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- Cesar Greco/Ag. Palmeiras
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Ano ruim

Fase de medalhões explica desempenho instável do Palmeiras

Diego Iwata Lima - Folhapress
16 set 2021 às 13:00
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O mesmo Abel Ferreira considerado genial pela maior parte da torcida após as conquistas da Copa Libertadores e da Copa do Brasil de 2020 vem sendo execrado por alguns palmeirenses pelos resultados de 2021. O clube é segundo colocado no Brasileiro e semifinalista da Libertadores. Mesmo assim, as críticas são muitas. O que mudou, para que a percepção se tornasse tão negativa?

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Ao comparar o rendimento dos três setores -defesa, meio-campo e ataque, é possível concluir que o português tem uma grande parte de seu elenco no Brasileiro rendendo abaixo do que entregou em 2020. E que as ausências de algumas peças-chave, seja por lesão, negociação ou escolha do técnico, têm sido preponderantes para que o desempenho do Palmeiras esteja aquém do esperado.


Pilares das conquistas da última temporada, como Gustavo Gómez, Rony e Luiz Adriano, têm contribuído muito pouco para o Palmeiras em números. E jogadores com bons índices em 2020, como Gabriel Menino, e mesmo neste ano, como Gustavo Scarpa, vêm perdendo espaço e também deixam o time com números piores.

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Gustavo Gómez


Com 23 gols sofridos, mesmo número do Athletico-PR, o Palmeiras só está à frente de Chapecoense, Bahia e Santos na competição. A média de 1,2 gol por jogo é alta para os padrões do time. No Brasileiro de 2020, por exemplo, o clube sofreu 37 gols em 38 rodadas, mesmo tendo jogado muitas vezes com time misto, pelo foco maior dedicado à Libertadores.


Marcos Rocha, que foi mal contra o Flamengo, é quem mais desarma em média no time no Brasileirão, com 2,8 por jogo, de acordo com o portal de estatísticas Footstats, que é a base de dados do site oficial do Palmeiras. O líder do fundamento é Fernando Sobral, do Ceará, com 3,5 por partida.


Chama a atenção o baixo aproveitamento de Gustavo Gómez no quesito. Com 13 desarmes em 11 jogos, média de 1,18, ele é apenas o 11º do elenco. Quase todos os demais jogadores que têm papel mais intenso de marcação estão à sua frente: Zé Rafael (1,9), Felipe Melo (1,73), Renan (2,08), Luan (1,6), Danilo (1,3).


Gómez também tem números baixos em interceptações, com apenas duas em 11 jogos, média de 0,18. Mais uma vez, ele vê a maior parte dos companheiros o superar. com destaque para Zé Rafael, com dez em 16 jogos; Felipe Melo, dez em 15 jogos; e Luan, com nove em 13.


Não há dúvida de que Gómez é um dos melhores tecnicamente do elenco, e importante a ponto de ser capitão sem contestação. Mas no Brasileiro, nestes quesitos, seus números não são bons.


Meio sem Scarpa


Gustavo Scarpa só deixou o time porque Dudu retornou. Em que pese a preferência de característica do elenco por parte do técnico, sem o camisa 14, o Palmeiras decai muito em números. Foram sete assistências para gols na competição e outras 34 para os companheiros chutarem, que o colocam no topo do ranking alviverde e da competição. O segundo lugar no clube, de Veiga, mostra três passes para gol e 16 para finalizações -menos da metade.


Gabriel Menino, em comparação ao ano passado, também está fazendo falta. Entre lesões e convocações para a seleção, a contribuição do jogador ao clube despencou. Em 2020, ele deu 62 passes para finalização e dez assistências, liderando o fundamento. Neste ano, ele tem zero assistência no Brasileiro e só nove passes para chute.


Embora o desempenho de Zé Rafael e Danilo seja bom, a ausência de Felipe Melo também tira opção do Palmeiras. O camisa 30 tem média de 1,6 lançamento certo por jogo, ficando atrás apenas de Rocha (2) e Luan (1,8) entre os jogadores de linha.


A chegada de Dudu pode vir a ser um alento. Ele tem dez finalizações em sete jogos, mas apenas três certas. Por outro lado, já colocou os companheiros em condição de bater a gol 14 vezes, com uma assistência.


Baixas no ataque


Nada impacta mais o Palmeiras nesta temporada, porém, do que Luiz Adriano -ou sua ausência, no caso. O artilheiro do time em 2020, com 20 gols, às voltas com um edema no joelho esquerdo e acusações da ex-esposa, tem um mísero gol em oito jogos do Brasileiro de 2021.


Foram 12 finalizações do camisa 10 no torneio até agora, cinco delas certas -média de 0,63 chute com a direção correta a cada partida. Com 18 chutes certos em 18 jogos, Veiga lidera, seguido de Scarpa, com um chute certo a menos.


Flamengo


No Flamengo, Bruno Henrique tem uma média de 1,92 chute certo por jogo. Hulk, no Atlético-MG, chutou certo 24 das 58 vezes que procurou o gol: 1,3 por jogo.


O tão criticado Deyverson tem números razoáveis que, em sua frieza, não se recordam das muitas chances perdidas contra o Cuiabá, por exemplo. Mas em 15 jogos, ele acertou o gol 13 vezes, ficando com 0,84 de média, e já deu três assistências no campeonato.


Rony, que vem sendo o "9" no esquema atual de Abel Ferreira, também ainda têm números baixos no Brasileiro nessa sua volta após lesão. Em 11 partidas, chutou apenas 14 vezes, e só quatro tiveram a direção do gol (0,36/jogo).


Desse modo, o artilheiro do time na competição, Breno Lopes -cinco gols-, brilha mais por exclusão do que por méritos. Foram 16 finalizações em 13 jogos, nove delas certas, que conferem uma média de 0,69 acerto/partida.


Willian, que tem quatro gols no Nacional, já está perto dos números que teve no Brasileiro do ano passado, quando fez sete. Mas é mais um jogador que tem recebido menos chances do técnico. Verón também teve números bons em 2020, mas vai tendo um 2021 oscilante, retornando de tratamento contra lesão. Ainda sem gols no Brasileiro, em quatro jogos, ele fez nove e deu cinco assistências no total em 2020.


Em que pesem algumas escolhas questionáveis de Abel, o fato é que o técnico, que teve poucos dos reforços que solicitou ao fim da temporada 2020, está lidando com um problema grave de queda de rendimento de peças-chave. Colocar responsabilidade demais em seus ombros é fechar os olhos para a realidade e os números -que não mentem.

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