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Álbum chegou às lojas no início da semana - Reprodução
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"Crescimento" confuso

06 jan 2006 às 11:00
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A culpa é dos Beatles. Foram eles que difundiram o padrão de que bandas que começam fazendo rock básico têm que "evoluir", "vislumbrar novos horizontes sonoros", "experimentar". No caso dos Strokes, a opção de tentar mudar o som parecia inevitável: em 2003, quem ouviu "Room On Fire", basicamente uma reciclagem do álbum de estréia, "Is This It" (2001), ficou com a impressão de que o quinteto nova-iorquino seguiria o modelo Ramones de carreira, 20 anos no mesmo estilo, fazendo sempre o mesmo disco.

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Fãs e imprensa não tiveram constrangimentos em apontar que a turma do vocalista Julian Casablancas estava se repetindo, e os Strokes acusaram o golpe. Desde o início das gravações do terceiro álbum, "First Impressions Of Earth" (Rough Trade – importado), que chegou às lojas no início desta semana, os integrantes da banda comentaram que a seguir viria algo "novo", uma mudança de rota. Isso realmente ocorreu, ao menos em parte. Mas "First Impressions..." está longe de ser um triunfo, uma afirmação de exuberância criativa.

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O disco é confuso demais. Apenas duas canções são tão boas quanto as contidas nos dois primeiros álbuns: "You Only Live Once" e "Heart In A Cage". A primeira mantém a linha Strokes de melodia adesiva e guitarras deliciosas que hipnotizam com poucos acordes e levada manhosa. A segunda, mais agressiva, mistura a sonoridade típica do quinteto com inauditos ares épicos, em fraseados de guitarra exibicionistas e batida elegante.


O restante do álbum pode ser dividido em duas vertentes: a primeira é composta de canções que seguem a fórmula dos discos anteriores, mas exalam odor burocrático, são pouco inspiradas ("Juicebox", "Razorblade", "The Ize Of The World"). A segunda via, predominante, aliás, é uma seqüência de tentativas frustradas de construir "paisagens" sonoras. "Ask Me Anything", "Evening Sun", "Killing Lies", "15 Minutes" e "Fear Of Sleep" tentam ser densas, psicodélicas e "adultas", mas são chatas de dar sono. Os resultados são forçados e inconsistentes, e apenas realçam as limitações técnicas da banda. E os vocais de Casablancas estão cada vez mais arrastados, bêbados e cansativos.

No fim das contas, "First Impressions..." deixa aquela incômoda sensação de que o melhor dos Strokes, a banda que definiu o rock dos anos 00, ficou no passado. Tomara que o quinteto tenha forças para recuperar o brilho dos dois primeiros álbuns. Para isso, talvez tenha que aprender uma lição: algumas bandas não precisam crescer.


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