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Poesias de Dílson Catarino

04 jun 2010 às 15:59
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EXISTÊNCIA

O velho cão gania à porta da pequena casa.
A lua, espreitando por entre os galhos das árvores,
assemelha-se a lanterna etérea,
reverberando-se por entre a densa neblina.

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A passos lentos e pesados reviso minha airosa existência
e sinto que não existo;
são os outros que me percebem como querem que eu seja.

Dói-me o corpo; não posso abaixar-me: escoliose, cifose.

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Sinto saudades das andanças por ruas quase desertas,
voluptuosas ruas de minha adolescência,
nas úmbrias madrugadas, com muitas cervejas e amigos.

Não que a tristeza tenha pousado em minha sina;
é só saudade mesmo.

Há muito do meu passado que quero apenas no passado.

Moldei-me; já não sou o mesmo de outrora – estranho se o fosse.
Não tenho tempo mais para frases soltas.

O silêncio habita meu mundo, mas não há o vazio,
não há a solidão ou os sentimentos entorpecidos,
o que há é uma obstinada sensação de veleidade.

As fantasias contorcem-se na essência da memória,
frêmitos lancinantes misturam-se com desejos obcecados,
distendendo meu corpo numa lassidão sublime,

e eu fico sem saber o que o velho cão,
ganindo à porta da pequena casa,
tem de interessante para entrar nessa história.

Dílson Catarino


TER ESTER

Gosto de sentir sua pele
em minha pele sua boca
em minha boca seus cabelos
em meu rosto seu corpo
em meu corpo sua mente
em meu mundo seu mundo
em minha mente seu passado
em meu futuro seu futuro
em meu presente.

Gosto de ser seu presente
você é meu destino desatino
me deixa menino pequenino
quando cafuné me faz
quando suas unhas riscam
minhas costas como resposta
arrepio-me por puro prazer.

Quero fazer seu prazer
quero a seus pés me entreter
quero em você me perder
em você me prender
e me render.

Não adianta
de sua vida não saio
dentro de você desmaio
sou um raio
tênue aconchegante
sou a lua radiante
em seu céu sem fim

eu sou o fim.

Dílson Catarino


EU E VOCÊ

quero porque quero querer
seu cheiro em minha vida
não me importa se é já
ou se é muito depois

o que me importa é
ter um filme a assistir
ou cervejas a tomar
porém sempre com você

o que quero é estar
no seu sonho ou pesadelo
e por acaso penetrar
em seu mundo de quimera

você é a minha madrugada
é meu carinho em um cão sem dono
é meu sonho em uma estrada de madrugada
é meu cheiro de lenha molhada
é minha ópera de madrugada
é a minha própria madrugada

você sem mim
é meio sem fim
eu sem você
sou todo sem quê.

sou inteiro sem porquê
sou montante sem sem
sou eu sem ser você
sou você sem ser você

minha vida é sem Drummond
o duro é estar Byron
querendo estar em você
e sentir-me com você
e meio sem saber
sempre sou você

EU EM VOCÊ
VOCÊ E EU

Sem você não me há o eu
Falta-me o que não sou
Pois só sou com você.

Dílson Catarino


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