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Dez falhas de ​liderança e ​gestão da presidente Dilma

Wellington Moreira - Caput Consultoria e Treinamento
29 abr 2016 às 10:37
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Com a possibilidade real da interrupção do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff nas próximas semanas, creio que já é possível fazermos um balanço sobre as principais falhas de gestão que ela cometeu durante os últimos cinco anos de governo e que podem servir de aprendizado a todos nós. São elas:

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1) Assumiu um cargo que estava muito além de sua capacidade individual. O "mito da supergerente", cunhado por seu antecessor, ajudou a ganhar a primeira eleição e a contabilidade criativa impediu que os efeitos de uma política econômica equivocada viessem à tona antes das eleições passadas, mas quando a cortina de fumaça desapareceu ficou claro que ela não está à altura da posição que ocupa.


2) Diante das dificuldades, preferiu se vitimizar. Em vez de confrontar os problemas do seu governo, é comum vê-la praticar o coitadismo, jogar a culpa em terceiros e justificar-se com o imperdoável "Eu não sabia!". Se ela tivesse exercido o protagonismo lá atrás seguramente hoje não precisaria destilar o bordão "Não vai ter golpe!" em seu suspiro final.


3) Encastelou-se. Em muitos momentos críticos ela se refugiou em seu "castelo de cristal", criando um mundo fantasioso no qual os problemas pareciam estar sob controle. Quando o gestor público não sai do palácio para ver o que está acontecendo de verdade lá fora, para de descrever a realidade como ela é. Foi o que aconteceu com a presidente.


4) Não teve habilidades sociais. Uma pessoa na posição de presidente precisa ser capaz de sentar à mesa com outros líderes da sociedade e administrar suas emoções quando o impasse parece ser inevitável. O problema é que Dilma Rousseff não é uma raposa política com tato suficiente para lidar com quem pensa o contrário dela. Resultado: plantou inimigos aonde havia aliados e paralisou seu governo.

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5) Centralizou demais. Durante os últimos anos vários ministros comentaram em público que a presidente é muito centralizadora. Não os deixava tomar decisões que cabiam a eles porque queria se envolver em tudo. Esse tipo de atuação enfraquecia as pessoas que estavam logo abaixo dela, a desfocava de seu verdadeiro papel e ainda a levava a tomar decisões em áreas nas quais não tinha competência.


6) Selecionou as pessoas erradas. Muitas dos seus auxiliares próximos acabaram fracassando. Ou seja, quem poderia suprir suas áreas de incompetência também não conseguiu dar conta do recado quando os problemas se intensificaram. Pior: ao longo do seu governo, muitas deles tiveram sérios problemas com a justiça e seu vice ainda a abandonou.


7) Continuou muito próxima do seu antecessor. É muito difícil substituir um líder popular quando não se tem traquejo social e você só está no topo graças ao prestígio dele. Por isso, o bom senso pede que você mantenha uma certa distância do antecessor ou todos pensarão que quem manda de verdade é ele. Dilma Rousseff preferiu cometer esse erro.


8) Adotou o discurso "nós" e "eles". Após uma eleição tão acirrada como a de 2014, qualquer líder sensato teria buscado unir o país e esta foi a promessa da presidente Dilma na época. Contudo, assim que a economia foi se deteriorando e a Operação Lava Jato começou a afetar sua imagem, ela e o partido que representa optaram por se defender tentando dividir o país, para não ter de explicar o inexplicável.


9) Não alcançou resultados. Mesmo com tudo isso, se os indicadores econômicos fossem favoráveis talvez ela se mantivesse no poder. Só que o crescimento do PIB foi ridículo durante os últimos anos: 3% (2013), 0,1% (2014), -3,8% (2015) e previsão de -3,8% em 2016. A pior recessão enfrentada nos últimos 80 anos.


10) Cometeu um crime. A decisão de mascarar o crescente déficit fiscal e pedalar bilhões de reais com crédito disfarçado em banco público configurou o crime que está prestes a custar seu mandato.

Tomara que nosso próximo presidente aprenda com essa experiência desastrosa e todos nós, eleitores, possamos ser mais cuidadosos da próxima vez.


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