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"Capture/Release" traz 11 músicas cuspidas em pouco mais de meia hora - Reprodução
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Espírito juvenil

26 ago 2005 às 11:00
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Na semana passada, este colunista escreveu que "Turn Against This Land", dos Dogs, era sério candidato a álbum de estréia do ano. Esqueça. Vai ser difícil alguma banda novata vencer no quesito diante de "Capture/Release" (V2 – importado), recém-lançado primeiro disco da banda inglesa The Rakes. É a estréia mais promissora do mundo pop desde o primeiro álbum do Franz Ferdinand e a prova de que o tal novo rock, mesmo atravessando um instante de esgotamento (ou o leitor acha que Kaiser Chiefs e Bloc Party estão no mesmo nível de Strokes, White Stripes, Interpol, Libertines ou do citado Franz Ferdinand?), ainda é capaz de surpreender.

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Em "Capture/Release", 11 músicas são cuspidas sem pausa para fôlego em pouco mais de meia hora. As referências dos Rakes são as mesmas de Futureheads, Dogs Die In Hot Cars e outros zés-ninguém da nova onda roqueira: Wire, Gang Of Four, The Jam, a faceta mais pauleira do Joy Division. A diferença do quarteto em relação a estes concorrentes é a qualidade das melodias e das letras, que fazem um divertido retrato da rotina do típico cidadão inglês com 20 e poucos anos: duro, que se mata de trabalhar para depois do expediente procurar rock e sexo fácil em alguma balada.

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"Strasbourg" e "Violent" são as faixas mais virulentas de "Capture/Release", obedientes à lição pixieana de segurar a tensão nos versos e estourar de forma descontrolada no refrão. "Binary Love", com clima e melodia insinuantes, lembra os momentos mais românticos do New Order. Em "We Are All Animals", a banda sustenta um groove contido que é puro pós-punk antes de cair numa levada à Strokes.


As melhores canções do álbum são "Work, Work, Work (Pub, Club, Sleep)" e "Open Book". A primeira mescla deliciosa imperícia técnica, enfado nos vocais que remete ao Pavement e um refrão que se recusa a sair da cabeça. Mas não tão grudento quanto os "o-ho-hos" de "Open Book", em que a garageira ruidosa é acompanhada de dedos estalando.

Dotados do hedonismo do Franz Ferdinand, da economia instrumental dos Strokes, da urgência dos momentos mais agitados dos White Stripes e da propensão ao caos dos Libertines, os Rakes têm aquela feição desleixada e insolente capaz de capturar o espírito juvenil de sua época.


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