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O Departure tem influências dos anos 80... - Reprodução
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Extremamente esquecível

02 set 2005 às 11:00
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Os álbuns de estréia da banda irlandesa Hal e das inglesas Hard-Fi e Departure são daquele tipo que traduzem o excesso de oferta do rock atual. Na era do mp3, grupos considerados promissores despontam nas revistas britânicas e na internet às baciadas, geralmente escorados em singles que de cara chamam a atenção – que é dissipada logo depois que o primeiro disco "cheio" chega às lojas.

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Por isso, não tenha dúvidas: se até ontem você não sabia quem eram Hal, Hard-Fi e Departure, daqui a um ano e meio você sequer vai se lembrar que estas bandas existem. E os álbuns destes grupos até que não são ruins. O disco do Hal, que leva apenas o nome da banda (Rough Trade – importado), é recheado de melodias doces, arranjos delicados, harmonias vocais e refrões solares, mistura que remete a Beach Boys, Simon & Garfunkel e o soft rock dos anos 70.

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Se você se decepcionou muito com o último álbum do Teenage Fanclub, tente. Se a candura da banda norte-americana The Shins fisgou você, pode correr para o Soul Seek. Só não estranhe se você achar que as primeiras músicas de "Hal", o disco, são as melhores: "What A Lovely Dance" e "Play The Hits", grudentas, prenunciam um álbum tomado por aquela doença típica das canções muito parecidas entre si, nunca ruins, mas que saturam pela repetição. E que, mesmo quando inspiradas, não demonstram vocação para fazer história. Lá pela quinta faixa, pode acreditar, vai bater uma vontade louca de colocar Elliott Smith no CD-player.


Hard-Fi e Departure vão numa linha distinta, presa aos anos 80 – as linhas de baixo destacadas, os timbres de guitarra e o jeitão meio Duran Duran, meio Cure, demonstram a intenção de embarcar no vagão do ótimo The Killers. Se não chegam ao patamar de qualidade da banda do vocalista Brandon Flowers, pelo menos não são insuportáveis como o Bravery.


"Stars Of CCTV" (Necessary/Atlantic - importado), do Hard-Fi, se aproxima da excelência do Killers em "Middle Eastern Holiday" e no vitorioso single "Living For The Weekend" (impossível ouvir o refrão desta e não lembrar de "Somebody Told Me", do citado Killers), que deve ser presença obrigatória nas festas indie pelos próximos três meses. E não mais do que isso.

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O Departure, em "Dirty Words" (Parlophone - importado), demonstra uma obsessão a mais pela década retrasada – o U2 – nos dedilhados elegantes da guitarra de Sam Harvey e na ambição de levantar estádios dos refrões de "Just Like TV", "Lump In My Throat" (recomendada para fãs de Interpol) e da faixa-título, linhas gerais que são redesenhadas nas outras canções. Tudo altamente tolerável, levemente divertido e extremamente esquecível. Como tudo o que Hard-Fi e Hal fazem. Ou Editors, Duke Spirit... Nada contra essa abundância de bandinhas médias, mas será que ainda vai demorar muito para o disco novo do Franz Ferdinand vazar?


LANÇAMENTOS


Rawenna – "Sempre Assim" (Zero Bullet)


O quarteto Rawenna vem de Marechal Cândido Rondon (PR). Em "Sempre Assim", apresenta 14 composições assinadas pelo vocalista Fábio Arantes. O repertório da banda centra foco em arranjos enxutos que privilegiam violões e guitarras, que são destacadas nos refrões para escorar as reflexões adolescentes das letras. Na inclinação radiofônica, lembram Legião Urbana e Capital Inicial (esta última especialmente na faixa-título). Na cruza de sons acústicos e enxames de guitarras, remetem a Soul Asylum, Goo Goo Dolls e outros representantes do pós-grunge.
Mais informações: www.rawenna.com.
Para quem gosta de: Capital Inicial, Hootie & The Blowfish, Soul Asylum.


Os Substitutes – "A Última Moda" (Independente)


Neste EP de cinco faixas, o trio londrinense Cherry Bomb se reapresenta para o mundo. Os integrantes são os mesmos da última formação do Bomb (Rodrigo Amadeu no baixo e nos vocais, Rafael Curita na guitarra e Lucas Ricardo na bateria). O som também, com a mesma mistura de influências de mod, rock de garagem dos anos 60 e punk rock dos anos 70: Stooges, The Who, Richard Hell, The Jam, Buzzcocks, Ramones. A diferença é que as letras agora são em português – o que deixa mais explícita a gana juvenil de faixas viscerais como "Cenas Noturnas" e "Esquinas de Londrina".
Mais informações: www.tramavirtual.com.br/artista/os_substitutes.
Para quem gosta de: Ira! dos primeiros discos, Relespública, The Jam.


FÉRIAS

Esta coluna volta na primeira semana de outubro.


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