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ADRIANO NÓBREGA

Oposição cobra investigação sobre áudio de irmã de ex-PM que cita Planalto

Tayguara Ribeiro- Folhapress
07 abr 2022 às 11:14
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Políticos de oposição ao governo Jair Bolsonaro (PL) cobraram explicações nesta quarta-feira (6) sobre uma escuta telefônica feita pela Polícia Civil do Rio de Janeiro há dois anos que mostra uma irmã do ex-policial militar Adriano Magalhães da Nóbrega acusando o Palácio do Planalto de oferecer cargos comissionados em troca da morte do ex-capitão.

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Na gravação revelada pelo jornal Folha de S.Paulo, Daniela Magalhães da Nóbrega afirma a uma tia, dois dias após a morte do irmão em uma operação policial na Bahia, que ele soube de uma reunião envolvendo seu nome no palácio e do desejo de que se tornasse um "arquivo morto".

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Gleisi Hoffmann, presidente do PT e deputada federal pelo Paraná, afirmou que o caso é "gravíssimo". O mesmo termo foi utilizado por outra aliada do ex-presidente Lula, Manuela D´Ávila (PC do B), que foi candidata à vice-presidente na chapa de Fernando Haddad nas eleições de 2018.

Guilherme Boulos, do PSOL, referiu-se ao caso como "queima de arquivo". "Irmã de miliciano ligado a Bolsonaro fala que o governo ofereceu cargos em troca de seu assassinato", disse Boulos.


LEIA TAMBÉM: Planalto ofereceu cargos pela morte de ex-PM ligado aos Bolsonaros, disse irmã

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Adriano foi morto em 9 de fevereiro de 2020 após mais de um ano foragido sob acusação de comandar a maior milícia do Rio de Janeiro. Ele também era suspeito de envolvimento no esquema da "rachadinha" no antigo gabinete do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na Assembleia Legislativa fluminense.

Na gravação autorizada pela Justiça, Daniela Magalhães da Nóbrega diz: "Ele já sabia da ordem que saiu para que ele fosse um arquivo morto. Ele já era um arquivo morto. Já tinham dado cargos comissionados no Planalto pela vida dele, já. Fizeram uma reunião com o nome do Adriano no Planalto. Entendeu, tia? Ele já sabia disso, já. Foi um complô mesmo".

O deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) disse que "um governo miliciano é capaz de tudo, até de queima de arquivo".

Outro parlamentar a se pronunciar e cobrar investigação foi Alessandro Molon (PSB-RJ).

"Queima de arquivo? Uma irmã de Adriano da Nóbrega acusa o Palácio do Planalto de oferecer cargos comissionados em troca da morte do ex-capitão, mostra reportagem da @folha. Adriano era amigo dos Bolsonaro e suspeito de participar de esquema no gabinete de Flávio. Investigação Já!".

O senador petista Humberto Costa afirmou: "Urgente! Nova escuta telefônica, realizada pela Polícia, levanta suspeita de envolvimento de Bolsonaro e seus filhos na morte do ex-PM Adriano Nóbrega. O Planalto, inclusive, teria chegado a oferecer cargos públicos em troca do assassinato de Adriano".

Já o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) disse que a notícia era uma bomba.
"Planalto ofereceu cargos pela morte de Adriano da Nóbrega. É o que revela áudio da irmã dele. É estarrecedor, um bando de milicianos usando de qualquer meio para eliminar que não interessa mais pra eles. Não é um governo, é uma quadrilha", afirmou.

A gravação faz parte das escutas realizadas pela polícia no âmbito da Operação Gárgula, às quais a Folha de S.Paulo teve acesso, que miraram o esquema de lavagem de dinheiro e a estrutura de fuga de Adriano.
Por mais de um ano a polícia ouviu conversas de familiares, amigos e comparsas do ex-PM. Daniela não é acusada de envolvimento nos crimes do irmão.

Procurados, o Palácio do Planalto e a defesa de Daniela não se posicionaram sobre o conteúdo das escutas.

As suspeitas sobre as circunstâncias da morte de Adriano foram levantadas pelo próprio presidente Jair Bolsonaro, dias após a ocorrência na Bahia. Ele e Flávio defenderam uma perícia independente para analisar o caso.

Bolsonaro tem vínculos com Adriano ao menos desde 2005, quando num discurso na Câmara dos Deputados criticou a condenação do então tenente da PM em razão da morte de um flanelinha numa operação policial.

Dois anos depois, em 2007, a então mulher do ex-PM, Daniella Mendonça, foi empregada no gabinete de Flávio na Assembleia do Rio. Em 2016, foi a vez da mãe de Adriano assumir um cargo no mesmo lugar. As duas também são acusadas de envolvimento no caso da "rachadinha".

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