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Procura-se um patriota.

04 jun 2010 às 15:34
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PROCURA-SE UM PATRIOTA

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Na seção de cartas da Folha de Londrina, no Dia das Mães de 2010, havia um texto de Tadeu Arilson Stultzer, advogado londrinense, que tomo a liberdade de divulgar. Escreveu ele o seguinte:

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"Procuro um patriota na mais ampla acepção da palavra. Um homem consciente de seu dever cívico para com a população que trabalha e paga (todos os) impostos criados ao bel-prazer de um famigerado Congresso que não vê além do próprio umbigo. Um homem que, ao deitar-se, à noite, pergunta apenas se fez o bem que podia ao seu país. Um homem que, antes de temer as leis venais, impróprias e feitas com propósito de burlá-las, teme a própria consciência. O Brasil precisa urgentemente de um patriota. Procuro um patriota porque já estou cansado de ver criminosos comendo e bebendo às nossas custas. Um homem que tenha como vetor a verdade e o progresso. Ajudem-me a achá-lo, pois creio que em meio a todo esse joio há sim patriotas dispostos a acreditar no Brasil".


A carta de Tadeu trouxe-me à lembrança um texto de Mário de Andrade, publicado no Jornal A Noite, de São Paulo, em 1925, e que foi questão do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) em 2000. Ei-lo:

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BASTANTE VERGONHA NA CARA!


"Precisa-se nacionais sem nacionalismo, (...) movidos pelo presente mas estalando naquele cio racial que só as tradições maduram! (...). Precisa-se gentes com bastante meiguice no sentimento, bastante força na peitaria, bastante paciência no entusiasmo e sobretudo, oh! sobretudo bastante vergonha na cara! (...) Enfim: precisa-se brasileiros! Assim está escrito no anúncio vistoso de cores desesperadas pintado sobre o corpo do nosso Brasil, camaradas."


Oitenta e cinco anos separam os dois textos, mas são muito semelhantes em seu teor. Em 1925, Mário de Andrade procurava gente com vergonha na cara; certamente era material escasso naquela época. Stultzer procura gente que tema sua própria consciência, antes de temer as leis criadas com o propósito de serem burladas. O cidadão que teme sua própria consciência tem vergonha na cara e não quer desrespeitar os valores morais vigentes por saber o que é moralmente certo. Esse é o cidadão que nos interessa.


PROCURAM-SE BRASILEIROS DE FATO.


Stultzer procura hoje o que Mário de Andrade procurava naquela época: brasileiros, mas brasileiros de fato; será possível encontrá-los hoje? Ao que tudo indica, Mário de Andrade não os encontrou no passado. O que significa, porém, ser brasileiro de fato? E o que significa ser patriota? Há algo de especial em ser patriota? Não basta amar a pátria?


Ser patriota é ser brasileiro, e ser brasileiro não significa apenas vestir-se de camiseta amarela em época de Copa do Mundo e colocar bandeiras do Brasil nas janelas de casa e dos automóveis. É brasileiro de fato aquele que ama o país e presta serviços a ele. Esse é o cerne da questão. É disso que precisamos hoje e de que o Brasil sempre precisou e sempre precisará: de pessoas que não somente morem na cidade, mas que participem dela ativamente, praticando ações em prol da comunidade sem pensar em ter algo em troca. É dar sem receber.


INSENSÍVEIS AOS PROBLEMAS NACIONAIS.


O que vemos hoje, no entanto, infestando as nossas câmaras municipais, estaduais e federal além de muitos ocupantes das cadeiras do poder executivo, são crápulas insensíveis aos problemas nacionais. Falam em nome do povo em épocas de eleições, para, depois, agirem em prol de uma única senda: locupletar-se. Esses não são patriotas. Desses prescindimos; esses dispensamos. Esses não têm como vetor a verdade nem o progresso.

Mário de Andrade procurava vergonha na cara. Tadeu Stultzer, quem faz o bem que pode ao seu país. A procura pode ser cansativa, mas é necessária. Encontrar um patriota não é impossível, pois cá estamos nós, que o somos. O difícil é engrossar nossas fileiras com pessoas de bem que estejam prontas para trabalhar pela comunidade sem benefício próprio algum. Isso é ser cidadão. Isso é ser patriota. Conhece quem o seja? E você? É-o?


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