Bela Manchete

Positividade corporal e o recado de mulheres incríveis que já enfrentaram preconceito

12 mar 2022 às 16:00

 Muitas pessoas julgam que nossa sociedade se mostra mais livre em relação à aparência, estilo e a forma de comunicar das pessoas. E, muito dessa sensação vem por conta de movimentos sociais como o movimento Positividade Corporal, que trabalha em prol da aceitação às diferenças e à naturalização dos corpos fora do padrão- magra, alta, pele e cabelos lisos.


 Já tinha percebido esse incentivo e apoio aos corpos, biotipos e aparências que, muitas vezes, estão distantes do que há muito tempo tínhamos como padrão ideal de beleza?  Pois é, muito caminho ainda há a percorrermos, mas este movimento vem crescendo em relação às pessoas com sobrepeso, com nanismo, com deficiência e, doenças de pele como o vitiligo.


 E como março é um mês em que nos dedicamos a abordar as múltiplas facetas e vitórias das mulheres, fui conversar com duas lindas representantes do movimento Positividade Corporal, que usam suas redes digitais como forma de conscientização: a estudante de Direito e influenciadora, Ana Carolina Müller , que nasceu com “desarticulação do joelho”, ou seja, nasceu sem parte da perna esquerda, e, a modelo e influenciadora, Barbarhat Sueyassu, que possui vitiligo, doença de pele que apresenta a descoloração da pele. Vem conferir este material lindo!


“Eu comecei a falar sobre o vitiligo há muito tempo, mais especificamente quando surgiu o Facebook, nem existia o Instagram ainda. Mas com o surgimento do Facebook, surgiram os Grupos de aceitação e Corpo Livre. Eu sempre entendi que precisávamos falar sobre isso, para desmistificar o vitiligo, naturalizar para que as pessoas não reproduzam falácias, desinformação e preconceito”, conta a influenciadora e modelo, Barbarhat .


Já a estudante Ana Carolina , conta que sempre foi instruída a não possuir nenhum tipo de insegurança, mas que nem sempre falou sobre o assunto nas redes. “Eu nasci com desarticulação do joelho, e nunca tive nenhuma insegurança, pois sempre fui muito instruída a não ter nenhum receio de não conseguir fazer algo, sempre fui muito incentivadapela família e amigos, Mas só após aparecer em algumas fotos nas redes sociais e receber mensagens de outras mulheres me apoiando, elogiando, que vi como era importante falar sobre isso e mostrar o dia a dia, acho maravilhoso isso”.

Barbarhat conta também que entende que sua maior função hoje, é mostrar para as pessoas que possuem vitiligo que a internet e, que, o mundo é um ambiente seguro, onde elas podem viver e aparecer normalmente. “Minha presença na internet se fortaleceu quando percebi que essa era uma forma de representa-las. Que as mulheres que tem a mesma condição, se vendo ali representadas, elas conseguem levar uma vida que realmente vale a pena ser vivida, sem se esconder atrás de roupas, de muita maquiagem, delas se mostrarem como são. E saberem que aqui existe um ambiente seguro”.

 

 Por mais que Ana Carolina e Barbarhart possibilitem conteúdo significativo na internet e que possuem a mesma função: a de conscientizar, as duas possuem vivências diferentes no que diz respeito à já terem enfrentado preconceito. Enquanto Ana Carolina afirma não ter presenciado nenhuma situação constrangedora e direta de preconceito, a influenciadora Barbarhat conta que já precisou passar por situações em que o preconceito era claro. “Nunca tive nenhum receio de me expor, tanto nas ruas como nas redes sociais e escolas. E também nunca percebi nenhum preconceito. E não tenho vergonha nenhuma, sou muito feliz com a minha vida e nada me abala. Fui sempre muito respeitada pelas pessoas,e, se perguntam sobre minha condição, falo abertamente sobre a desarticulação do joelho”, esclareceu a estudante Ana Carolina.

 

 

 

“Não tenho receio algum de me expor, sempre gostei da exposição, de tirar fotos, de mostrar como sou.Mas já enfrentei preconceito, já, não só na internet, mas também pessoalmente. Esse é o “preço que a gente”, quanto mais nos enxergam mais vão falar, inclusive besteiras...Mas isso não me abala, o preconceito raramente acontece e vejo que gero mais positividade que coisas como essa”, salientou a modelo Barbarhat.

E por falarmos em enfrentamento, perguntamos a essas incríveis mulheres como lidam com a insegurança natural de cada ser humano. “Primeiramente precisamos entender que se comparar a alguém nunca é positivo. Se me comparo com alguém, com o que o outro tem, o que o outro faz melhor, a insegurança vem e é inútil. Identifique e potencialize seus próprios pontos positivos e, caso a insegurança seja grande, buscar ajuda também para entender os seus sentimentos é algo muito bom”, afirma Ana Carolina.

“Atualmente eu me sinto segura,apesar de ter minhas inseguranças normais. Acredito que se sentir inseguro é algo muito normal,que ninguém é % seguro com tudo, porém eu construí uma rede,uma rede que eu digo é buscar conteúdo e influenciadoras que me inspiram de alguma forma,e não somente mulheres que sejam parecidas comigo fisicamente, mas mulheres em que admiro a beleza única delas.Com isso, sigo muitas mulheres diferentes, que acabam me conscientizando sobre a s diferenças. E isso me faz não querer me comparar, a não comparar processos. Nunca serei igual a algumas influenciadoras que sigo e nem é pra ser, cada um é belo do seu jeito”.


 E o Blog Bela Manchete terminou a entrevista pedindo para que essas mulheres que realmente só passam positividade, falassem quais são seus mantras. “Eu faço da dificuldade a minha motivação. A volta por cima vem na continuação. O que se leva dessa vida é o que se vive é o que se faz”, um refrão da música Pontes Indestrutíveis, da banda Charlie Brown Jr. é o mantra da estudante e influenciadora, Ana Carolina Müller;

 Já o da influenciadora e modelo, Barbarhat é uma citação que ela expõe em vários lugares. “Inclusive minha frase da bio do Instagram é “Minha missão é “quebrar padrões” e quebrar espelhos”. Assim que eu li, eu adotei para a minha vida, pois acredito que a gente tem de ter coragem de sermos nós mesmos mesmo não sendo perfeitos. É se respeitar”.

 E será que essas super mulheres que só crescem nas redes digitais têm mais projetos de vida?  De acordo com Ana Carolina, os projetos poderão demorar, mas ela já sabe o que quer. “Sei que podem demorar um pouco, mas pretendo seguir carreira na área da Segurança Pública como Delegada de Polícia, sei que é difícil, mas nada é impossível. E futuramente me tornar Juíza, estudo muito para isso. Eu realmente acredito que não devemos desistir dos nossos sonhos”.

 

“faz parte do meu projeto ampliar cada vez mais o esclarecimento sobre o vitiligo. Quero muito trabalhar com crianças, adolescentes e jovens tanto no ambiente escolar como fora dele, promover grupos de discussão e conversas sobre autoestima. É importante que todos, não somente os adultos tenham acesso a conteúdos mais reais , que possamos mostrar mais o real e não somente o “instagramável”. Que as pessoas se inspirem cada vez mais em perfis que incentivam a aceitação e a autoestima, apesar dos apesares”.

E aí, pessoal, muito conteúdo e conscientização com essas #incríveismulheres , certo? Vem conferir os perfis dessas mulheres que já me inspiram @carolwmuller e @barbarhat .


E lembre-se, quer sugerir uma pauta, fale com a gente pelo @belamanchete .

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