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IPCA menor autoriza nova redução dos juros

13 abr 2004 às 11:00
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A inflação medida pelo IPCA, indicador balizador da política monetária no sistema de metas de inflação, caiu de 0,61% para 0,47%. O resultado ficou ligeiramente acima das nossas expectativas (0,4%) e das expectativas do mercado (entre 0,4% e 0,45%). O resultado ratificou as expectativas de que a partir de março o índice cairia para um patamar abaixo do observado no primeiro bimestre de 2004. No resultado acumulado nos últimos 12 meses, o índice passou de 6,69% para 5,89%, ou seja, manteve sua trajetória de convergência para a meta de inflação estipulada para este ano (5,5%), movimento que deve ser observado até meados deste ano. O indicador acumulou 1,85% de variação no primeiro trimestre, o que significa uma inflação anualizada de 7,6%, portanto, acima da meta. Essa diferença será compensada no 2º trimestre com variações mais baixas.
A queda do índice em relação a fevereiro foi decorrente do fim da pressão do grupo Educação, que passou de 6,7% em fevereiro para 0,62% em março, além da queda dos preços dos combustíveis, principalmente do álcool (-12,9%). Entretanto, como havíamos alertado no Global Briefing de 24/mar - IPCA-15 despenca em março e ratifica nova queda dos juros -, os combustíveis seriam reajustados no início de abril. Hoje (07/abr), os preços dos combustíveis foram reajustados em média 8% na cidade de Curitiba, conforme constatou pesquisa elaborada pela Global Invest.
O grupo Alimentos e bebidas subiu de 0,15% em fevereiro para 0,43% em março, o que se deve à recuperação dos preços dos turbéculos em relação a fevereiro, quando houveram significativas quedas nos preços de alguns desses produtos. Portanto, esperamos que o movimento de alta observado em março não seja intensificado nos próximos meses.
Já o grupo Vestuário, que foi um dos destaques de alta, passou de deflação de 0,23% em fevereiro para variação positiva de 0,46% em março decorrente do fim das liquidações e promoções da coleção Primavera-Verão e, principalmente, em virtude da entrada da coleção Outono-Inverno. Entretanto, esse movimento de alta deve ser inferior ao observado em anos anteriores em virtude dos indicadores do mercado de trabalho ainda apresentarem um quadro não favorável para ocorrerem reajustes elevados.

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NÚCLEO DA INFLAÇÃO:
Todas as medidas de núcleo da inflação apresentaram alta em relação a fevereiro. O núcleo pelo critério das médias aparadas com suavização passou de 0,48% em fevereiro para 0,76%. Em termos anualizados, o núcleo ficou em 9,5% contra 5,9% no mês anterior.

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TAXA DE JUROS REAIS:A taxa de juros reais efetiva, extraída pela razão entre os valores do CDI e do IPCA acumulados nos últimos 12 meses, subiu de 13,9% em fevereiro para 14,3% em março, o maior nível desde dez/1999 (14,9%). Esse movimento crescente dos juros reais se deve à manutenção dos juros nominais em patamares elevados e à forte queda da inflação.
A mesma trajetória de alta deverá ser observada na taxa de juro real projetada para os próximos 12 meses caso os juros sejam mantidos em 16,25%. Utilizando as expectativas de inflação (IPCA) para os próximos 12 meses de 5,55% indicada na pesquisa Focus do Banco Central do dia 02/abr e a taxa de juros básica (Selic) de 16,25%, os juros reais projetados deverão subir de 10% para 10,1%. Essa taxa só deverá apresentar queda caso os juros nominais sejam reduzidos para 16%.


EXPECTATIVAS PARA O COPOM:Na próxima reunião do Copom, que ocorrerá nos dias 13 e 14 de abril, esperamos que a taxa de juros básica seja reduzida para 16% ao ano, ou seja, ao menos uma redução de 0,25 ponto percentual deverá ocorrer.
Nossa expectativa é embasada nos seguintes pontos:
i) baixo nível de emprego e renda, que não sancionam aumentos de preços no varejo, deve continuar ao menos até o segundo semestre, portanto, não remete risco ao quadro inflacionário;
ii) expectativa de inflação moderada para os próximos meses em virtude da ausência de reajustes de tarifas públicas, bem como do esvaziamento de pressões sazonais altistas;
iii) baixo nível de repasse do aumento dos preços dos insumos industriais para o varejo;
iv) melhora do nível de emprego nos EUA eleva as chances da taxa de juros básica (FED FUND RATE) subir ainda este ano, o que certamente marcará o início de uma nova realocação de capitais no mundo. Isso praticamente obrigará o Brasil a manter os juros parados, portanto, quando isso ocorrer é aconselhável que a taxa esteja em um nível muito menor que o atual para continuar dar alento à economia doméstica.

Créditos: Alexsandro Agostini Barbosa é economista da Global Invest


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