O charme, a beleza e o glamour de peças antigas, por muito tempo, levaram arquitetos, decoradores e gente que não abre mão da exclusividade a garimpar relíquias em antiquários. Esta busca também se apresenta na área arquitetônica com a valorização de projetos personalizados, que encontram na reciclagem de materiais charme e ousadia.
Tijolos e madeiras de demolição, que antes tinham destino certo nos aterros sanitários, ganham texturas, cores e refinamento na mão de designers de interiores e arquitetos. A arquiteta Cláudia Hypólito, que utiliza esses materiais em seus projetos, salienta que o uso vai além de tendências. "Une-se beleza à conscientização e isso é determinante na apresentação do projeto e na hora do cliente definir o que gosta". A exclusividade também pesa, assegura Hypólito. "Quem não quer ter uma peça única na sala de estar ou uma concepção exclusiva de um espaço físico?"
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Atualmente, são muitos os materiais na construção civil e no design de interiores que oferecem similares ecologicamente corretos, desde objetos de decoração produzidos a partir de recicláveis, mobiliários restaurados ou feitos de madeiras de reflorestamento até telhas fabricadas com tubos de pasta de dente ou plásticos PET.

"Peças restauradas e materiais reciclados, como as madeiras de demolição, por exemplo, agregam personalidade ao projeto. Os tijolos, usados de forma aparente, mostram a beleza in natura do material e em alguns casos trazem a idéia de simplicidade associada à autenticidade. Isso agrada porque além de ter valor estético ajuda a preservar".
Segundo o pesquisador do Cempre (Compromisso Empresarial para Reciclagem), Ivo Milani, o mercado de resíduos urbanos reutilizáveis está em franca expansão e já movimenta uma cifra bilionária no Brasil, de R$ 8 bilhões por ano.

Apesar dos avanços e da maior conscientização, o uso de materiais reciclados ainda encontra obstáculos, como o alto custo da coleta seletiva e a logística reversa, que representa o gasto para encontrar o produto usado. Segundo o Cempre, falta também uma política tributária coerente para o setor, que ao produzir o reciclado arca com os mesmos encargos de uma matéria-prima nova.