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O chef Tatsuya Sodeyama: refeições iguais as que se comem na casa das famílias japonesas - Theo Marques
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À base de lamen e shoyu

Comida caseira do Japão é servida em Curitiba

Bia Moraes - Folha de Londrina
31 dez 1969 às 21:33
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Quem pensa em comida japonesa e logo lembra de sushis e sashimis coloridos, com dezenas de recheios e apresentações diferentes, precisa revisar o conceito. No restaurante Lamen House, em Curitiba, não há praticamente nada do que se encontra nos demais restaurantes japoneses da cidade. Ali, os clientes apreciam refeições iguais as que se comem na casa das famílias, na Terra do Sol Nascente.

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A base da refeição é o lamen - tradicional macarrão fininho, servido em potes grandes, acompanhado de molho de shoyu ou missô, algas, legumes, carnes e verdura. Parece uma sopa, mas na verdade é uma refeição completa, balanceada e bastante saudável. Além dos pratos de lamen, outros itens são oferecidos no cardápio, mas todos os pratos seguem a tradição da culinária japonesa caseira.

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Quem comanda as panelas, administra e ainda atende os clientes é o simpático chef Tatsuya Sodeyama. O local é simples e ele conta com poucos funcionários. Sodeyama conta sua história pausadamente, falando com sotaque carregado. Ele nasceu na cidade de Kawasaki, de onde saiu aos 22 anos para "conhecer o mundo". Lá, era funcionário da linha de montagem de automóveis Subaru. Mas, ao cair na estrada, se dispôs a trabalhar com o que aparecesse, para sobreviver. "Saí do Japão movido pela curiosidade da juventude, queria conhecer outros países, outras culturas", conta. Durante oito meses viajou pela Ásia e Europa. Ao chegar no Brasil, precisava de dinheiro, e foi carregar contêineres em São Paulo.


Logo a mesma empresa onde estava empregado inaugurou um departamento de entrega de marmitas com comida japonesa. Lá foi o jovem Sodeyama trabalhar com comida. O passo seguinte foi, naturalmente, ampliar a experiência com alimentação: durante um bom tempo, o rapaz foi funcionário de um restaurante no bairro da Liberdade, onde se concentra a comunidade japonesa, seus descendentes, costumes e comércio de produtos típicos, na capital paulista.


"O dono desse restaurante me ajudou muito", conta Sodeyama. No emprego, ele conseguiu juntar dinheiro, e teve apoio do patrão para abrir seu próprio negócio em Curitiba. O que atraiu Sodeyama para a capital paranaense? "Conheci a cidade em uma viagem que fiz para cá. Achei bonita, tranquila, com muito verde, boa para morar", explica. Além disso, pesquisando, o chef percebeu que ainda não havia, por aqui, nenhum restaurante servindo o tradicional lamen japonês. "São Paulo tem de tudo, né? Muito mais variedade de comida. Aqui, ainda não", complementa.

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Setenta por cento da clientela é formada por japoneses e descendentes. São muitos clientes conhecidos, a quem Sodeyama faz questão de atender pessoalmente. Logo ele dá seus passos ritmados em direção à cozinha, limpíssima e muito organizada. Os pratos não demoram a sair.


O diferencial da comida japonesa do Lamen House, além das receitas tradicionais, é que Sodeyama prepara tudo ali mesmo. A massa do lamen é feita por ele. As conservas de legumes (acelga, pepino e cenoura) também. Idem para os molhos e massa do guioza (pastel oriental). Por essa razão, tudo é saboroso, fresco e saudável. O chef tem todo o cuidado também na escolha de fornecedores para obter alimentos frescos. O capricho na cozinha e na apresentação, e os preços - bastante acessíveis - fecham a fórmula de sucesso.


Nada a ver com o de pacote

Durante a entrevista para a reportagem da FOLHA, Sodeyama se afastou por alguns minutos para atender um cliente recém-chegado. Nesse intervalo, um rapaz que jantava com a namorada se aproximou e segredou: "Ele é modesto, não conta tudo, mas pode colocar aí que o lamen é uma massa muito difícil de fazer, leva horas, e aqui ele prepara com perfeição". O jovem, conhecedor de comida oriental, aproveita para esclarecer que "muita gente confunde lamen com aquele macarrãozinho instantâneo de pacote, que custa pouco no supermercado. Mas aquele é imitação desse feito pelo Sodeyama, o verdadeiro lamen". Recado dado.


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