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Disco de estréia deve sair no Brasil em março - Reprodução
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Sem má vontade

27 jan 2006 às 11:00
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Confesse: você está louco para odiar os Arctic Monkeys. O hype em torno desses pirralhos ingleses, que já são mania nas baladas indies, é tão grande que chega a ser insuportável. O primeiro álbum do quarteto, "Whatever People Say I Am, That's What I'm Not" (Domino – importado), que chegou esta semana às prateleiras britânicas (no Brasil, será lançado em março), é a estréia mais aguardada do mundo roqueiro desde "Is This It" (2001), dos Strokes.

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Os jornalistas-fãs já comentam que "Whatever People..." deve se tornar o disco de estréia que mais vendeu cópias nas primeiras semanas após seu lançamento em todos os tempos no Reino Unido. O vocalista Alex Turner vem sendo descrito como "o grande cronista da sua geração" (para certos setores da imprensa, todo elogio tem que trazer embutida uma papagaiada: não seria menos pedante dizer que o sujeito é um "bom letrista"?). Ou seja, você tem motivos de sobra para xingar os Arctic Monkeys sem sequer ter ouvido uma música deles.

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Mas o problema é que eles são bons. Não tão bons quanto a imprensa babona acha que eles são, mas o suficiente para merecer sua atenção. O som do quarteto parece uma trombada de Franz Ferdinand com Libertines, as duas melhores bandas britânicas surgidas nesta década, e aí não há má vontade que resista. Nem tudo em "Whatever..." funciona, mas quando a agressividade juvenil do grupo encontra a dose exata de angústia ("The View From The Afternoon", "Mardy Bum") ou o balanço certo ("I Bet You Look Good On The Dancefloor", "Still Take You Home", "When The Sun Goes Down"), o resultado é uma beleza.


Os Monkeys são um dos produtos mais bem acabados do rock produzido pela novíssima geração britânica, uma turma que rouba referências da new wave e do pós-punk para fazer música extremamente simples, dançante e praticamente desprovida de ideologias (outros representantes: Rakes, Maximo Park, Subways, Kaiser Chiefs). É um povinho que acha que não existe nada que valha a pena ser descrito além de presepadas na hora de paquerar e da rotina dos pubs e das baladas roqueiras.

Devido a essa limitação de idéias, acaba sendo uma geração tão vazia e superficial quanto as que geraram o grunge, o Madchester e a cultura rave. A diferença é que pelo menos parte dessa molecada britânica faz música de qualidade. Nada que vá salvar a vida de alguém, mas...


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