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Olga, o livro - Fernando Morais

25 ago 2004 às 11:00
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O que pensar de um livro intitulado como "Olga"?

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- Que trata da vida de uma mulher chamada Olga?

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Sim, caro leitor. É isso.


- Só isso?

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Nunca é SÓ isso ao tratar desse gênero chamado "livro-reportagem". Nesse caso, uma biografia.


Fernando Morais, autor da obra, além de viajar para vários pontos do planeta em busca de informações confiáveis sobre a alemã Olga Benario, revirou uma quantidade de papéis e documentos capazes de alimentar as traças dos arquivos da União até o pagamento da dívida externa.


Uma pesquisa soberba, que exigiu muito trabalho e muito tempo.


- Mas é só isso que torna o livro bom?


Calma aí, leviana voz retórica. A pesquisa levantou os dados que permitiriam a execução do trabalho de escritor. Não esqueça as implicações do livro-reportagem.


Para um livro receber a alcunha extra "reportagem", deve se comportar de acordo com as normas jornalísticas. Basicamente, é uma reportagem BEM grande.


Não apenas livro-reportagem, "Olga" é também representante do jornalismo literário.


- Livro -reportagem já não é jornalismo literário?


Não, inquieta voz. É provável que um livro-reportagem seja um exemplo de jornalismo literário, mas não é necessário que o seja. Para fazer jornalismo literário é utilizar-se de elementos reconhecidamente literários em um texto jornalístico.


Em "Olga" esses elementos transparecem na estruturação dos capítulos e na apresentação das informações, produzindo no leitor apreensão, expectativa e forte carga emotiva. Vai além do puramente informativo.


- Mas qual é a história do livro?


O livro aborda desde sua juventude e seus primeiros contatos com o movimento até sua morte em um campo de concentração em Bernburg, na Alemanha.


Olga era membro e agente do Partido Comunista Internacional reconhecida por sua disciplina e audácia. Certa vez liderou o resgate do líder comunista Otto Braun, enclausurado em uma prisão de Berlim. Após a operação ambos fogem para a União Soviética, onde Olga recebe treinamento de guerrilha.


É enviada ao Brasil para, ao lado de Luís Carlos Prestes, promover a revolução comunista no país. Após uma tentativa fracassada acabam presos. Na prisão, Olga descobre-se grávida de Prestes. Mesmo assim é deportada para Alemanha.


Em sua terra natal, Olga cumpre pena por dois delitos cometidos contra o estado nazista: ser comunista e ser judia. Enviada a um campo de concentração, tem o mesmo fim de milhares de judeus. Desgraça que a história já contou.


É preciso lembrar também o contexto histórico em que se passa a história de Olga Benario. A ascensão do Movimento Comunista Internacional à partir do sucesso da Revolução Russa, o surgimento dos regimes totalitários na Europa (como nazismo e fascismo) e o governo populista de Getúlio Vargas no Brasil, notório pela caçada aos comunistas e pelos maus tratos destinado aos presos políticos.


"Olga" não é uma reportagem grande sobre uma agente comunista que participou de um fracassado golpe revolucionário. Ou melhor, não é só sobre isso. É sobre uma mulher que acreditou numa revolução como saída para o mundo em que vivia.


É um grande livro que apresenta um momento importante na história do Brasil, pelo viés da biografia da alemã Olga Benario. É um documento histórico de grande relevância. Sem a parte chata dos processos e documentos oficiais.

Leituras Relacionadas: "Chatô, Rei do Brasil" ( Fernando Morais);" O Cavaleiro da Esperança" (Jorge Amado), "Memórias do Cárcere" (Graciliano Ramos); "O Processo" (Franz Kafka); "O segredo de Joe Gould" (Joseph Mitchell) e "Notícia de um seqüestro" (Gabriel García Márquez).


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