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Falta incentivo

Com ‘chuva de medalhas’ no paranaense, lutadores de kickboxing encontram dificuldades para ir a competição nacional

Bruno Souza - Estagiário*
16 jun 2022 às 13:59
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Mesmo tendo destaque na competição estadual feita em Corbélia (Oeste) no início de abril, alguns atletas de Londrina praticantes do kickboxing ainda encontram dificuldades para participar do Campeonato Brasileiro, que acontece em Vitória (ES) de 16 a 19 de junho. A falta de incentivos ainda é o principal problema dos atletas profissionais, que, mesmo mostrando potencial de medalhas, não têm patrocínio suficiente para custear seus gastos.

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David Silveira é bicampeão pan-americano de kickboxing, subiu ao pódio 11 vezes no campeonato estadual e nove no nacional, porém o seu extenso currículo não lhe garante os incentivos necessários para participar de novos campeonatos. O atleta afirma que não conseguiu apoio para ir à disputa nacional e que só vai devido à ajuda de amigos e familiares.


LEIA TAMBÉM: Sem apoio formal, atletas de Londrina 'lutam' para disputar torneio de kickboxing


“Infelizmente não conseguimos muito apoio, só teve uma empresa que nos ajudou, que foi a oficina do Portuga, aqui em Londrina. No mais, os apoios foram de alunos, amigos e familiares que se sensibilizaram com a nossa trajetória até aqui e correria para ir para o campeonato. Acabaram doando qualquer quantia para nos ajudar na despesa”, diz.

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Silveira ainda conta como planeja ir ao Campeonato Brasileiro tendo recursos limitados. “Sobre a viagem para lá, nós vamos de carro, pois, assim, conseguimos economizar um pouco mais de dinheiro para custear a viagem e irmos em mais pessoas do que se fôssemos de avião”, explica.


No esporte há quatro anos e também classificado para o Brasileiro, Carlos Júnior não vai poder participar do campeonato devido a uma lesão no joelho. No entanto, o lutador vai acompanhar a namorada em Vitória. Devido ao preço das passagens de avião e à falta de apoio, o casal vai de carro, percorrendo uma distância de quase 1.500 km para competir.


Desigualdade


Carlos Júnior afirma que a falta de verbas é um dos principais problemas da maioria dos atletas. O esportista ainda critica os critérios de distribuição de apoio promovidos pela FEL (Fundação de Esportes de Londrina).


"Estamos custeando tudo nós mesmos. Não tivemos nenhum apoio do poder público. Londrina é um celeiro de atletas de altíssimo nível, mas a FEL insiste num único atleta. Enquanto isso, outros têm seus objetivos podados por falta de incentivo do poder público", pondera. O esportista ainda continua: "O resultado da falta de investimento do poder público no esporte de base resulta na elitização do esporte: somente aqueles capazes de custear suas despesas participam dos campeonatos. Enquanto isso, inúmeros talentos, que poderiam colocar o nome da nossa cidade no lugar mais alto do pódio, lutam não só nos ringues, mas contra o descaso e a falta de incentivo para trazerem uma medalha", encerra.


David Silveira se indigna com a desigualdade que esportistas sofrem no país. Enquanto alguns atletas de esportes mais comerciais são regados de patrocínio, outros sequer conseguem verba – seja do governo ou de empresas – para mostrar suas habilidades fora de suas cidades.

 

“Infelizmente, a desigualdade não é só na nossa classe de atletas de contato. Tendo em vista a minha trajetória de mais de 20 anos no esporte, sou um dos melhores atletas do Brasil e do mundo e, mesmo assim, não temos patrocínio de empresas e muito menos do poder público, que não chega até nós e, quando vamos até eles, nos dificulta. Mesmo não recebendo apoio, nós sempre estamos correndo atrás, vendendo rifas, pedindo aqui, pedindo ali”, lamenta.

 

A falta de oportunidades também é exemplificada quando são analisados os números de atletas classificados no estadual em comparação com os que vão ter condições de ir à competição nacional, que acontecerá no Espírito Santo.

 

“Nós fomos com 17 atletas [para o Campeonato Paranaense], todos medalharam com prata e ouro. Apenas um ficou em terceiro lugar. Infelizmente, com a falta de apoio e patrocínio, nós vamos comparecer ao campeonato com apenas quatro ou cinco atletas, isso se até o dia do campeonato eu conseguir levantar mais verba”, explica.

 

O personal trainer termina dizendo que essa situação é responsável por desanimar novos talentos, que veem no esporte a solução para uma vida melhor, mas que são constantemente desencorajados a continuar pela falta de condições.

 

“A ausência de patrocínio desmotiva e desvia muitos atletas que poderiam ser campeões mundiais. Eu conheço inúmeros atletas de ponta que pararam de treinar na minha academia por precisarem trabalhar. Isso nos desmotiva, pois parecemos mendigos pedindo aqui e ali para conseguir fazer o que fazemos de melhor, que é levar o nome de nossa cidade, estado e país mundo afora”, encerra.


Procurado, o presidente da FEL, Marcelo Oguido, afirmou que as verbas concedidas pela fundação são feitas através de editais do Feipe (Fundo Especial de Incentivo a Projetos Esportivos), nos quais as entidades interessadas devem demonstrar interesse e participar da concorrência.


"A entidade que ganhou na modalidade kickboxing, por exemplo, vai ter o recurso disponibilizado para ela e terá os atletas dela como beneficiados. Aí vai dessa entidade apoiar o atleta, ou não, junto à equipe. A fundação não tem como repassar recursos, é só via FEIPE", conclui.


David Silveira afirmou que já procurou participar da concorrência várias vezes, mas não teve sucesso.


Paciência e resultado


O Projeto Servir Sempre, que conta com a ajuda de Carlos Júnior, David Silveira e Anderson Mafra, leva o kickboxing a crianças carentes do assentamento Aparecidinha, na Zona Norte de Londrina. Os jovens talentos conquistaram diversas medalhas no Campeonato Paranaense e, após reportagem feita pelo Bonde, conseguiram patrocínio para investimento no projeto. No entanto, as crianças e adolescentes do projeto não irão para o Brasileiro, desta vez por decisão interna.

 

“Nós optamos por estar fora deste campeonato pelos meninos estarem ainda muito novos. Eles ainda não têm um ano de treino, então optamos por não ir”, explica Anderson Mafra.


O líder do projeto afirma que a decisão foi tomada para não decepcionar os novos patrocinadores, apostando em mais estudo e técnica para as competições futuras.

 

“No ano que vem conseguiremos a vaga novamente e poderemos apresentar para os patrocinadores atletas mais bem preparados. Até mesmo um dos patrocinadores - o Projeto Retornar - entendeu a nossa posição e nos abençoou com 32m² de tatame, 15 pares de luvas novas, um teto solo, um punching ball, um saco de pancada e um cinturão abdominal”, comemora.


*Sob supervisão de Larissa Ayumi Sato.



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