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O vocalista Serj Tankian: pop, trash metal e estruturas fraturadas - Reprodução
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Missão cumprida

16 dez 2005 às 11:00
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O próprio System Of A Down admitiu, então não há razão para frescura: o projeto "Mezmerize/Hypnotize" é um álbum duplo. Só que a primeira parte chegou às lojas no primeiro semestre e a segunda acaba de ser lançada no Brasil pela Sony. Nesse projeto, o System Of A Down adicionou pouco mais de duas dezenas de novas canções ao seu repertório e deixou nítida sua posição numa daquelas zonas cinzentas do mundo pop: o som da banda é esquisito demais tanto para as vítimas das rádios e da MTV quanto para a molecada metaleira. E acaba agradando esses dois públicos.

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Como as canções de "Mezmerize" e "Hypnotize" foram compostas e gravadas no mesmo período, é natural que na segunda parte do projeto haja um pouco de repetição. Por exemplo, um trecho da melodia da ótima "Kill Rock N’ Roll" remete descaradamente a "B.Y.O.B.", maior hit de "Mezmerize".

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E, a essa altura do campeonato, a fórmula de passagens pop entremeadas por trash metal mortal, do sussurro até a gritaria doentia, em estruturas fraturadas, já se acomodou aos ouvidos, não soa tão estranha. É o mesmo princípio de quando se ouve música em volume muito elevado: diz-se que quando um som extremamente alto (como o produzido em um show de rock) já não causa incômodo a uma pessoa, é porque a audição dela já está danificada. Se algum adolescente já não estranha as várias dinâmicas da música do System Of A Down, é porque o quarteto liderado pelo vocalista Serj Tankian já lhe ensinou algo, mostrou que o rock pesado não precisa ser linear, "reto", convencional. E isso é ótimo.


Se for considerado como CD "isolado", "Hypnotize" não é tão bom quanto "Mezmerize". Até a sexta faixa, é impecável como o anterior. "Attack" prova o quanto o System Of A Down deve aos Dead Kennedys, com riffs de puro hardcore e refrão cantado de forma destrambelhada por Tankian. A já citada "Kill Rock N’ Roll" e "Stealing Society" têm refrões que merecem entrar na lista dos melhores de 2005. A faixa-título demonstra que, ao contrário da imensa maioria das outras bandas de rock pesado da atualidade, o System Of A Down é capaz de compor belas e delicadas melodias.


Na sua segunda metade, "Hypnotize" fica irregular. Há momentos que proporcionam a mesma empolgação das primeiras canções do disco, como o refrão psicótico de "Holy Mountains" (impossível ouvir os guinchos e não lembrar de Mike Patton) e a maluquice de "She’s Like Heroin". As outras músicas são fiéis ao estilo de composição do System Of A Down, mas não são muito inspiradas. Deslize perdoável. O System Of A Down já fez sua parte na missão de resgatar o rock pesado da pasmaceira.

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LANÇAMENTOS


We Are Scientists – "With Love And Squalor" (Virgin – importado)


Lá vem outra bandinha salvar o rock. O We Are Scientists, de Nova Iorque, é um exemplar típico desta onda de grupos que vêm em baciadas para inundar as páginas do NME e os blogs de gente metida a antenada. As referências obrigatórias ao rock dos anos 80 estão lá, nas melodias meio dramáticas e nas guitarras chupadas do U2. O trio oferece simpáticas candidatas a hit, como "Nobody Move, Nobody Get Hurt", "Can’t Lose" e "The Great Escape". Mas é pouco para se destacar no rebanho.

Para quem gosta de: Hot Hot Heat, The Departure, Killers.


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