Família

Crianças devem acompanhar os pais na compra do material escolar

18 jan 2019 às 16:24

O senso comum defende que os filhos devem ficar em casa na hora, enquanto os pais compram o material escolar. A decisão teria por objetivo economizar, já que as crianças tendem a influenciar a compra de itens mais caros – como os cadernos, lápis, mochilas e estojos dos personagens favoritos. Na contramão dessa indicação, o consultor financeiro e pai, Guilherme de Almeida Prado, defende que esse é um importante momento para passar às crianças as noções básicas de educação financeira. Além de levá-los às compras, ele afirma que os pequenos devem ser envolvidos, também, na etapa anterior: a pesquisa por melhores preços na internet; a elaboração do orçamento; e a busca por alternativas como a aquisição de livros usados a um custo menor.


"Da análise da lista, passando pela pesquisa de preços pela internet até a compra efetiva, as crianças devem ser envolvidas no processo de aquisição do material escolar. Essa decisão dos pais traz amadurecimento aos filhos e funciona como um importante instrumento de educação financeira. Temos gerações de brasileiros que não sabem lidar com dinheiro e muitos pais acreditam que essa capacitação seja responsabilidade da escola. Ao contrário, começa dentro de casa e se expande para a escola", analisa Prado. Na visão do especialista, as crianças herdam muito mais do que o DNA dos pais; herdam os hábitos financeiros.


Segundo o consultor, essa educação financeira que usa elementos do cotidiano dos filhos – os itens escolares e as escolhas que envolvem essa compra – deve respeitar a faixa etária da criança. "Entretanto, nenhuma criança deve ficar à margem desse momento. Recomendo que, após o primeiro ano dessa participação, os pais convidem os filhos a criarem uma poupança, que pode ser um cofrinho, para economizar recursos para o próximo ano. Nessa atividade, os pais podem incentivar os filhos a pouparem para comprar, também, um item especial", afirma o educador financeiro.


Prado enumerou outras dicas para as famílias economizarem com o material escolar:


#1 |Faça as compras em "atacarejos" com um grupo de pais. Essa medida pode trazer muita economia.


#2 |Peça ajuda dos filhos para checar se há livros e material usado que possa ser comprado de outros pais e alunos; incentive-os a vender, também, os próprios livros usados. A medida, além de ser associada ao consumo consciente, trará importante dinâmica ao aprendizado dos filhos, sobretudo sobre reciclagem.


#3 |Ao levar os filhos para comprar o material, explique que há uma quantidade específica de dinheiro para gastar; que vocês precisam estar dentro desse valor. Se houver uma economia, ou seja, um gasto menor do que o previsto, incentive-o a usar esse dinheiro para comprar um item que tenha gostado. A ideia de haver um ganho ao economizar é muito importante. Nessa "aula", aborde a importância de fazer boas escolhas – ou seja, o custo benefício, analisando preço e durabilidade.


#4|Ensine as crianças a fazer escolhas. Se houver dois itens iguais, mas com estampas diferentes, que o filho queira, encoraje-o a escolher um deles. Dessa forma, você estará ensinando sobre prioridades.


#5 | Mostre itens iguais, mas com preços diferentes. Nesse contexto, fale sobre o conceito de coisas baratas e caras. Para os pequenos, mostre cédulas e moedas de valores diferentes, explicando o significado – o que cada uma pode comprar.


Controle os gastos com os filhos


Os filhos são motivo comum de descontrole das finanças. Muitos pais passam boa parte do tempo trabalhando e querem compensar a ausência, comprando produtos que eles pedem. Os pais que tiveram uma infância com restrição financeira também caem na armadilha de querer dar tudo que os filhos desejam.


- Deixe para o dia seguinte: os desejos deles costumam ser momentâneos. Uma estratégia que funciona bem é convencer o filho a comprar determinado produto no dia seguinte. Assim, se a criança continuar querendo o brinquedo, após esse tempo você pode avaliar se fará a compra ou não. Na prática, não compre por impulso.


- Criança não tem referência de valor. Quando pede um produto caro, nem sempre quer exatamente aquela marca. Converse com a criança e ofereça produtos mais baratos, compatíveis com o orçamento familiar.

- Lembre-se que dar sempre o que os filhos pedem pode ser ruim para a educação infantil – sobretudo financeira. Defina uma verba mensal para gastar com os filhos e mantenha-se dentro desse orçamento.


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