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Muitas reformas?

Arquitetos explicam os prós e contras de investir em um imóvel antigo

Redação Bonde com Assessoria de Imprensa
17 set 2021 às 17:29
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Se houve um período em que a compra de imóveis com metragens amplas fazia parte do cotidiano dos brasileiros, isso aconteceu há bastante tempo. Atualmente, o mercado imobiliário segue repleto de apartamentos, ofertados para compra na planta, com tamanho reduzido e com uma série de atrativos pensados para a realidade moderna dos moradores. Todavia, junto com esse advento, vem o questionamento: será que não vale a pena investir na compra e reforma de um imóvel antigo maior, ao invés de algo menor e novo?


De acordo com a arquiteta Erika Mello, do Andrade & Mello Arquitetura, em geral, os imóveis antigos possuem cômodos maiores e um valor de venda mais atrativo, diferenciando-se dos novos, mas existem algumas ressalvas. “Imóveis mais velhos demandam intervenções e readequações de infraestrutura elétrica, hidráulica e ar-condicionado, pois a vida útil das instalações certamente já se findou. Portanto, ao optar pela reforma ou compra de edificação com esse perfil, é preciso avaliar se ele atenderá suas necessidades em relação ao uso de cada espaço e quanto custará cada mudança”, esclarece.

Em concordância com a profissional, o arquiteto Renato Andrade, sócio no escritório, acrescenta que ao optar por uma moradia antiga, também é necessário verificar se todas as modificações serão permitidas. “Em muitos casos, é preciso cogitar reforços estruturais para fazer essas intervenções. Então, a decisão deve ser considerada incluindo esse contexto”, relaciona.

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Experientes em reformas de antigas e novas construções, a dupla de arquitetos listou alguns atributos que devem ser considerados para essa tomada de decisão. Confira:

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Planejamento


Como todo projeto, é fundamental seguir um planejamento com um período de antecedência. Estudar as opções, colocar as necessidades no papel e analisar os custos são os primeiros passos para avaliar o melhor cenário de investimento para o futuro comprador e proprietário. “Mais que orçar materiais e a mão de obra, nessa etapa o cliente precisa avaliar o comprometimento de sua renda e se preparar para o início da execução”, orienta Renato.


Caso a escolha seja efetuar a reforma de um imóvel usado, a decisão deve vir acompanhada por um processo muito bem definido. “Para iniciar o projeto, trabalhamos para avaliar as características do imóvel, seja uma casa ou apartamento. Listamos as condições das instalações elétricas e hidráulicas, bem como as condições técnicas, como possíveis rachaduras e o telhado. Também não podemos abrir mão de realizar uma impermeabilização completa, um cuidado bastante importante”, informa Erika.


Auxílio Profissional


Mesmo que seja realizado um planejamento perfeito, todos precisam estar preparados para quaisquer surpresas no meio do caminho. Para isso, é indicado que o proprietário tenha ao seu lado profissionais de arquitetura que acompanhem o andamento da obra, gerenciem as equipes, resolvam os imprevistos e esclareçam todas as dúvidas do cliente. “Se construir um imóvel do zero não é uma tarefa fácil, reformar um imóvel antigo se configura em uma missão ainda mais elevada, já que não existe um histórico daquilo que foi realmente executado na obra”, relembra Renato.

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Prós x contras


Já sabemos que o imóvel antigo costuma requerer um volume expressivo de reformas. Mas a dupla de profissionais rechaça que o perfil de edificação agrega muitas vantagens sim! Dependendo do estado, o novo projeto pode incorporar e dar nova vida a elementos já existentes como pisos de madeira, ladrilhos hidráulicos e até mesmo a marcenaria planejada nos dormitórios. “A questão não é apenas reaproveitar para economizar no orçamento, mas sim incorporar o charme para o estilo decorativo do projeto. Misturar o longínquo com o novo traz um quê de um décor retrô contemporâneo que está super em alta”, destaca Érika. Sem contar que podemos nos beneficiar de questões técnicas como as paredes e lajes mais espessas que permitem uma melhor absorção acústica para ouvir música ou fazer pequenos eventos sem incomodar os vizinhos”, acrescenta.


Outro ponto interessante, que muitas vezes só é possível com imóveis mais antigos, é a escolha da localidade sonhada. “Muitos bairros acabam tendo um custo inacessível por se tratar de um imóvel novo, na planta. Todavia, a reforma de uma casa ou apartamento mais antigo, acaba sendo uma alternativa mais em conta”, explica a profissional. Contudo, pensar no tempo que se deseja habitar no imóvel e a sua valorização com a reforma, também precisará ser avaliada.

Entre as desvantagens, além do trabalho, que pode ser redobrado, os arquitetos elencam a questão do lazer. Ao pensar que as demandas da sociedade mudaram muito de algumas décadas para cá, condomínios erguidos há mais de 30, 40 anos não dispõem de atrativos tão atuais no mercado imobiliário como playground completo, piscinas, pistas para caminhadas e os aclamados espaços gourmets. “No máximo um salão de festas, uma churrasqueira e, quando muito, uma piscina pequena, pois o contexto do morar modificou-se bastante”, reflete o arquiteto.

 

Orçamento


A atenção com o orçamento norteia qualquer reforma. Entretanto, no caso de um imóvel antigo, pelos pontos já trazidos por Erika e Renato, por mais que tudo esteja previamente verificado e planejado, é impossível não esperar que gastos inesperados não sejam incluídos no desembolso financeiro.


Por isso, a estratégia compartilhada pelos arquitetos é listar tudo o que se deseja fazer e, a partir dessa visão macro, elencar a ordem de prioridade. “Sem dúvidas os reparos, tão comuns em áreas úmidas como cozinha ou banheiro não podem ficar em segundo plano”, recomenda Erika. Com esse raciocínio é possível prever uma verba para cada fase, incluindo a decoração, e ainda reservar um percentual para cobrir as eventualidades.


Cuidados


Trabalhar com a reforma estrutural de qualquer projeto requer muito cuidado. Afinal, insumos como gás natural, elétrica e hidráulica podem ser perigosos se não forem executados da maneira correta ou com os profissionais adequados. No que tange à fiação, por exemplo, invariavelmente a substituição é primordial, tanto pela vida útil dos fios e cabos elétricos, assim como pela mudança de consumo. “Há 30 anos, o consumo de eletricidade era bem menor. E hoje, com o aumento dos equipamentos eletrônicos e de eletrodomésticos, o número de pontos de energia ampliou-se e o dimensionamento dos circuitos elétricos ficou muito mais robusto. Tudo deve ser muito seguro”, finaliza Renato.

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