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Despedida, ainda que tardia

27 abr 2005 às 11:00
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Melhor jogador da Copa e do Mundo em 1994, Romário aguardou mais longos onze anos para se despedir da Seleção. E não vai receber, nem de longe, a festa que merecia. Distante da "amarelinha" desde as Eliminatórias da última Copa, o craque marrento foi convocado, acho que muito a contragosto, pela dupla Parreira-Zagallo para fazer a sua última aparição pelo time nacional. Pena que nos últimos tempos suas participações nos gramados não passem muito deste termo: aparição.

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Do garoto veloz que arrancava com a bola e só parava no fundo das redes, que encantou os vascaínos em meados dos anos 80, até o jogador que joga mais no nome e no respeito que impõe de hoje, passando pelo dono da Copa dos EUA e pelo rei da grande área, Romário viveu uma sucessão de altos e baixos, digna dos folhetins populares.


Rebelde e desbocado, encantou multidões para em seguida desapontá-las, virou xodó da torcida em muitos momentos e persona non grata por diversos técnicos, inclusive os que comandaram a Seleção nos três últimos Mundiais. Parreira só o chamou para o time de 94 pelo desespero do momento e por precisar de alguém capaz de decidir o jogo em poucos lances, tornando vencedor um time que tinha como principal qualidade a rigidez da postura tática – tortura tática para qualquer torcedor. E o baixinho foi lá e decidiu.


Em 98, numa das grandes injustiças do destino, ficou de fora da Copa por contusão e pelo conservadorismo e má vontade de Zagallo e de Zico – outros dois desafetos históricos – que poderiam levá-lo para contar com ele nos jogos decisivos. Ninguém garante o que poderia acontecer naquela final de triste lembrança apenas pela presença de Romário em campo. Talvez não mudasse nada mas esta dúvida é suficiente para manchar a carreira do velho lobo.


Para ao Mundial seguinte, Romário fez corpo mole e desapontou Felipão, perdendo a derradeira chance de buscar mais um título mundial. De lá para cá, iniciou a fase descendente, pelo desgaste de seu físico mais de boleiro do que de atleta. Mas ainda mostra toques de bolas impossíveis e uma presença de área inigualável.

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Mas se despede de forma quase melancólica, contra a inexpressiva Guatemala, em um jogo no simpático mas acanhado Pacaembú, a anos-luz de distância de seu amado Maracanã.


Ponto final


Curiosamente, Romário deixa a seleção – que já o deixou de lado há tempos – na mesma semana em que outro patrimônio futebolístico e, porque não, cultural brasileiro deixa de existir. A geral do Maracanã, por onde desfilaram as mais exóticas e autênticas personagens da vida cotidiana carioca e brasileira, onde ecoaram críticas bem-humoradas aos governantes, fossem os ditadores de plantão, fossem os autores de miraculosos planos econômicos. A síntese de um tempo em que o futebol era um esporte popular por excelência, sucumbe mais uma vez aos novos tempos mercantilistas, de torcedores profissionais que transformam os estádios em praças de guerra.


Duas despedidas que simbolizam o fim definitivo do romantismo no futebol.


Ressaca


O Brasileirão começou de forma tímida, com os times ainda vivendo a ressaca dos inúteis estaduais, mas já apresentou algumas zebras que servem para animar um pouco a competição. As vitórias de Botafogo e Ponte Preta, ambas fora de casa, contra Inter e Atlético Paranaense foram as grandes surpresas da rodada.


A derrota do Furacão, aliás, prova que o time não aprendeu a lição do ano passado, quando perdeu o título pelos pontos perdidos em jogos como o do último fim de semana. E o time é claramente inferior ao do ano passado, e logo ainda perderá Fernandinho. Outro que pelo jeito não aprendeu nada nos últimos anos é o Paraná Clube, mais uma vez derrotado mesmo jogando bem todo o primeiro tempo. Mas sem fazer gols é impossível ganhar um jogo. Pelo jeito o calvário da torcida paranista deve continuar.


Quem largou bem foi o Coritiba, que aproveitou a chance de jogar contra o Fortaleza com a casa vazia e venceu o jogo longe de sua terra. Sem o estímulo da torcida, os cearenses não tiveram o ímpeto necessário para bater o Coxa, que agora inaugura o novo gramado do Couto Pereira contra o Santos, num jogo que promete bastante.


Outros que decepcionaram foram Corinthians e Cruzeiro, que só empataram com os fracos Juventude e Flamengo. Começo ruim para dois dos principais favoritos. O Timão sem Roger não passa de um time comum com uma grande estrela: Tevez, que com sua técnica e disposição vale por dois. Não é aquele craque refinado ao melhor estilo Robinho ou Ronaldinho Gaúcho, mas chama o jogo e decide.


Recomeço


Schumacher deu a volta por cima nos problemas da Ferrari e da Bridgestone e fez uma corrida digna de campeão. Seu show em Imola só não terminou em vitória porque ele errou no treino e largou lá atrás e porque Alonso prova a cada dia que o alemão já tem o seu legítimo sucessor.


Enquanto isso, Raikkonen prova que tem a mesma sorte que um certo brasileiro que corre em uma escuderia vermelha. Outro que ressurgiu foi Villeneuve, animado e voltando a correr como nos velhos tempos.


Os velhos erros


O Brasileirão mal começou e os velhos erros dos dirigentes voltaram a tona. A diretoria do Goiás demitiu o técnico Péricles Chamusca mesmo com a vitória do time fora de casa.


Pior ainda fez o Brasiliense, que por meio de liminar concedida a um torcedor, vulgo laranja, não cumpriu a determinação do STJD e vendeu ingressos para seu jogo contra o Vasco, que deveria ser realizado com portões fechados. Agora, cruz-maltinos e a própria CBF entraram na justiça, um para pedir os pontos do adversário, outra para até mesmo excluir a equipe da disputa.


Não dava para esperar nada melhor mesmo de um jogo reunindo o time do senador cassado Estevão contra o do ex-deputado Eurico.


Nota 10


Para Alonso e Schumacher pela disputa como há muito não se via na F-1.


Nota 0

Para as trapalhadas dos cartolas que já mancham o Brasileirão.


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