05/07/20
25º/13ºLONDRINA
Sem frescura

Aprenda diferenciar os tipos de vinho e saiba o que beber

Tanino, frutado, amadeirado, mentolado, terrier, Cabernet Sauvignon, Bordeaux... O mundo dos vinhos tem um vocabulário próprio. Palavras criadas por especialistas (fabricantes, enólogos e sommeliers) e que não entram na cabeça da maioria dos mortais. Nos últimos tempos, consumir vinho passou a ser um processo 'embaraçoso' para pessoas comuns, pouco afeitas aos rituais que envolvem um simples gole da bebida.

Toda esta "frescura", como diriam os mais simplistas, tem intimidado quem não se sente à vontade com as mesuras que envolvem o consumo do produtos. No Brasil a bebida tem seu consumo per capita em 2 litros ao ano, enquanto um europeu chega a consumir em média 60 litros por ano. E, embora para alguns o ato de tomar vinhos represente um ato quase alquimista, os enologistas recomendam simplicidade na hora de saborear a bebida.


Para simplificar, e esclarecer alguns termos 'vinícolas', elaboramos um breve manual com os principais vinhos produzidos no mundo, suas características e classificação. Aprenda um pouco mais sobre o universo da enologia e saiba o que você está bebendo ou gostaria de beber.

Divulgação
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Classificação

Os vinhos são classificados de acordo com a classe, cor e teor de açúcar. Para identificar a procedência do vinho, ou como dizem os especialistas: o terroir (local onde foi produzido), o consumidor deve observar no rótulo da garrafa o nome da vinícola, data da safra e o nome da uva.

Classe

De Mesa - É o vinho com graduação alcoólica de 10° a 13° GL. E estes se classificam em Finos ou Nobres, Vinhos Especiais, Vinhos Comuns e Frisantes ou Gaseificados;

Leve - É o vinho com graduação alcoólica de 7° a 9,9° G.L.;

Champanhe - É o vinho espumante, resultante de uma segunda fermentação alcoólica de vinho com graduação alcoólica de 10° a 13° G.L.;

Licoroso - É o vinho doce ou seco, com graduação alcoólica de 14° a 18° G.L. Adicionado ou não de álcool potável, mosto concentrado, caramelo e sacarose;

Composto - É a bebida com graduação alcoólica de 15° a 18° G.L., obtida pela adição ao vinho de macerados e/ou concentrados de plantas amargas ou aromáticas, substâncias de origem animal ou mineral, álcool etílico potável e açúcares. São o vermute, o quinado, o gemado, a jurubeba, a ferroquina e outros.

Cor

Tinto - Elaborado a partir de variedades de uvas tintas. A diferença de tonalidade depende de tipo de fruto e maturidade;

Rosado - Produzido de uvas tintas, porém após breve contato, as cascas que dão a pigmentação ao vinho são separadas. Obtém-se também um vinho rosado pelo corte, isto é, pela mistura, de um vinho branco com um vinho tinto;

Branco - Produzido a partir de uvas brancas ou tintas, a fermentação é feita com a ausência das cascas.

Teor de Açúcar

Seco - Possui até 5 gramas de açúcar por litro;

Meio Doce (demi-sec) - Possui de 5 gramas a 20 gramas de açúcar por litro;

Suave - Possui mais de 20 gramas de açúcar por litro.

Tipos de vinho

Cabernet Sauvignon

Origem: Bordeaux, França

Onde é produzido: França (Bordeaux), Estados Unidos (Califórnia), Chile, Argentina, Austrália, África do Sul, Itália e Brasil.

Conhecida como "a rainha das uvas tintas", é a uva vinífera mais difundida no mundo. A mais clássica e conhecida das variedades de vitis vinífera, base do corte usado nos grandes vinhos de Bordeaux (Latour, Mouton-Rothshild, Lafite, Latour, Margoux, etc).

Responsável pelos melhores rótulos do planeta, seu fruto é resultado do cruzamento das uvas Cabernet Franc e Sauvignon Blanc. É bastante consistente e cresce bem em muitas denominações. Em algumas, origina vinhos de rara profundidade, riqueza, concentração e longevidade.

Malbec

Origem: Bordeaux, França

Outros nomes: Côt (Loire, França), Auxerrois (Cahors, França), Pressac.

Onde é produzido: França, Argentina e Chile.

Possui cachos e bagas de tamanho médio. Esta uva se tornou emblemática na Argentina, onde é responsável pelos melhores vinhos tintos produzidos no país.

Merlot

Origem: Bordeaux, França

Onde é produzido: França (Bordeaux), Norte da Itália, Estados Unidos, Chile, Austrália, Nova Zelândia, Argentina, Brasil.

Possui cacho geralmente alado de tamanho médio, e as bagas são pequenas. Similar à Cabernet Sauvignon, entretanto mais suave, tem sabor mais macio e aromas mais frutados.

Bordeaux

Origem: Bordeaux, França

Este vinho francês é resultado da mistura de cinco tipos de uvas: Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc, Malbec e Petit Verdot. As proporções variam conforme o produtor e a localização. Esta mescla é chamada "assemblage" e permite uma gama imensa de harmonizações.

Cabernet Franc

Origem: Bordeaux, França

Onde é produzido: França (Bordeuax, Loire), Argentina, Austrália, Estados Unidos (Califórnia) e Nova Zelândia.

Sua uva tem cacho médio, formado por bagas pequenas. É a terceira uva tinta mais importante de Bordeaux (Pommerol e Saint Emilion).

Tannat

Origem: França

Onde é produzido: Uruguai, França, Brasil, Austrália e Itália.

É usualmente utilizada em assemblage com Merlot para suavizar o vinho. Tem cacho grande e bagas médias ou pequenas. É considerado o vinho emblemático do Uruguai.

Produz vinhos estruturados e de coloração muito intensa, por ser rico em compostos fenólicos. Geralmente ácido, se for envelhecido em barrica de carvalho, torna-se relativamente mais suave e agradável.

Sangiovese

Origem: Toscana, Itália

Outros nomes: Sangiovese grosso, Brunello, Uva brunella, Morellino, Prugnolo, Prugnolo gentile, Sangioveto, Tignolo e Uva Canina.

Onde é produzido: Itália, Estados Unidos, Argentina, Austália.

Trata-se da variedade mais plantada na Itália, é a base dos grandes vinhos da Toscana - Chianti, Brunello di Montalcino e Vino Nobilo de Montpulciano. O nome significa o sangue de Júpiter.

Syrah (Shiraz)

Origem: Rhône, França

Outros nomes: Syrah (França), Shiraz (Estados Unidos, Africa do Sul, Austrália e Canada)

Onde é produzido: França (Rhône), Itália, Austrália, África do Sul, Chile e Argentina.

É proveniente do cruzamento natural entre as variedades Mondeuse Blanche e Dureza. Seu cacho é de tamanho pequeno e médio, e as bagas são pequenas. Parece se dar bem em diversas denominações. No sul da França é usada misturada com outras uvas para produzir vinhos como Châteuneuf-du-Pape e também muito utilizada no Languedoc.

Pinot Noir

Origem: Borgonha, França

Outros nomes: Spätburgunder (Alemanha), Pinot Nero (Itália)

Onde é produzido: França (Borgonha, Champagne), Chile, Itália, África do Sul, Nova Zelândia.

É uma variedade reconhecida pelos bons vinhos de sua região de origem e por sua qualidade como vinho base para a elaboração de champagne e de espumante. Ainda pouco cultivada no Brasil, tem o fruto ovalado com casca ligeiramente grossa. É uma uva inconstante e difícil de cultivar e vinificar e pode gerar tanto tintos inexpressivos como muito complexos. Sua pele é muito fina podendo machucar ou quebrar muito facilmente.

Porto

Origem: Douro, Portugal

O Vinho do Porto é o mais conhecido dos chamados "vinhos fortificados", dotados de maior teor alcoólico, resultado da adição de aguardente vinícula ao vinho, interrompendo o processo de fermentação, além de ter um processo de vinificação muito rápido, de dois a três dias. Embora existam alguns vinhos do porto secos mais difíceis de encontrar, a maioria é doce, resultado da sobra residual de açúcar que permanece no vinho quando a fermentação é interrompida.

Após este processo de adição de aguardente, o vinho passará por envelhecimento, mantendo contato com a madeira em pipas de características da Região Duriense e, posteriormente, engarrafados. Em alguns exemplares, após o engarrafamento, o vinho passar por um novo período de envelhecimento, mantendo-se reservado enquanto o vinho mantém contato com o oxigênio que sobra na garrafa após fechado.

É possível encontrar uma extensa gama de vinhos do porto, com diferenças de sabor e aroma. Isso porque, conforme o tempo e o tipo de envelhecimento, o vinho do porto apresenta determinadas características, recebendo uma classificação própria. Esse sistema também define o preço do vinho.

Chardonnay

Origem: Borgonha, França

Outros nomes: Aubaine, Beaunois, Melon Blanc e Pinot Chardonnay

Onde é produzido: França (Borgonha), Estados Unidos (Califórnia), Austrália, Nova Zelândia, Chile, África do Sul, Argentina, Brasil

Uva branca fácil de cultivar e vinificar, considerada a rainha das uvas brancas. Está espalhada em todo o mundo. É usada na produção de clássicos de alta qualidade e reputação na Borgonha, como Chablis, Montrachet e Poully-Fussé, além de ser um importante ingrediente do champanhe. Por não ser uma uva aromática, a passagem pelo barril de carvalho lhe confere maior complexidade em algumas regiões, principalmente do Novo mundo. Seu fruto é esférico e miúdo, e dá em pequenos cachos de forma cilíndrica.

Sauvignon Blanc

Origem: Bordeaux, França

Onde é produzido: França (Loire, Bordeaux), Nova Zelândia, Chile, Áustria e África do Sul.

Tem cachos e bagas pequenos. Pesquisa de DNA realizada indicou que a Sauvignon blanc e a Cabernet Franc são parentes da Cabernet Sauvignon.

Divulgação/Fabiano Mazzoti
Divulgação/Fabiano Mazzoti


Vocabulário do vinho

Conheça a seguir alguns termos que descrevem os principais componentes do vinho:

Abaunilhado: odor dos vinhos envelhecidos em barris de carvalho novo.

Ácido/ Acidez: indica a vivacidade e o frescor, e ajuda a definir e a prolongar as qualidades gustativas. Os qualificativos ( que vão da insuficiência ao excesso): chato, mole, tenro, macio, fresco, vivo, claro, franco, firme, duro, rascante, verde, acidulado, ácido.

Adstringência: sensação de secura devida aos taninos.

Álcool: confere ao vinho o "peso" que o caracteriza. Descritivos ( que vão da insuficiência ao excesso): aguado, magro, leve, de corpo médio, cheio, amplo, generoso, capitoso, pesado, alcoólico, quente.

Amadeirado: cujos odores (baunilha, madeira de cedro, caramelo, pão tostado, aromas de torrefação) e, às vezes, textura seca se devem ao uso da madeira no envelhecimento.

Amanteigado: odor muito associado as vinhos de cepa Chardonnay, amplos e muitas vezes envelhecidos em barris.

Amendoado: nuances olfativas muitas vezes presentes nos Borgonhas brancos maduros, nos Marsalas secos e amontillados (de Xerez).

Aroma: odores provenientes da uva e da vinificação.

Aromático: oriundo das cepas de um aroma particular.

Austero: qualifica a dureza de um vinho com teores elevados em taninos e acidez, que precisa de tempo para envelhecer.

Aveludado: dotado de uma textura suave e agradável.

Buquê: termo que descreve o nariz do vinho, mas sobretudo as caracteristicas olfativas derivadas da vinificação, do envelhecimento em barris ou do envelhecimento em garrafa.

Cassis: odor e gosto associados aos vinhos oriundos da cepa Cabernet Sauvignon.

Carnoso: que dá uma sensação de plenitude, de textura macia ou suave (tintos).

Cedro: o odor do cedro encontrado às vezes em vinhos envelhecidos em barris novos de carvalho de Allier (França).

Cheio: dotado de qualidades gustativas declaradas e amplas.

Condimentado: qualifica o odor de pimenta moída e alguns temperos, sobretudo nos vinhos do Rhône.
Corpo: impressão de peso e de consistência do palato.

Defumado: odor e/ou gosto dos vinhos de Sauvignon Blanc e dos tintos do vale Rhône setentrional e outros.
Efervescente: levemente espumante.

Elegante: harmoniosoe que exala intensidade, mas com ausência de impressões agressivas ou pesadas.

Equilibrado: cujos componentes "se equilibram", de modo que nenhum elemento se faz notar em sobreposição aos demais.

Evoluído: maduro pronto para beber.

Final: os gostos e aromas que se prolongam depois que se engole o vinho.

Fino: vinho de grande classe.

Firme/Firmeza: um vinho cuja estrutura segura as disciplinas os demais componentes, sem os abafar ou dominar, de modo geral um grande vinho.

Fresco: com uma leve dominância ácida e frutada.

Frutado: muitos vinhos tem nuance olfativas de uma ou mais frutas (pêssego, maça, cassis e cereja); outros exalam agradável impressão de frutas.

Generoso: rico em álcool mas equilibrado.

Gordo: cheio e com certa untuosidade. Com frescor, é boa característica: sem frescor, é defeito.

Grosseiro: utilizado para descrever a textura, em especial taninos agressivos e mal apreciados; ou aromas animais ou químicos em demasia.

Harmonioso: que não tem características discordantes.

Herbáceo: diz-se de um caráter que evoca as plantas verdes ou a grama cortada recentemente.
Macio: suave e amável, sem ser insípido.

Maduro: que dá uma impressão de doçura derivada de uvas muito maduras.

Magro: diluído ou pobre em gostos e aromas.

Nervoso: de uma acidez sustentada mas agradável.

Odor de petróleo: odor agradável, que lembra cheiro de querosene, encontrado nos vinhos de cepa Riesling que atingem a maturação.

Pelo (de animal) molhado: odor detectado nos Chardonnay e nos Sémillon que não passam por barris.
Persistência na boca: o sinal distintivo de um vinho de grande qualidade.

Rico: descreve o sabor e a textura, com bastante álcool mas sem prejudicar o vinho.

Rude: vinho pesado, agressivo, cheio de arestas, em geral devido a taninos agressivos e acidez carregada.

Rugoso: refere-se a uma textura que carece de finura.

Rústico: sem refinamento.

Tanino: extraído das cascas das uvas, produz uma sensação semelhante à que se tem ao comer banana verde, amarra a boca; fundamental para a longevidade, a estrutura e a base dos tintos,; deve ser fino.
Terroso: que evoca a terra úmida ao nariz e ao paladar.

Uva: gosto e aromas que evocam o sumo de uva fresca. Os Muscat são quase os únicos a ter essa característica.

Verde: diz-se de um vinho muito jovem, cuja as uvas não estavam maduras. Faz referência ao odor, assim como à acidez. (Fontes: Adega do Vinho, Larousse do Vinho, Casa do Vinho, Mundo Vinho e Casa Rio Verde)


Redação Bonde
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