode ser determinante no desenvolvimento e nas condições de saúdes dos filhos.

Ciente dessa realidade, doutorandos do Laboratório de Morfologia da Biologia Experimental e Humana da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) desenvolvem uma pesquisa pioneira no Brasil para detectar a importância da prática de atividade física de mães no processo de geração de filhos saudáveis, mesmo que os pais tenham uma vida sedentária, sejam obesos ou portadores de doenças como a diabete.


Ainda em fase embrionária, os primeiros resultados da pesquisa desenvolvida pela UERJ indicam que mães com rotina de exercícios físicos ao longo da vida - antes de engravidar e durante a gestação – poderiam desprogramar a herança da obesidade paterna nos filhos.

Usando camundongos como parâmetro para o levantamento, os pesquisadores constataram que os filhos de mães que praticavam atividade física nasceram com peso mais baixo, se comparado com as crias de famílias com pais e mães sedentários.

Preliminarmente, também se constatou que a prática regular de exercícios se mostrou eficaz no aumento da temperatura corporal dos filhotes.

"O trabalho é uma novidade por mensurar a influência da atividade física das mulheres que se exercitam antes e durante a gravidez e que geraram filhos mais magros, independentemente do grau de sedentarismo do pai. É claro que os dados são preliminares e são necessários estudos mais amplo a respeito", admitiu à Agência Brasil a pesquisadora da Uerj Renata Tarevnic.

Segundo ela, "é fato que os filhos de mães treinadas com pais obesos nasceram com peso menor do que das mães não treinada também com pais obesos. Ou seja, houve um efeito aparentemente benéfico do exercício que ela fez antes de engravidar, e que permaneceu fazendo durante o período de gravidez, nos filhos nascidos com menos peso. Então, a princípio, a atividade física consegue sim desprogramar a obesidade genética proveniente do pai [obeso] para dos seus filhotes".

Renata destacou o fato de que, até então, o que se sabia era que a maior parte da epigenética dos filhos era herdada da mãe. "Daí as recomendações comuns nessas circunstâncias: não coma por dois e pratique atividade física. Mas são recomendações que não tinham embasamento cientificamente comprovado", acrescentou.

"O que queremos com a pesquisa é justamente provar que a mãe pode, de fato, ao praticar atividade física, anular a carga genética negativa decorrente do sedentarismo dos pai", afirmou a pesquisadora.

Abrangência

As informações a que a Agência Brasil teve acesso indicam que o estudo é realizado inicialmente em mais de 100 camundongos com a mesma idade, segmentados de acordo com o peso e estrutura corporal em quatro grupos: mães sedentárias com controle alimentar, mães que praticam uma hora de natação três vezes por semana, pais obesos com alimentação rica em gordura e pais com controle alimentar.

A pesquisa experimental foi dividida em quatro fases e já está na terceira etapa. Na primeira, houve uma revisão de materiais já publicados, enquanto a segunda se baseou na escolha do animal segundo protocolo criado para o desenvolvimento da mesma.

A fase seguinte é onde ocorre o experimento dos grupos durante três meses para posterior acasalamento e a gestação. "Agora, estamos na fase da amamentação e do sacrifício dos filhotes para análise dos dados dos genitores. Em seguida, vem a da maturação dos filhotes sem exercício físico, do sacrifício para posterior análise e cruzamento dos dados".

Membro da equipe, a nutricionista Priscila Carapeto explicou que os camundongos que participaram do experimento serão dissecados para análise mais profunda dos efeitos do exercício ou da falta dele. "Faremos uma análise proteica, bioquímica e etológica para cruzar todos os dados estatisticamente."

Obesidade paterna

Uma pesquisa realizada pela professora Fernanda Ornellas, também membro do mesmo laboratório, e divulgada no mês passado, comprovou que a obesidade paterna influencia a prole na vida adulta, com comprometimento no processo de regulação da insulina, remodelação das células que armazenam gorduras e regulam a temperatura corporal e "hiperexpressão" do tecido adiposo de IL-6 e TNF-alfa em prole masculina.

Em contrapartida, a obesidade materna leva ao sobrepeso e alterações no perfil metabólico e no fígado, resultantes da ativação da lipogénese hepática com deficiência beta-oxidação. "Quando ambos os pais são obesos, os efeitos observados na prole feminina e masculina são exacerbados", admitiu a professora.

Presidente do Conselho Regional de Educação Física (CREF1), o professor André Fernandes alertou para o fato de que a obesidade se tornou um problema mundial. "Um dos fatores para o aumento desta doença é a falta da prática regular de atividade física.É o profissional de educação física que pode acompanhar as pessoas em seu dia a dia, orientando a prática do exercício para que possam ter uma vida mais ativa e sofram menos com com os problemas decorrentes da obesidade".
Agência Brasil
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