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O vocalista Jorge Du Peixe: banda mantém alto padrão de qualidade - Divulgação
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Várias possibilidades

18 nov 2005 às 11:00
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Dentre as inúmeras bandas brasileiras que nos anos 90 abraçaram a idéia de misturar ritmos regionais com influências gringas, apenas o Mundo Livre S/A e a Nação Zumbi alcançaram resultados sólidos. Porque conseguiram integrar sonoridades distintas em musicalidade homogênea, sem exibicionismos e sem sabor para agradar ianque. Os outros geraram franksteins sonoros, misturebas sem nexo dotadas de pretensão e oportunismo – não por acaso, estes infelizes ou caíram na obscuridade ou foram cantar para os fregueses da Daslu.

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A Nação Zumbi segue sua linha evolutiva em "Futura" (Trama), que acaba de chegar às lojas. Trata-se de um percurso invejável: após a morte de Chico Science, em 1997, a banda pernambucana não só conseguiu manter alto padrão de qualidade como também alçou novos vôos de criatividade.

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Para isso, embicou a salada de guitarra rock, batidas de samba e maracatu e vocais entre o hip hop e o repente em direção às intenções mais viajantes da música que já havia apresentado: as cadências hipnóticas do trip hop, os barulhinhos e os climas do dub e do pós-rock, as letras abstratas e a busca por texturas inusitadas do psicodelismo. "Futura" é o álbum em que este direcionamento aparece mais azeitado, orgânico.


O batuque onipresente está mais comedido, raramente varia e nessa linearidade prepara terreno para intervenções ousadas do ótimo guitarrista Lúcio Maia, de vocoders, moogs, escaletas. Na nervosa "Expresso da Elétrica Avenida", com guitarras surf music que ganham veneno no refrão, há espaço até para sons de Game Boy, tirados por Kassin (produtor do Los Hermanos e integrante do Acabou La Tequila e do Domenico + 2). Com recursos simples trabalhados de forma original, a produção, a cargo da própria banda e de Scotty Hard, não fica nada a dever ao padrão dos melhores álbuns internacionais.

Na levada viciante do álbum, que muitas vezes torna difícil saber quando termina uma faixa e começa outra, é possível apreciar vários detalhes: o riff agressivo de "Hoje, Amanhã e Depois", a tensão regada a trompete de "Sem Preço", o refrão malandro de "Pode Acreditar", a descoberta da melodia em "Memorando", o colorido das timbragens na instrumental "Nebulosa". Um disco cheio de possibilidades, que se desnudam interminavelmente, a cada nova audição.


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