Família

Quem desistiu de engravidar em 2020 deve retomar os planos em 2021?

30 dez 2020 às 11:21

Pandemia adiou a gravidez de 34% das mulheres que tinham planos para 2020. Especialista explica se é seguro retomá-los em 2021 e quais cuidados tomar.


A pandemia adiou a gravidez de cerca de 34% das mulheres que tinham planos de ter filhos em 2020. A informação é da pesquisa realizada pelo Instituto Guttmacher, organização líder em pesquisas de saúde, sexualidade e reprodução. Agora, a dúvida dessas mulheres é se, em 2021, será seguro retomar a ideia da gestação.


Parte dessas mulheres que adiaram iria passar por algum tratamento de Reprodução Assistida. Mas em abril, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa e as entidades de Reprodução Humana orientaram que os tratamentos de reprodução assistida fossem suspensos no Brasil.


"Agora que vemos sinais de retomada, com chances de termos vacina em breve e também com mais conhecimento sobre o vírus, acredito que essas mulheres possam realizar o sonho em 2021”, diz Cláudia Navarro, especialista em Reprodução Assistida. "Já faz algum tempo que as clínicas estão seguindo rigorosos protocolos para atendimento tanto de tentantes em tratamento de fertilidade, quanto de gestantes”, afirma.


Além disso, a médica lembra que ainda não existem estudos conclusivos que comprovem a transmissão vertical do vírus, ou seja, a transmissão de mãe para filho dentro do útero. "A comunidade médica ainda estuda os casos de bebês que testaram positivo para Covid, mas ainda não são casos concretos”, diz.


Planos para 2021
Segundo Cláudia Navarro, o primeiro passo para buscar uma gestação em 2021, seja por métodos naturais ou com auxílio da Reprodução Assistida, é avaliar a saúde do casal. "É fundamental conversar com o médico sobre os cuidados necessários, histórico médico familiar ou algum problema em alguma gravidez anterior”, orienta.


"Ainda estamos no processo de termos vacina contra a Covid. É importante avaliar se aguardar a vacina é algo fundamental para o casal antes de planejar o filho”, comenta. Para Cláudia, a idade conta muito na tomada de decisões. "Se a tentante tem mais de 35 anos e está tentando a primeira gestação, ela deve avaliar com o médico a segurança de continuar adiando a gravidez”, alerta.
Hábitos e alimentação


Entre os passos para buscar uma gravidez, em qualquer fase da vida, estão: ter hábitos saudáveis de alimentação, estar dentro do peso ideal, não consumir bebidas alcoólicas ou drogas, parar de fumar e iniciar uma rotina de exercícios.


"Ter um estilo de vida mais saudável contribui para diminuir as chances de malformação fetal e nascimentos prematuros. O cigarro é um veneno para mulheres que desejam engravidar, além de ser fator de risco para as complicações do Coronavírus”, orienta Cláudia Navarro.


A ingestão de ácido fólico por mulheres que pretendem engravidar em breve também é importante. Se uma mulher tem uma boa quantidade dessa substância, consegue prevenir determinados defeitos congênitos no feto. "O Ácido Fólico vai ajudar na formação fetal. É importante frisar que não se trata de um remédio para tratar infertilidade”, pondera.


Histórico familiar
Descobrir sobre o histórico familiar pode ser importante para a saúde do bebê. "Talvez a paciente não saiba de alguma condição genética que a irmã ou tio tenha, mas compartilhar essas informações com o médico é fundamental”, diz a especialista. Baseado nelas, ele poderá encaminhá-la para aconselhamento genético e identificar questões ligadas à perda de bebês ou infertilidade, por exemplo.
Gestação


"Uma vez que estiver grávida, a paciente deve manter bons hábitos de saúde e visitar o médico regularmente, seguindo protocolos de segurança e muito cuidado com a Covid-19”, orienta a especialista. "Se, após um ano de tentativas para engravidar, o casal continuar sem sucesso, eles devem procurar ajuda de um especialista em reprodução assistida”.

Sobre Cláudia Navarro
Cláudia Navarro é especialista em reprodução assistida, diretora clínica da Life Search e membro das Sociedades Americana de Medicina Reprodutiva - ASRM e Europeia de Reprodução Humana e Embriologia – ESHRE. Graduada em Medicina pela UFMG em 1988, titulou-se mestre e doutora em medicina (obstetrícia e ginecologia) pela mesma instituição federal e hoje é membro do Corpo Clínico do Laboratório de Reprodução Humana do Hospital das Clínicas, vinculado à mesma instituição.


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