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Nesta noite

Em fase independente, Nando Reis faz show inédito na Expo

Samara Rosenberger - Redação Bonde
09 abr 2013 às 12:13
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Nada de rimas óbvias e refrãos repetitivos. Alguns, inclusive, estão ausentes de algumas das canções, apostando na profundeza de cada verso, harmonia e arranjo musical. O resultado é um som totalmente peculiar, que certamente o define.

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"Oi, é o Nando", diz uma voz serena do outro lado da linha. Nada de e-mails ou respostas prontas. Atitude esperada de um artista com mais de 30 anos de carreira, que valoriza seu público e, principalmente, o próprio trabalho.

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Com meio século de vida, José Fernando Gomes dos Reis, mais conhecido como Nando Reis, percorre Brasil afora divulgando o décimo CD de sua carreira solo, intitulado "Sei". Lançado no final do ano passado, o álbum traz 15 músicas inéditas, uma delas com participação especial de Marisa Monte. O trabalho sacramenta a nova fase do cantor: independente, sem gravadora e o "melhor disco".


"Eu nunca tinha pensado nisso como uma direção opcional do trabalho. Hoje eu olho e falo: 'Olha, que tolice a minha de estar preso a uma gravadora!'", relembra o cantor. "Se for pensar nas coisas que eu ando fazendo, tudo o que eu fiz nesse disco seria impossível ter feito numa gravadora. Acho que esse é o melhor de todos os meus discos", opina.


Nando optou pela produção independente depois de receber um sonoro "não" dos diretores de sua antiga gravadora, ao tentar renovar seu contrato. A justificativa? Nando trazia prejuízos. "Achei um argumento mal colocado, de certa maneira evidenciou a minha percepção de que as gravadoras estavam indo para um caminho desconexo e pouco criativo", explica. "Hoje eu vejo que a opção delas em buscar recursos é, principalmente, de maneira estúpida, pois visam uma margem de lucro muito grande. Isso é algo que fatalmente me levou a esse estado", destaca.

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O disco tem produção de Jack Endino, que já gravou com Nirvana, Soundgarden e Mudhoney. "É o sexto álbum que faço com ele, fiz quatro com os Titãs e dois solo. Levei minha banda a Seattle e foi maravilhoso", conta.


Ausentes das prateleiras das lojas, as cópias estão sendo vendidas somente no site do cantor. O diferencial é o preço do produto, que varia a cada semana. Os internautas entram no portal e ouvem todas as faixas gratuitamente. Após isso, estipulam um preço. No final de cada semana, o sistema calcula a média e determina quanto o CD vale. "Esse é o grande barato. É um disco que se renova a cada semana, e essa renovação se dá pela forma com que as pessoas tratam dele, pensam nele e ouvem ele", afirma. "Essa ideia veio de procurar entender o mercado, ou seja, por que ninguém mais quer comprar discos", analisa.


Além da loja, Nando utiliza a internet para interagir com os fãs. "No site tem milhões de coisas que estão acontecendo, promoções, camisetas, informações. Ali que as pessoas que gostam do meu trabalho podem se comunicar comigo", explica. "Posso dizer que está sendo muito divertido", comemora.


Show em Londrina


Eternizado na voz de Cássia Eller, "Relicário" é parte indissociável do show de Nando Reis. Outros grandes sucessos como "Segundo Sol", "Pra você guardei o amor" e a recente "Sei", devem ser entoadas pelo cantor na noite de hoje. "Eu sempre gostei de tocar em Londrina. Tenho amigos aí", revela o roqueiro, que se apresentou pela última vez na cidade durante o Festival Internacional de Londrina (Filo) em 2011.


Questionado se acha natural estar na agenda de uma festa rural, o músico afirma que fará presença em qualquer lugar que lhe dê oportunidade. "Eu tenho amigos no meio sertanejo, como Zezé e Chitão, Victor e Leo. Eu não tenho problemas com isso", declara. "Esse espaço é bom e onde eu puder e tiver chance, vou me apresentar. Eu não tenho preconceito", conclui.


Nando Reis, acompanhado da banda Os Infernais, toca hoje no Recinto João Milanez, logo depois do grupo Sambô. Os ingressos podem ser comprados somente na bilheteria do Parque Ney Braga.


Divulgação
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Confira trechos da entrevista concedida por Nando Reis ao Portal Bonde:


Depois de três anos, você lança um CD só com canções inéditas e de forma independente. Qual é o tema desse trabalho?


O tema recorrente é de relações pessoais e amorosas, mas embora seja um tema corriqueiro, não acho que o disco se dá pela temática, mas por outros aspectos mais relevantes, como a sonoridade, unidade, individualidade, arranjo e a forma como foi gravado. Ainda mais como a sequência das canções foi escolhida.


Você sempre quis ser um artista independente?


Eu nunca quis exatamente. Na verdade foi uma contingência que até me surpreendeu e me deixou aborrecido, por minha antiga gravadora não querer renovar comigo, porque eu dava prejuízos. Achei um argumento mal colocado. De certa maneira evidenciou a minha frustração e minha percepção de que as gravadoras estavam indo de fato para um caminho desconexo e pouco criativo. Embora eu tenha recebido convite de outras gravadoras, mas todas nos mesmos moldes de royalties e conservadoras. Eu nunca tinha pensado e achado isso como uma direção opcional do trabalho. Hoje eu olho e falo: "Olha, que tolice a minha de estar preso a uma gravadora!". O que faço agora tem tanto mais sentido, pelo fato de poder ter autonomia para criar soluções e para tomar decisões num cenário totalmente diferente. Se for pensar nas coisas que eu ando fazendo, tudo o que eu fiz esse disco seria impossível ter feito numa gravadora. Esse é o meu melhor disco. Talvez eu possa pensar que os outros deixaram de ser tão bons porque foram feitos de uma maneira muito atrelada a uma ideia careta que as gravadoras têm de vender música. Hoje eu vejo que a opção das gravadoras de buscar recursos é, principalmente, de maneira estúpida, pois visam uma margem de lucro muito grande. Isso é algo que fatalmente me levou a esse estado.


Seu CD pode ser ouvido na íntegra, gratuitamente pelo site. Inclusive o próprio público estabelece quanto vale o álbum. Como funciona isso e de onde veio essa ideia?


Esse é o grande barato. Cada semana meu disco tem um preço que é estipulado pelas pessoas. É um disco que se renova a cada semana, e essa renovação se dá pela forma com que as pessoas tratam dele, pensam nele, ouvem ele e opinam sobre o valor dele. Essa ideia veio de procurar uma forma de entender e defender o mercado de discos, ou seja, por que ninguém mais quer comprar discos e várias outras questões embutidas. E hoje tem aquela ideia: para que comprar o disco se você pode baixar pela internet? O disco não é feito só das músicas. Ele começa como o bom som que ele tem, com a ordem que o artista determina, pela capa, pela forma que ele é embalado e tudo mais. A minha preocupação é em defender os discos. Eu acho que os discos organizados são em geral melhores e contêm a forma como o artista reúne as músicas. Essa sequência que propõe uma relação da música de forma sensorial, muito diferente do que simplesmente as músicas soltas individualmente.


Por falar em internet, como você acha que os direitos autorais devem ser tratados na rede?


Eu acho que essa questão dos direitos autorais está atrasada e mal discutida. Eu sou terminantemente contra as pessoas acharem que podem baixar a música sem pagar direitos autorais. Eu faço musica, eu dependo disso c......, não tem essa. Eu jamais vou concordar.


Em 2012, você ficou entre os dez compositores que mais arrecadaram direitos autorais no Brasil. Como é o processo de composição para você?


É o mesmo de sempre. Eu faço música porque eu gosto. Eu tenho um grande parceiro que é o Samuel (do Skank). Eu não tenho necessariamente um método, mas acredito que as minhas músicas agradam as pessoas e têm um apelo popular, apesar de eu ser não ser um artista popular, porque eu faço rock.


Você acha que o mercado carece de artistas como você?


Não acho que o mercado carece. A única coisa que eu fico feliz é que eu não sou um artista que surgiu e está calcado em um único gênero e falando para uma única plateia. Eu não tenho mega hits, mas tenho um conjunto de músicas que devo tocar. Eu nem ligo pra isso. Acho que o que falta é mais espaço para todo mundo tocar nas rádios.


Ficou algum projeto não realizado com a Cássia Eller?


Ficou sim, porque a gente se dava muito bem e a gente tinha certeza que ia fazer mais discos. Achávamos que faríamos três, com um material que eu tinha, umas músicas minhas e outras dela. Mas não tem nada inacabado. Inacabado é a vida que tinha que ser muito mais longa.


Além da nova turnê, quais são os projetos para este ano?


Meu projeto é investir no meu site. É importante lembrar que meu disco só vende no site ou na lojinha do show. No site tem milhões de coisas que estão acontecendo, promoções, camisetas, informações. Ali que os meus fãs e as pessoas que gostam do meu trabalho podem se comunicar comigo. O principal é que meu disco está sendo em primeiro lugar acessível aos meus fãs. E posso dizer que está sendo muito divertido.


Serviço:

Show Nando Reis
Quando: 10/04 (quarta-feira)
Onde: Recinto de Shows João Milanez – Parque Ney Braga
Quanto: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada)
Horário: 22h


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