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Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século - Marcelino Freire (org.)

28 jul 2004 às 11:00
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Uma proposta interessante e resultados satisfatórios.

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Uma análise em 47 letras.

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Vários autores defendem a idéia de que escrever é cortar palavras. De que o escritor deve se ater ao essencial. Que a literatura acontece no entre linha e no quase dito.


Rubem Fonseca em seu "Pequenas Criaturas" conduz contos de 2 ou 3 páginas. De maneira magistral, ressalte-se.


Os tempos atuais parecem ser pródigos em reduzir. Tempo, atenção, força de vontade, tolerância, páginas.

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Marcelino Freire propôs a 100 autores brasileiros que escrevessem um conto, ou melhor mini-conto, em até 50 letras. Não entram na conta sinais de pontuação ou o título.


O que se apresenta como resultado desse desafio é o livro "Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século".


A literatura em seu formato mínimo.


Os Mini-contos transitam entre vários "gêneros": piadas, diálogos, trechos de histórias, clímax, contos e brincadeiras com a forma reduzida. Essa variedade provavelmente se deve à novidade do formato mini-conto.


Não há um canône instituído no gênero. Um texto que sirva de espelho para os autores. Acredito que em breve essa carga cairá no colo de Dalton Trevisan, autor conhecido pelas formas curtas e diretas, que já tem trabalhado com trechos de seus próprios contos não maiores que um parágrafo, contos hai-cais, mini-contos e passagenzinhas (como nas obras "111 Ais" e "234").


No geral, o livro é muito interessante. Vários dos textos são muito bons. Uma concisão assustadora. Uma gama de significados enterrada em (e entre) 50 letras. Parece ser um trabalho de genialidade impar.


Mas não é bem assim.


Já aparecem autores baseados em fórmulas fáceis. Aquelas fórmulas que resolvem o caso sem muito trabalho.


Sejamos práticos. Veja o exemplo:


Gravidez


Não acredito..


Troque o título por Retorno dos Gigantes, Na Sala de Aula, Confessionáro do padre Quevedo, Te Amo, O Dedo Apontado, A Prova, A Verdade, Testamento, A aposta, etc.


Todos eles geram mini-contos. Basta se utilizar de uma expressão genérica e caçar eventuais títulos. Pronto! Mini-conto.


Tenho medo que a forma aparentemente simples descambe como aconteceu com a poesia moderna. Qualquer zé ruela despreparado, sem leituras ou estudos de poesia pode se pôr a poetar. Como se fosse fácil assim. Como se uma produção artística autêntica não se originasse do trabalho, análise e retrabalho.


Estamos diante se não do surgimento de uma nova forma, de seu aprimoramento e desenvolvimento. Poucas publicações se dedicam a ela ainda. Essa coletânea é uma ótima forma de passar a conhecê-la.


De maneira rápida e indolor.


Produzida por bons autores, é um ótimo começo.


É instigante descobrir como fazer um conto com 50 letras.

E não é tentadora a idéia de escrever com tão poucas letras?


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