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Loura Checa, na temperatura ideal. - Divulgação
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Praga!

31 dez 1969 às 21:33
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Calma, não estou desejando nenhum tipo de mau agouro, tampouco relembrando o grotesco personagem do extinto Show da Xuxa, que deve ter tirado o apetite de várias crianças da minha geração. Só tento expressar em palavras todo meu entusiasmo com a capital da República Tcheca, uma das cidades mais incríveis onde já jantei.

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Claro que, como toda capital européia, Praga está repleta daquelas atrações turísticas clássicas e também de turistas. Mas você já deve saber, muito turista junto, além de encher o saco, é sinônimo de comida ruim. Sendo assim, vamos pular todas as outras indicações de roteiro para Praga e ir direto para a comida, no caso, a boa.

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Além do mais, isso aqui não é guia de viagem. Então, se você estava só procurando informações turísticas, mude de página agora. Continuar lendo esse texto não vai te ajudar em nada além de te deixar com fome.


E falando em fome, essa foi uma das primeiras coisas que senti em Praga. A noite mal dormida no aeroporto Charles de Gaulle, o sanduíche sem vergonha servido pela companhia aérea e o receio de estar a 30 mil pés dentro de um aparelho construído na mesma década do fusca 66 do meu tio Geraldo, só contribuíram para aumentar meu apetite. Isso porque eu tenho o mau hábito de comer quando estou nervoso.

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Mas a recepção tcheca não poderia ter sido melhor. No próprio hostel, lugar incomum para se ter uma boa refeição, eu me deparei com um café da manhã típico e animador. Além de todas aquelas opções clássicas de café da manhã, tenho que destacar a salada de repolho com iogurte, a mostarda e as salsichas de ótima qualidade. Se o dia em Praga começava daquele jeito, eu mal podia esperar pelo jantar.


Só que entre uma coisa e outra, a próxima atração a ser explorada em Praga era o almoço. Então, eu que tenho mania de procurar sempre os lugares mais típicos e pitorescos, renegando as opções turísticas e os cardápios inteligíveis, acabei numa espécie de taberna saída diretamente da idade média. Por meio de gestos e grunhidos, estabeleci algum tipo de comunicação rudimentar com a atendente e, algum tempo depois, foi servido, só para mim, um pão que poderia ter alimentado todos os convidados da santa ceia. Isso, claro, sem contar com o delicioso e espesso Goulash que estava dentro do pão e um pequeno balde da cerveja da casa.


Aliás, a cerveja é um assunto muito sério na República Tcheca, de longe o país mais especializado na bebida. Inclusive, para quem não sabe, a cerveja pilsen, o tipo mais consumido no Brasil e no Mundo, tem este nome por ser original da cidade homônima que fica na República Tcheca. Mas a pilsen é só um dos vários tipos de cerveja que se encontra em Praga, e provar todas elas não é tarefa fácil.


Eu bem que tentei, fazendo uma parada estratégica em algum bar toda vez que precisava atender ao chamado da natureza. Assim evitava pagar as abusivas taxas de utilização dos banheiros públicos e ainda degustava diferentes tipos de cerveja. Mas, como você pode imaginar, essa estratégia gera um tipo de ciclo vicioso, exigindo cada vez mais paradas e comprometendo seriamente o senso de direção. Ou seja, mau negócio para viajantes que não conhecem muito bem a cidade, principalmente se essa cidade for Praga.


A orientação geográfica em Praga, aliás, mereceria um capítulo à parte. Há duas numerações e os nomes das ruas que já são difíceis de lembrar por serem em tcheco ainda se confundem nas placas com os nomes dos bairros. Não sei se carteiro em Praga ganha bem, mas deveria.


Só que nenhuma dessas dificuldades é empecilho para um apetite implacável como o meu, e foi por estar com muita fome que, depois de horas andando num bairro que mais parecia um labirinto, eu finalmente cheguei ao restaurante da famosa fábrica de cervejas Staropramen, que fica nos subúrbios de Praga.


Pode se dizer que este lugar é um achado, daqueles que você conta com orgulho, como se fosse o próprio Marco Pólo narrando a descoberta do macarrão. Na fábrica, você pode pagar alguns poucos euros por uma visita guiada e depois beber cerveja à vontade, direto de umas torneirinhas. Ou, se der sorte como eu, pode apenas beber, e de graça.


Foi o que aconteceu comigo, quando o guia, que era um aficionado pelo Brasil, soube que eu representava a terrinha. Ele foi logo cantando as belezas do país e mandou em mau português: "vai uma loura gelada?" Ao que eu só poderia responder que sim, embora a cerveja não estivesse tão gelada assim, costume local que não prejudica em nada a qualidade da bebida tcheca.


Já no restaurante, Praga continuou mantendo o nível de qualidade, tanto da comida quanto das surpresas. O lugar oferecia uma mistura de pratos típicos com culinária contemporânea. Então, seguindo a regra da comunicação não verbal, na hora de escolher, eu apenas apontei meu dedo para um amontoado de letras e sinais pictográficos que estavam no cardápio.


E a surpresa da vez foi uma deliciosa carne, que acredito ser de gado, cozida demoradamente até quase desmanchar, servida sob uma geléia de frutas vermelhas e acompanhada de um molho cítrico e fatias de pão cozido no vapor.


Embora eu não faça a menor idéia do nome desse prato, imagino que ele seja meio comum por lá, já que um amigo que havia estado em Praga uns meses antes, me recomendou provar esse mesmo prato. Claro que ele também não sabia o nome, mas insistiu que eu desse um jeito de experimentá-lo. Por isso recomendo o mesmo pra quem visitar Praga.

Depois do banquete, me restava a difícil tarefa de voltar para o hostel, empanturrado e num leve estado de embriaguez. Foi então que descobri a provável razão pela qual a maioria das cidades européias foi construída as margens de algum rio. A resposta só pode ser senso de direção, já que uma segunda hipótese seria o preço dos banheiros públicos, o que não combina com a civilidade do povo europeu.


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