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Franz Ferdinand lançou o seu clássico - Reprodução
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Os melhores discos de 2005

30 dez 2005 às 11:00
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No ano que termina, muita gente boa decepcionou com discos sem sal, como Queens Of The Stone Age, Trail Of Dead, Moby, Beck, Weezer, Stephen Malkmus... Mas, ainda bem, houve felizes confirmações: Franz Ferdinand, Los Hermanos, System Of A Down. E infelizes, também: Coldplay, Pitty e Maria Rita são mesmo chatos de doer. E enquanto no Reino Unido o tal novo rock deu sinais de esgotamento (se alguém lhe disser que Kaiser Chiefs é legal e que Bloc Party é tão bom quanto Franz Ferdinand, desconsidere), do outro lado do oceano veio a grata revelação Wolf Parade.

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Tudo isso prova que 2005 foi um ano típico na música pop: as novidades começam a passar, algumas escorregadas são inevitáveis, a melhor música por vezes vem de onde a gente menos espera. Tudo indica que o ano novo será assim também. Strokes, Flaming Lips, Dresden Dolls e Radiohead se submetem à prova do disco novo. E pode ter certeza: em dezembro de 2006, o álbum de uma banda de quem você ainda não ouviu falar vai ser um dos seus discos de cabeceira.

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Os melhores discos de 2005, na opinião desta coluna:


1) Franz Ferdinand – "You Could Have It So Much Better" (Trama)


Rocks com guitarras vorazes, batidas dançantes, baladas de cortar o coração, letras inteligentes, melodias deliciosas. Precisa mais do que isso para fazer um disco pop memorável? O Franz Ferdinand corrigiu a única carência de sua receita – músicas muito parecidas entre si -, venceu a resistência de quem torcia o nariz para a banda e fecha 2005 com a aura de unanimidade que foi privilégio de Strokes e White Stripes em temporadas anteriores. Não é pra menos: impecável, "You Could Have It So Much Better" já é um clássico da música pop dos anos 00.
Ouça: "Do You Want To", "Walk Away", "I’m Your Villain".

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2) Los Hermanos – "4" (Sony BMG)


O quarto álbum do Los Hermanos representou novo rompimento com o passado recente da banda, a exemplo do que o quarteto já havia feito com "Bloco do Eu Sozinho" (2001). Aqui, concessões radiofônicas foram limitadas, e as taras MPB de Marcelo Camelo apareceram com toda força ("Dois Barcos", "Sapato Novo", "Fez-se Mar"), em canções sem melodias fáceis. Com "Os Pássaros" e "Primeiro Andar", Rodrigo Amarante deu sua contribuição para o clima denso do disco, um dos mais tristes da história do pop brasileiro. É tudo tão nebuloso que, quando as guitarras ganham volume ("Horizonte Distante", "Pois É", "É de Lágrima", "Condicional"), chegam a surpreender quem ouve. Com um senso de desafio incomum, os Hermanos provaram que não é necessário subestimar a inteligência dos fãs para sobreviver numa grande gravadora.
Ouça: "Primeiro Andar", "Pois É", "É de Lágrima".


3) Wolf Parade – "Apologies To The Queen Mary" (Sub Pop – importado)


No ano em que o superestimado Arcade Fire virou a salvação da lavoura, o melhor rock do Canadá foi produzido pelo Wolf Parade. Cruza de vocais à David Bowie com o creme do que o rock alternativo ianque ofereceu nos anos 90, a banda arranca do sopão de teclados toscos, guitarras à Pixies e bateria indomável um punhado de canções num nível de qualidade surpreendente para um álbum de estréia. Do desespero de "Same Ghost Every Night" à paixonite incontrolável de "This Heart’s On Fire", da pauleira de "Fancy Claps" ao sabor épico de "I’ll Believe In Anything", não há nada em "Apologies..." que não mereça ficar meses e meses no seu iPod.
Ouça: "Grounds For Divorce", "Modern World", "Same Ghost Every Night".


4) Decemberists – "Picaresque" (Kill Rock Stars – importado)


Baladas ao violão, letras com referências literárias, delicadeza até nos andamentos mais acelerados... Pense no Belle & Sebastian dos bons tempos, potencialize as canções e desconte a bunda-molice. Após algumas tentativas, os Decemberists finalmente acertaram o ponto da sua fórmula de candura melódica. As fotos e os grafismos do encarte sugerem um conceito, mas ninguém precisa de bula para apreciar a beleza de "From My Own True Love (Lost At Sea)", "Eli, The Barrow Boy", "The Engine Driver", "Of Angels And Angles"...
Ouça: "Eli, The Barrow Boy", "The Sporting Life", "The Bagman’s Gambit".


5) Nação Zumbi – "Futura" (Trama)


Num país em que o reciclador de clichês Roberto Frejat é considerado guitar hero e Liminha é referência como produtor, a Nação Zumbi sobra. Armado de riffs mortais, fraseados memoráveis e brilhantes progressões de acordes, Lúcio Maia mostra que é o melhor guitarrista do rock brasileiro, e as seis cordas do moço vão de encontro a um batuque mais moderado, que abre espaço para uma explosão de timbragens, viciante e que se recusa a deixar o cérebro – ainda não inventaram termo melhor para isso do que psicodelia. "Futura" é o melhor disco da Nação Zumbi, com ou sem Chico Science, ainda que, devido à preguiça e ao hermetismo da imprensa especializada, seja improvável que vá entrar para a história como tal.
Ouça: "Hoje, Amanhã e Depois", "Expresso da Elétrica Avenida", "Nebulosa".


6) Bright Eyes – "I'm Wide Awake, It's Morning" (Saddle Creek – importado)


Conor Oberst compõe e grava discos desde a adolescência. Em "I’m Wide Awake...", ele finalmente conseguiu oferecer um álbum bom de ponta a ponta, emocionante na sua fixação pelo folk e pelo country tradicional.
Ouça: "First Day Of My Life", "Landlocked Blues", "Road To Joy".


7) Pato Fu – "Toda Cura Para Todo Mal" (Sony BMG)


É incrível como o Pato Fu fez falta. Só eles mesmo para salvar as rádios com as canções pop inteligentes contidas no melhor álbum da banda desde "Isopor" (1999).
Ouça: "No Aeroporto", "Tudo", "Boa Noite, Brasil".


8) System Of A Down – "Mezmerize" (Sony)


Se o Pato Fu prova que é possível haver vida inteligente nas rádios, o System Of A Down mostra que o rock pesado pode ir muito além dos clichês. Para prolongar a bateção de cabeça de "Mezmerize", vá atrás das seis primeiras músicas de "Hypnotize", o disco que a banda lançou poucos meses depois.
Ouça: "B.Y.O.B.", "Cigaro", "This Cocaine Makes Me Feel Like I’m On This Song".


9) Lobão – "Canções Dentro da Noite Escura" (Universo Paralelo)


O primeiro álbum só de inéditas de Lobão desde "A Vida É Doce" (1999) fica morno apenas quando o cantor decide homenagear os fantasmas desnecessários Cazuza e Cássia Eller. As outras canções formam um disco que mantém o nível dos trabalhos que Lobão lançou na segunda metade da década passada, a melhor fase da carreira dele.
Ouça: "Pra Sempre Essa Noite", "Você e a Noite Escura", "Não Quero o Seu Perdão".


10) White Stripes – "Get Behind Me Satan" (Sum)

Um show ruim em São Paulo, um disco menos barulhento do que os anteriores, um comercial para a Coca-Cola e pronto: já deixou de ser legal gostar de White Stripes. Quem pulou do vagão ficou sem as deliciosas "Blue Orchid", "My Doorbell", "The Denial Twist", "As Ugly As I Seem"...
Ouça: "Blue Orchid", "Forever For Her (Is Over For Me)", "The Denial Twist".


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